Daily Archives: 25 de Maio de 2012

ÁFRICA NA PELE, A SANGUE, O CORAÇÃO, E A HISTÓRIA DOS CUBANOS.

O cubano é mistura, este é o seu traço mais representativo,  expressa-se na sua cultura,na sua música,na sua religião e na sua interacção na

sociedade como  pessoa. Esta identidade nasceu, na essência, da união da raça espanhola com a Africana.

A chegada de escravos para Cuba,contribuiu económica e socioculturalmente  para a formação e a idiossincrasia do povo cubano desde o

século XVI. É por isso que temos a África na nossa pele, sangue, coração, e história. A ela dedicamos o poema OS MEUS DOIS AVÔS escrito,

magistralmente pelo nosso poeta nacional Nicolas Guillen no qual retrata esta fusão de culturas.

Sombras que só eu vejo

Vem trás de mi os meus dois avós

Lança com ponta de osso,

tambor de couro e madeira:

o meu avô preto.

Gorguera no pescoço ancho,

armor guerreiro cinzento:

meu avô branco.

pés Descalços

tronco pétreo

os de meu preto

alunos da Antártida vidro

do meu branco!

África das florestas húmidas

e Gordos gongos surdos …

Eu morro !

 (Disse meu avô negro)

Água preta de jacarés,

Manhã de cocos verdes …

Estou cansado!

(Disse meu avô branco)

Oh velas de amargo vento,

galeón ardendo em oro…

Oh velas de vento amargo,

galeón queimado em ouro …

Eu morro !

(Disse meu avô negro)

Oh costas do pescoço virgem

enganados de miçangas … !

Estou cansado!

(Disse meu avô branco)

Oh puro sol de relevo,

prisioneiro no aro dos trópicos,

oh lua redonda e limpa

do sonho dos macacos!

Quantos barcos, Quantos barcos!

Quantos pretos, Quantos pretos!

Qual largo o esplendor dos juncos!

O látego do negreiro!

Pedra de lágrimas e sangue,

veias e olhos levemente rasgadas

e madrugadas vacias,

e os pores-do-sol e uma grande voz,

voz forte, despedaçando

o silêncio.

Aos barcos, aos barcos,

Quantos  pretos!

Sombras que apenas eu vejo,

vem trás de mi os  dois avôs.

Don Federico grita

Taita Facundo cala;

os dois na noite sonham e caminham, caminham.

Eu os junto

Federico! ¡Facundo!

Os dois abraçam-se.

Os dois suspiram.

Os dois grandes os seus grandes cabeças levantam;

os dois do mesmo tamanho, sob as estrelas altas;

os dois do mesmo tamanho, luxúria e cobiça preta e branca,

os dois do mesmo tamanho, gritam, sonham, choram, cantam.

Sonham, choram, cantam.

Choram, cantam.

Cantam!

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AINDA O SONHO AFRICANO DO CHE: Cada ser humano, cada comunidade e cada povo que é alfabetizado, por exemplo, é uma vitória para toda a humanidade!

Martinho Júnior, Luanda / http://paginaglobal.blogspot.com/search/label/MARTINHO%20J%C3%9ANIOR

1 – Ocorreram 47 anos desde a passagem do Che por África!
Naquela altura uma guerrilha entre tantas outras procurava desesperadamente dar continuidade à saga de independência e liberdade encetada pelo heróico Patrice Lumumba.
As potências ocidentais desejosas de manter os seus privilégios, recorrendo a toda a casta de mercenários e agentes locais, deu-lhe caça
Essa guerrilha, na profundidade das convicções de então, perdeu-se na bruma dos tempos e agora nos Kivus, as guerrilhas que em nome dos poderosos desestabilizam para que as matérias primas continuem a ser baratas e alvo dos saques, são estimuladas como nunca, expandindo a miséria, a fome, o deslocamento massivo forçado de milhões de seres, o “arco de crise” com todas as evidências da morte…
O tempo não apagará contudo os ensinamentos que perduram dessa aliança do Che com Laurent Kabila, simplesmente por que eles respiram a necessidade ampla de justiça que ainda não foi alcançada, a necessidade de, buscando energia ao sentido de vida que se cultivou com tanto fervor no âmbito do movimento de libertação, se lutar hoje contra o subdesenvolvimento, contra as sequelas que advêm do passado e contra tudo o que dá corpo afinal à opressão do presente e se constitui a perversa força com que se move o império pondo em risco cada vez mais a “casa comum” que constitui o próprio planeta.
2 – Os impactos do capitalismo neo liberal em África, nutrido de especulação financeira e do poder da aristocracia financeira mundial, num momento em que os recursos da Terra se vão inexoravelmente esgotando, é uma reciclagem neo colonial imposta a todos os povos do continente e ao mesmo tempo um desafio para todos aqueles que vão ganhando consciência real da situação e procuram soluções alternativas para ela, soluções com sentido de vida e por isso inspiradas na paz de que toda a humanidade urgentemente precisa.
Essas soluções não podem deixar-se confundir com as manipulações, com as ingerências, as tensões, os conflitos, as guerrilhas contemporâneas e as guerras: a pureza das profundas convicções assim o obriga!
A luta não se faz hoje com as armas na mão, o que abriria ainda mais as portas aos desejos bárbaros dos mentores do império, mas o sentido de responsabilidade dessa luta seria o mesmo se não tivesse havido movimento de libertação na América Latina e em África, se não se tivessem projectado para a história os heróis do passado, como os guerrilheiros das décadas de 60, 70 e 80 nos dois lados do Atlântico?
3 – Essa questão é hoje tanto mais pertinente quanto deste lado do Atlântico há a proliferação de conflitos, tensões, guerrilhas e guerras sob as mais diversas motivações, em especial motivações que se tornaram um pródigo manancial contra os interesses geo estratégicos dos povos e de África.
A guerrilha do Che expôs-se às traições (como são tão fáceis as traições): conseguiu entender o gérmen delas no leste do Congo, mas não se pôde furtar a elas na Bolívia, pelo que aí foi o seu fim (“Cubano diz que comunistas traíram Che Guevara” –http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI109866-EI315,00-Cubano+diz+que+comunistas+trairam+Che+Guevara.html).
Che, em função das suas profundas convicções revolucionárias, tinha contudo a particularidade de prever e muitas das suas declarações se abriam a essa previsão de futuro.
Quando por exemplo teve a oportunidade de a 2 de Janeiro de 1965 se dirigir aos guerrilheiros do MPLA em Brazzaville (visita à sede do MPLA na capital congolesa), Che esclarecia:
“Guerrilheiro não é aquele que está na montanha, na montanha ou em qualquer outra zona de operações, guerrilheiro é o homem que já aprendeu a adaptar-se ao meio, a tomar desse meio tudo o que este pode oferecer a seu favor e que o leve a perder o medo ao exército inimigo. Esta é uma questão que não se consegue dum dia para o outro, pois ninguém nasce herói, nem a heroicidade é algo que se semeie”… (“O sonho africano do Che” – página 39 do livro de William Galvez).
4 – A luta em África hoje faz-se hoje em muitas frentes: desde a construção de infra estruturas e estruturas que inclusive não foram erguidas nestes 50 primeiros anos de independência, até e sobretudo com as batas brancas dos professores e dos médicos, por que é no homem e com o homem que se poderão ultrapassar todos os obstáculos inerentes ao subdesenvolvimento crónico a que África e a América Latina ainda estão submetidos.
Cada ser humano, cada comunidade e cada povo que é alfabetizado, por exemplo, é uma vitória para toda a humanidade!
5 – É esse o sentido de vida inerente à luta em África: mais infra estruturas, mais estruturas, mais educação e mais saúde e foi esse o marco da recente passagem do Vice Presidente do Conselho de Estado de Cuba, Esteban Lazo Hernandez, em visita de trabalho a Kinshasa, dando início a um outro ciclo de relacionamentos bilaterais com a República Democrática do Congo, relembrando o passado histórico e os heróis tão marcantes de África e da América Latina como o são Patrice Lumumba, o Che e Laurent Kabila!
O Digital Congo fez várias alusões a essa visita, das quais destaco (“Le Vice président du Conseil d’Etat de Cuba reçu en audience par le Chef de l’Etat salue l’excellence des relations entre Kinshasa et La Havane” –http://www.digitalcongo.net/article/83910):
 “M. Esteban Lazo Hernandez, Vice-président du Conseil d’Etat de Cuba, arrivé jeudi à Kinshasa en visite de travail de quatre jours a été reçu vendredi par le Chef de l’Etat en saluant au sortir de cette audience l’excellence des relations entre son pays et la RDC.
 M. Esteban Lazo Hernandez, Vice-président du Conseil d’Etat de la République de Cuba, s’est félicité de l’excellence des relations qui existent entre la République démocratique du Congo et son pays. M. Hernandez a fait cette déclaration au sortir de l’audience d’environ une heure que le Chef de l’Etat, le Président Joseph Kabila Kabange lui a accordée vendredi en son cabinet de travail de la Gombe.
L’hôte cubain a, à cette occasion, reconnu les efforts importants qui sont fournis par les autorités congolaises, sous la conduite du Président Joseph Kabila, en vue du développement intégral de la RDC, dans les domaines des infrastructures, de l’éducation, de la santé, de l’eau, de l’électricité et de la sante. Cuba, a-t-il poursuivi, dispose d’une longue expérience dans tous ces domaines et il est prêt à accompagner la RDC pour son développement”…
6 – O Congo é um país que, pela sua posição geográfica, pelos seus imensos recursos e pelo seu povo, constitui um manancial geo estratégico vital para África enfrentar as sequelas que advêm do passado como os impactos deste “modelo” de globalização neo liberal, nutrido da especulação financeira que se está a tornar num autêntico crime contra a humanidade (basta verificar a perversidade do que vai ocorrendo nos termos dessa especulação nos próprios Estados Unidos, na própria União Europeia e no resto do mundo)!
A bacia do rio Congo, é a de maior volume de águas interiores em África e o Congo, com Angola e a Zâmbia, formam a região noroeste da SADC, aquela que possui mais recursos hídricos no interior do continente africano, recursos esses que se expandem até ao coração geográfico do continente e são por si vitais em relação à sustentabilidade futura.
A bacia do Congo é o segundo maior pulmão tropical da Terra, a seguir ao Amazonas e ambos se situam em dois continentes, América e África, onde as afinidades históricas se reflectem até aos nossos dias.
A guerrilha do Che ocorreu precisamente junto ao lago Tanganika, onde se encontravam as forças de Laurent Kabila, à ilharga sul da bacia do grande pulmão de África!
7 – Che de armas na mão até poderia ter perdido todas as suas batalhas, mas o significado da sua luta, da luta do movimento de libertação, aquilo que foi ocorrendo desde a vitória revolucionária de Cuba, do sentido de vida que nos foi transmitido com tanto sacrifício e dignidade, transporta-nos para as convicções de hoje, que são essência da luta na “casa comum” onde existimos, a necessidade de continuar a saga que vem do passado histórico para vencer o subdesenvolvimento crónico em que África e a América Latina estão mergulhados.
Cuba e a RDC podem assim, também na integração prevista no quadro dos relacionamentos bilaterais pacíficos e exemplares, dar ainda mais conteúdo a essa luta, na certeza de que todos os ganhos que se obtiverem resultarão em benefícios salutares para a Terra.
África tem de sair por vontade própria e com a ajuda de todos os povos que constituem a humanidade, do “coração das trevas” em que foi tornada pelo egoísmo e pelo vício dos poderosos sem escrúpulos, predadores e inimigos da vida!
PAZ SIM, NATO NÃO!
CUBA PARA A CPLP!
Ao Dia de África – 25 de Maio de 2012!
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Bloqueio a Cuba: os Estados Unidos talvez tenham conseguido apenas um dos mais espetaculares fracassos em política internacional no último meio século.

A Casa Branca mantém o embargo condenado pelas Nações Unidas em vinte assembléias anuais sobre a Ilha.

Quando amanheceu o dia 7 de fevereiro de 1962, uma ordem executiva do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, assinada quatro dias antes, mudava drasticamente a vida dos cubanos. Como retaliação às nacionalizações de empresas norte-americanas e às crescentes relações com a União Soviética, a Casa Branca praticamente baniu vínculos comerciais com a ilha caribenha, além de proibir linhas de crédito e vários outros tipos de intercâmbio. Tinha início um dos mais duradouros e drásticos bloqueios econômicos da história moderna.

O ato administrativo de Kennedy, do Partido Democrata, foi parte de uma escalada inaugurada com a vitória da Revolução Cubana, no dia 1º de janeiro de 1959. Pouco mais de 15 meses após o triunfo da guerrilha liderada por Fidel Castro, o presidente Dwight D. Eisenhower, republicano, havia apresentado ao Congresso uma medida que reduzia em 700 mil toneladas a importação da cana-de-açúcar cubana.

No dia 3 de janeiro de 1961, Washington romperia relações diplomáticas com Havana. Quatro meses depois, em abril, com Kennedy já no comando, grupos oposicionistas, com apoio da CIA, foram derrotados durante invasão de Playa Girón, no litoral cubano, em operação militar destinada a derrubar o governo de Fidel. Humilhadas e enraivecidas, as correntes anticastristas encontraram abrigo norte-americano para novas aventuras. A chave-mestra era trancar a economia cubana de todas as formas possíveis.

“Ao longo desses 50 anos, as diversas medidas do bloqueio custaram mais de um trilhão de dólares ao nosso país”, afirma ao Opera Mundi o vice-ministro de Investimento Externo e Comércio Exterior, Orlando Guillén. “Os EUA não apenas romperam unilateralmente com o comércio, mas congelaram ativos do Estado cubano e estabeleceram punições a empresas de outros países que queiram ter relações normais conosco.”

Para se ter ideia do estrago, a conta é simples de ser feita. O PIB (Produto Interno Bruto) de Cuba alcançou, em 2009, a cifra de 110 bilhões de dólares. O bloqueio promovido pela Casa Branca ceifou, no mínimo, dez dos últimos 50 anos de tudo o que o país foi capaz de produzir em mercadorias e serviços. Não é pouca coisa.

Endurecimento

Com exceção do período em que governou o democrata Jimmy Carter, essas restrições só foram mais e mais endurecidas. Sem qualquer ternura. Os EUA, que clamam pelo visto de saída para a blogueira Yoani Sánchez, desde fevereiro de 1963 limitam severamente viagens de seus cidadãos para a ilha. Carter se negou, em 1979, a manter essa regulamentação, que deve ser semestralmente renovada, porém, Ronald Reagan a restabeleceu em 1982.

Outro republicano, George Bush, sancionou em outubro de 1992 a Ata para a democracia cubana, mais conhecida como Lei Torricelli. E um democrata, Bill Clinton, pôs sua assinatura, em 1996, na Ata para a liberdade cubana e a solidariedade democrática,popularmente tratada como Lei Helms-Burton. Ambas medidas ampliaram o bloqueio.

Filiais estrangeiras de empresas norte-americanas foram proibidas de comercializar com Cuba. Navios que passassem por seus portos, de qualquer bandeira, teriam que aguardar seis meses antes de lançar âncora em território da superpotência. Bancos que dessem crédito ou fizessem operações financeiras com Havana também passaram a ser vigiados e castigados.

“Tem mais gente fiscalizando nossas contas nos EUA que as da Al Qaeda”, ironiza Guillén. “Qualquer pagamento feito a partir de uma instituição bancária com ramificação norte-americana pode provocar multas e sanções.” Esse foi o caso, por exemplo, dos bancos Credit Suisse e UBS, processados em centenas de milhões de dólares, durante 2003 e 2004, por realizar transações que aparentemente violavam as leis do bloqueio. Uma das operações punidas foi a transferência de recursos do Fundo Mundial de Luta contra a AIDS, a Tuberculose e a Malária.

A lista de restrições é infindável. Nenhuma companhia de outros países pode exportar para os EUA produtos que contenham matéria-prima cubana. Um fabricante brasileiro de geleia, por exemplo, que utilize açúcar cubano, está lascado com o embargo. Nenhuma empresa estrangeira pode vender a Cuba produtos e serviços que utilizem tecnologia norte-americana excedente a 10% de seu valor. Qualquer empresário, não importa a nacionalidade, que investir em plantas industriais ou projetos sobre os quais pairem reivindicações indenizatórias norte-americanas, está sujeito a severas represálias.

Continuidade

Quando George W. Bush ocupou o Salão Oval, entre 2001 e 2008, as proibições ficaram ainda mais draconianas, com o recrudescimento de restrições contra o turismo, os investimentos e as remessas financeiras de familiares. Quando Barak Obama assumiu, em 2009, eram grandes as esperanças de alguma mudança. Mas seu único gesto foi, até agora, retornar ao quadro pré-Bush filho, liberando viagens de cubano-americanos e eliminando limites para as doações a parentes (atualmente equivalem a 400-600 milhões de dólares anuais, dependendo da fonte calculadora). Havana também pode comprar alimentos e remédios nos Estados Unidos, em situações emergenciais, desde que pague adiantado.

No ano passado, a Assembleia Geral das Nações Unidas deliberou pela 20ª vez contra o bloqueio. Apenas Estados Unidos e Israel votaram contra, enquanto 186 nações subscreveram a decisão, com três abstenções. Mesmo empresários norte-americanos gostariam de ver abolida essa relíquia da Guerra Fria, desejosos de fazer bons negócios com Cuba. Nada disso importa na avenida Pensilvânia.

A verdade é que o papel eleitoral da comunidade de refugiados cubanos e seus descendentes, concentrada na Florida, que foi decisivo nas últimas quatro eleições presidenciais, parece subordinar os movimentos de Washington e dos pretendentes ao mais poderoso trono do planeta.

Onze presidentes depois de vitoriosa a revolução cubana e iniciado o bloqueio, a Casa Branca continua com a mesma orientação. Seu objetivo não foi alcançado, pois os comunistas continuam governando Havana. Como recompensa a tamanho sacrifício imposto ao povo cubano, os Estados Unidos talvez tenham conseguido apenas um dos mais espetaculares fracassos em política internacional no último meio século.

(Com imformação de Cubadebate e operamundi.uol.com.br)

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