Daily Archives: 28 de Maio de 2012

Obama: O afilhado negro dos Bilderberg

Nome Original do Artigo: 

 O BOSQUE EM FLOR: O afilhado negro dos Bilderberg

Rui Peralta, pagina Global, 24 de maio 2012

Coincidências

Existem coincidências na vida. De todos. Por exemplo o presidente Obama, na semana em que recebeu o Premio Nobel da Paz, em 2009, ordenou ataques aéreos sobre o Iémen, que resultaram em 63 vitimas mortais, 28 das quais crianças. Coincidentemente, quando Obama anunciou este mês que apoiava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, na mesma semana aviões norte-americanos assassinavam 14 civis afegãos. São dois factores secundários (Premio Nobel e declaração de apoio aos casamentos homossexuais) em torno de um factor central (a guerra). Mas o passe de mágica dos mestres ilusionistas dos media foi o de fazerem esquecer o factor central (a guerra) e pôr toda a gente a falar dos factores secundários (o Premio Nobel e os casamentos gay).

As festas

Uma hora antes da sua declaração sobre o casamento gay, Obama efectuou uma operação de captação de fundos para a sua campanha presidencial, enviando mensagens onde declarava a sua posição. Na noite seguinte, já com todos os noticiários dominados pelas suas declarações, Obama compareceu a uma festa de levantamentos de fundos, em Los Angeles, na casa de um conhecido actor de cinema, onde estavam reunidos mais de 150 importantes nomes de Hollywood, que pagaram 40.000 USD para comparecer ao jantar festivo e Obama, contente, arrecadou um recorde de 15milhöes de USD para a sua campanha, posteriormente reforçados por mais outro tanto provindo de apoiantes gay e latinos de New York, que fizeram também uma festa de arromba.

O Partido Único sob a égide de Obama

Democratas e Republicanos são duas faces de um Partido Único, o partido do grande capital. Representam os diversos sectores da alta burguesia norte-americana (os bosses dos bosses) e simultaneamente são os responsáveis pelo empobrecimento da nação norte-americana. Obama é tão reacionário como o foi Bush, ou como o seu outro lado do espelho, o candidato republicano que é só para manter ocupada e dar mais uns cobres as fortes companhias de comunicação social yankees, pois Obama é o candidato de todo o Capital.

É um Premio Nobel da Paz expert em drones Hellfire, em operações cirúrgicas, secreta e de alta precisão e um grande ilusionista. Com a história da retirada parcial das tropas norte-americanas de ocupação do Afeganistão, Obama enviou forças para 120 países com a missão de treinarem grupos especiais. É um liberal que criou fortes medidas restrictivas á liberdade de imprensa (reparem no que se passou e passa-se com a WikiLeaks e Assange, por exemplo). É um pacificador que silenciou o movimento antiguerra, associado ao seu próprio partido (ou melhor á sua facçäo alargada, os democrata, dentro do regime de partido único encapuçado que vigora nos states). É um astuto operador amoral que joga com a cor da pele e que acha natural as manifestações do Tea Party (o núcleo mais fascizante da facçäo republicana do partido único), mas um atentado á população citadina o movimento do Occupy.

Bradley Manning

Entre os bajuladores endinheirados de Obama, os seus gays ricos a quem recorreu para uma ajuda na campanha, não se ouviu nenhuma voz que tivesse chamada a atenção para o que se passou com Bradley Manning, que foi caluniado por Obama e pelo seu vice pelo facto de ser gay e por ter fornecido informação á WikiLeaks. Bradley, um soldado norte-americano, gay, alegadamente proporcionou á WikiLeaks uma grande quantidade de provas sobre actividades criminosas norte; americanas no Iraque e no Afeganistão. Obama e Biden acusaram-no publicamente de traidor e caluniaram a sua “anormal homossexualidade” (para usar as palavras de Obama) como sendo o motivo que o levaram a fornecer as provas á WikiLeaks.

É no mínimo de estranhar, para além de uma enorme hipocrisia, que nenhum dos porta-vozes dos direitos dos homossexuais, apoiantes de Obama, tenha-se manifestado sobre esta contradição, deixando passar em branco, como sendo uma recordação para apagar, as acusações e a campanha de calunias que o presidente da sede imperial, no seu imenso poder, moveu a um cidadão gay, que teve a coragem de assumir a sua cidadania e participar na luta por uma sociedade mais justa e livre, no fundo, a coragem de assumir os ideais que levaram á independências dos USA, nos tempos idos da Revolução Americana, em que a guerra era de libertação e o inimigo o imperialismo.

(Será que o afilhado negro dos Bilderberg leu essa parte da História?)

 Fontes

Washington Post; 09/05/2012;

Associated Press 11/05/2012;

http://johnpilger.com

Nota do Blogue Tudoparaminhacuba

O Clube de Bilderberg é uma conferência anual não-oficial cuja participação é restrita a um número de 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político. Devido ao fato das discussões entre as personalidades públicas oficiais e líderes empresariais (além de outros) não serem registradas, estes encontros anuais são alvo de muitas críticas (por passar por cima do processo democrático de discussão de temas sociais aberta e publicamente). O grupo de elite se encontra anualmente, em segredo, em hotéis cinco estrelas reservados espalhados pelo mundo, geralmente na Europa, embora algumas vezes tenha ocorrido noEstados Unidos e Canadá. Existe um escritório em Leiden, nos Países Baixos.

Ler mais em: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Bilderberg

Categories: ESTADOS UNIDOS, POLÍTICA | Deixe um comentário

DIA DE ÁFRICA

PRAÇA DA AMIZADE ANGOLA-CUBA

Artigo de Martinho Júnior, Luanda (reposição com actualização)

Pagina Global, 26 de  Maio 2012

1 – Em 25 de Maio comemorou-se o Dia de África e isso deveria ser motivo para que, à escala global, todas as questões relativamente ao continente-berço do homem fossem lembradas, discutidas, debatidas, pois a tarefa de lutar contra o subdesenvolvimento crónico que subsiste 50 anos depois das independências de bandeira, não pode ser apenas um objectivo africano, é-o de toda a humanidade.

Para isso, há barreiras que têm de ser banidas e obstáculos que têm de ser vencidos, por que essa longa batalha contra o subdesenvolvimento crónico, implica sabedoria e consciência em relação à situação real, sabedoria e consciência fundamentalmente suportadas pelas ciências humanísticas, como pela via das aproximações históricas e sócio-culturais.
 
A luta contra o subdesenvolvimento crónico que grassa em África, é talvez o maior desafio para a construção da paz para toda a humanidade, pelo que a sensibilidade dos outros povos fora do continente, das nações de todo o mundo e dos seus respectivos estados é não só um acto de solidariedade, mas sobretudo um acto de respeito, responsabilidade e amor pela “casa comum” que é o próprio planeta, uma prova indispensável para garantir o futuro das novas gerações.
 
2 – São sobretudo as regiões que se esvaíram oprimidas no tráfego negreiro que engrossam hoje as nações que se situam na cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano, conforme se pode observar nos Relatórios do PNUD desde o início do milénio.
 
No Relatório Anual do PNUD relativo a 2011 (http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3880&lay=pde), há dados estatístico referentes a 187 estados de todo o Mundo; dos 46 estados classificados com Índice de Desenvolvimento Baixo, o último da escala, 36 são de África, 9 pertencem à Ásia e arquipélagos do Oriente e 1 à América (o Haiti – 158º lugar da escala); 5 desses estados têm como oficial a língua portuguesa (4 em África e 1, Timor, na Oceânia, neste caso 10 anos após a independência).
 
A especulação financeira em África faz-se sentir sobretudo sobre bens essenciais para a vida, como os alimentos e as nações africanas vêem-se sem meios para fazer face às conjunturas neo liberais que abriram espaços enormes também à especulação alimentar, que agrava o estado de torpor próprio do subdesenvolvimento crónico (“Fome e especulação” –http://paginaglobal.blogspot.com/2012/03/fome-e-especulacao.html).
 
A necessidade de segurança alimentar em África assume aspectos extremos: sem alimentação adequada, as novas gerações sofrem a subnutrição e Não corresponderão perante as necessidades que se colocarão n seu futuro (“Africa Human Development Report 2012: Towards a Food Secure Future” –http://www.undp.org/content/undp/en/home/librarypage/hdr/africa-human-development-report-2012/).
 
3 – Será que isso não é motivo para que afinal devamo-nos manter preocupados sobre o que em pleno século XXI afecta as nações modernas, particularmente aquelas saídas da rota Atlântica dos escravos há largos séculos atrás?
 
O que faz com que as injustiças tivessem persistido século após século até aos nossos dias?
 
O que obsta a vencer tantas e tão atávicas barreiras e condicionamentos?
 
4 – Os povos tocados historicamente pela escravatura deverão ser os primeiros a descobrirem, descobrirem-se, redescobrindo seu passado e culturas, de forma a não só perceber muitos dos fenómenos de opressão que se reflectem até hoje, mas acima de tudo buscarem sua própria personalidade e identidade, vencendo os traumas acumulados, apesar das afrontas, dos enormes sacrifícios impostos, da miséria e da morte ao longo dos séculos.
 
É precisamente nessa conjuntura que o sentido de vida se deve assumir, sem fronteiras, solidariamente e vencendo todas as barreiras, pelo que os intercâmbios humanos devem ser incrementados, relembrando a história, aprendendo com ela, reconhecendo o que nos une em África, na América, por que a identidade sócio cultural africana se espalhou sobretudo nas duas margens do Atlântico.
 
5 – Também nesse aspecto Cuba se implica com sensibilidade e profundas convicções, dando o exemplo; a uma semana de 25 de Maio:
 
“Em Cuba Colóquio Internacional sobre África
 
O colóquio terá lugar na capital regional Pinar del Rio, localizada 165 quilómetros a oeste de Havana, com o tema África em nós, ontem, hoje e amanhã e será com a presença de especialistas cubanos e cerca de 150 estudantes de várias nações do continente.
 
Os participantes irão apresentar mais de 20 investigações, dentre estas algumas das culturas culinárias de Cuba e Angola, e objectivos comuns em sua origem e evolução.
 
A Universidade de Pinar del Rio no ocidente de Cuba, congratula-se hoje aos participantes no Colóquio Internacional sobre África que terá lugar quarta-feira e quinta-feira.
  
Este é o VI Simpósio Internacional dedicado ao amplo conhecimento do continente africano, de perspectivas políticas e ambientais.
 
Também haverá apresentações sobre as origens da África como um continente e o sentido dessa região durante o meio século de independência, em um mundo globalizado.
 
O fórum, organizado pela União de Estudantes africanos (UEA), faz parte das actividades programadas em Pinar del Rio por ocasião do 25 de Maio, Dia da África” (http://tudoparaminhacuba.wordpress.com
 
6 – A cultura da paz deve marcar os relacionamentos entre os povos e deve ser vocação intrínseca para todos os estados.
 
A paz não se poderá fazer com capitalismo neo liberal e especulação financeira, por que os alicerces humanos de existência são profundamente tocados pelos factores nocivos afectos à essência desses artificiosos fenómenos inerentes à arquitectura do poder global das aristocracias financeiras, das oligarquias e das elites.
 
É em paz que melhor nos podemos conhecer e será em paz que os povos oprimidos de todo o mundo poderão vencer as sequelas que se arrastam do passado, por que é com a paz que melhor poderão lutar contra o subdesenvolvimento crónico em que têm sido obrigados a (sub)viver e evitar as artificiosas manipulações étnicas, religiosas e sócio-políticas que quantas vezes têm sido estimuladas pelos poderosos.
 
7 – Numa hora tão difícil para África e seus descendentes espalhados pelo mundo, numa hora tão difícil para a Guiné Bissau, relembro Amílcar Cabral (http://www.didinho.org/partirdarealidadedanossater.html):
 
“Partir da realidade da nossa terra. Ser realistas.
 
Intervenção de: Amilcar Cabral
 
A REALIDADE
 
Outro problema que podemos passar a discutir é o seguinte princípio do nosso Partido: Nós avançamos para a nossa luta seguros da realidade da nossa terra (com os pés fincados na terra).
 
Quer dizer, em nosso entender não é possível fazer uma luta nas nossas condições, não é possível lutar de facto pela independência de um povo, não é possível estabelecer de facto uma luta armada como a que tivemos que estabelecer na nossa terra, sem conhecermos a sério a nossa realidade e sem partirmos a sério dessa realidade para fazer a luta.
 
Qual é a nossa realidade?
 
A nossa realidade, como todas as outras realidades, tem aspectos positivos e aspectos negativos, tem forças e tem fraquezas.
 
Qualquer que seja o lugar onde tenhamos a nossa cabeça, os nossos pés estão fincados no chão da nossa terra, na Guiné e Cabo Verde, na realidade concreta da nossa terra, que é o facto principal que pode orientar o trabalho do nosso Partido.
 
Há gente no mundo que pensa que a realidade depende da maneira como o homem a interpreta. A realidade, coisas que se vêem, que se tocam, que se sentem, o mundo que está á volta de cada ser humano, para essa gente é o resultado daquilo que o homem tem na cabeça. Há outras pessoas que pensam que a realidade existe e o homem faz parte da realidade. Não é o que ele tem na cabeça que vai determinar a realidade, mas é a própria realidade que determina o homem. O homem é parte da realidade, o homem está dentro da realidade e não é aquilo que se tem na cabeça que determina a realidade. Pelo contrário, a própria realidade em que o homem vive é que determina as coisas que o homem tem na sua cabeça.
 
Os camaradas podem perguntar: Qual é a nossa posição, do PAIGC, em relação a essas duas opiniões? A nossa opinião é a seguinte: O homem é parte da realidade, a realidade existe independentemente da vontade do homem, e o homem, na medida em que adquire consciência da realidade, na medida em que a realidade influencia a sua consciência, cria a sua consciência, ele pode adquirir a possibilidade de transformar a realidade a pouco e pouco. Esta é que é a nossa opinião, digamos, o princípio do nosso Partido, sobre as relações entre o homem e a realidade.
 
Uma coisa muito importante numa luta de libertação nacional é que aqueles que dirigem a luta nunca devem confundir aquilo que têm na cabeça com a realidade. Pelo contrário, quem dirige uma luta de libertação nacional deve ter muitas coisas na cabeça, cada dia mais, tanto a partir da própria realidade da sua terra, como da realidade doutras terras, mas ele deve medir, fazer planos, respeitando a realidade e não aquilo que tem na cabeça. Isso é muito importante, e o facto de não o respeitar tem criado muitos problemas na luta de libertação dos povos, principalmente em África.
 
Eu posso ter a minha opinião sobre vários assuntos, sobre a forma de organizar a luta, de organizar um Partido, opinião que aprendi, por exemplo, na Europa, na Ásia, até mesmo talvez noutros países de África, nos livros, em documentos que li, com alguém que me influenciou. Mas não posso pretender organizar um Partido, organizar uma luta de acordo com aquilo que tenho na cabeça. Tem que ser de acordo com a realidade concreta da terra”…
 
PAZ SIM, NATO NÃO!
 
CUBA PARA A CPLP!
 
Foto: Uma praça em Luanda que é também um testemunho duma identidade trans-Atlântica: a todos os povos importa avaliar a realidade para ser possível construir a paz, com ética, equilíbrio, justiça social, cidadania, participação, amor e aprofundamento da democracia, nesta minúscula “casa comum” que é a Terra.
 
Categories: ÁFRICA | Etiquetas: , | 1 Comentário

Create a free website or blog at WordPress.com.

<span>%d</span> bloggers like this: