Daily Archives: 9 de Junho de 2012

A ágora africana (3)

 

O BOSQUE EM FLOR

Artigo de Rui Peralta

África do Sul: Vai iniciar-se a construção do maior parque solar do mundo. Localizado em Upington, no Norte da Província do Cabo, este complexo solar gerará 5 mil MW de pura e limpa energia solar, representando 11% da actual capacidade energética sul-africana, sendo implantado em 2 mil hectares. O parque solar vai criar cerca de 12 mil postos de trabalho na construção e mais que 3 mil empregos nas operações de manutenção. Vai ser construído por fases, durante 9 anos, estando a primeira fase concluída e pronta a produzir energia em 2014. É um projecto do governo sul-africano, através do Ministério da Energia e da estatal Eskom, com a Clinton Climate Change Initiative (CCI). O parque será equipado com a última tecnologia de produção solar, com variados sistemas, desde o sistema fotovoltaico (PV), fotovoltaico concentrado (CPV) e Energia Solar concentrada (CSP), utilizando tecnologia de espelhos parabólicos e tecnologia de torres solares. É um projecto orçamentado em 22 mil milhões de USD. Este projecto está integrado numa rede de zonas de desenvolvimento industrial, onde serão incluídas fabricas de componentes de tecnologia solar, células fotovoltaicas, espelhos solares, processamento de aço, tubagens, válvulas e bombas, para alem de acumuladores solares e transformadores solares.

Etiópia: Bahar Dar é uma cidade junto ao maior lago etíope, o lago Tana, na região de Amhara, famoso pelas suas ilhas e mosteiros ortodoxos. Mas também pela lapidação, graças a um recente projecto do governo regional de Amhara, iniciado em 2008. Amhara é uma região com uma geologia muito peculiar, rica em minerais, onde foram descobertos depósitos de platina, tantalite, fosfato e ouro. O Projecto de Lapidação foi um investimento do governo regional de Amhara, de 7 milhões de USD, com o objectivo de iniciar uma rede de formação técnica e profissional em processos de lapidação. No primeiro ano, em 2008, foram formados 34 profissionais, já com nível universitário em Geologia, que tornaram-se formadores e mais tarde formaram formadores, sendo actualmente 1800 profissionais já formados por esta rede. Ao nível das pedras preciosas como a Opala, Calcedónia, Ametista, Ágata e Serpentina, este projecto já exporta as pedras preciosas processadas para os mercados internacionais, abandonando aos poucos a exportação em bruto para a India e para a China, onde as pedras eram processadas.

Quénia: Encontrado petróleo no campo de exploração de Ngamia-1, em Turkana, uma árida extensão no Norte do país. O campo é explorado pela Tullow Oil. As estimativas apontam para 2 mil milhões de barris. A Tullow Oil, actualmente inglesa, adquirida recentemente ao capital irlandês, projecta a gestão do campo com a canadiana Africa Oil.

Uganda: A farmacêutica indiana CIPLA e a Kampala’s Quality Chemicals Industries Ltd (KQCI), do Uganda, vão abrir uma fábrica e um complexo de laboratórios em Kampala, para a produção de anti palúdicos e antirretrovirais. A produção deverá ser iniciada em 2013.

Nigéria: O governo nigeriano lançou um plano macroeconómico de desenvolvimento (o BRACED) para as regiões do Delta do Níger, que engloba os seis estados nigerianos da região: Bayelsa, Rivers, Akwa Ibom, Cross River, Edo e Delta. O BRACED tem como objectivo desenvolver projectos de sustentabilidade e preparar a região para era pós-hidrocarbonato. A agricultura e as infraestruturas regionais são os primeiros focos deste plano a longo prazo. A Comissão BRACED, que irá dirigir e executar o plano, é formada pelos governos dos estados da região.

O Estado de Bayelsa, cuja capital é Yenagoa, é o maior produtor de gás e petróleo da região, contribuindo com 30% do total da produção de petróleo nigeriano. Com cerca de 21 mil Km quadrados tem uma população estimada em 2 milhões de habitantes. Agricultura, projectos de piscicultura e infraestruturas são priorizadas no BRACED, para este estado.

O Estado de Rivers, cuja capital é Port Harcourt, é o segundo maior centro comercial da Nigéria e Port Harcourt é o segundo maior porto marítimo nigeriano e é o coração da indústria petrolífera nigeriana, sendo auto-suficiente em termos energéticos. Com uma população de 5 milhões de habitantes este estado ao nível do BRACED privilegia o desenvolvimento ecológico, reflorestação e o ecoturismo.

O Estado de Akwa Ibom, com mais de 5 milhões de habitantes, prioriza a produção de energia eléctrica. Está em curso uma primeira fase do plano que irá proporcionar uma capacidade de 180 MW e a segunda fase irá adicionar mais 465 MW.

O Estado de Cross River, com 3,5 milhões de habitantes prioriza as suas terras férteis e a produção agrícola e pecuária. Desenvolve também imensos projectos turísticos ao nível do BRACED e projecta a ampliação da zona de comércio livre de Tinapa.

O Estado de Edo, com 4 milhões de habitantes, lar de uma das mais antigas monarquias da História, a casa Oba do Benim, prioriza o turismo cultural, a produção agrícola, borracha e cacau e a indústria alimentar.

O Estado do Delta é um produtor de petróleo e gás natural e alberga a segunda maior refinaria nigeriana. Ao nível do BRACED prioriza a produção de borracha e a ampliação do comércio, pretendendo criar duas zonas de comércio livre, que o transformarão na maior zona comercial da Africa Ocidental.

A Comissão BRACED coordena a actividade fiscal estadual e federal, sendo o plano financiado por fundos públicos, cujas receitas fiscais são provenientes da actividade petrolífera, gás e petroquímica. Todos os projectos de investimento estrangeiro e privado nacional, são analisados pela Comissão e têm de satisfazer projectos comunitários, ao nível das populações, financiados por fundos criados pelos investidores. A grande novidade do plano BRACED é o envolvimento das estruturas regionais, tanto as governamentais estaduais, como as comunitárias.

Fontes

http://www.africasia.com

African Business, nr. 386, May 2012

New African, nr. 516, May 2012

Publicada por PÁGINA GLOBAL 

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Documentário: O Poder da Comunidade – como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero

Artigo tomado de ecovoxtv.com

No documentário “O Poder da Comunidade – como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero” (2006), (Disponível em:http://www.youtube.com/watch?v=rr70FVoAXBo).

Cuba é retratada como laboratório para o pico da produção do petróleo e suas consequências. No ambiente pós-débâcle soviético, Cuba possibilitou uma resposta concreta de desenvolvimento sustentável, fomentado a partir de um sistema de cooperativas que questiona o modelo de consumo ocidental.

A discussão indicada pelo documentário perpassa compreender Cuba, desde o primeiro momento da Revolução Cubana, em 1959, quando foi apresentada, no cenário internacional, como uma afronta à hegemonia dos Estados Unidos e ao sistema político-econômico que representava. No contexto da Guerra Fria, através da Aliança para o Progresso, o governo Kennedy objetivava expulsar qualquer ameaça comunista do continente americano, bem como expandir sua hegemonia.

Com esses objetivos, os Estados Unidos utilizaram de variadas práticas de intervenção, dentre elas: “‘contra-insurgência’ combinada com isolamento diplomático, (…), pressões econômicas que exploram os problemas de balanço de pagamentos de acesso a fontes de financiamento internacionais” (AYERBE, 2002: 126-127). Com uma Grande Estratégia pautada no binômio amigo/inimigo, os EUA impuseram um bloqueio econômico à Ilha, em 1962, impedindo que outros Estados pudessem comercializar com Cuba, o que acarretou na sua declaração de apoio à União Soviética. Convivendo com a salva guarda proporcionada pela economia soviética, a estrutura econômica de Cuba só foi abalada pela débâcle imprevista da URSS.

Com a bancarrota soviética, no início da década de 1990, o fornecimento de bens de consumo e matéria prima – petróleo foram seriamente abalados. Não havendo alternativas em curto prazo, que substituíssem o petróleo, Cuba se viu imersa numa zona de perigo, conhecida como “Período Especial”, no qual, os cubanos convivam com a falta de alimentos, com blecautes constantes, caos econômico e social. Para agravar tal situação e surpresos como o governo cubano continuava resistindo às pressões do sistema capitalista, sem o auxilio da União Soviética, o Governo dos Estados Unidos e os exilados cubanos, em Miami, engendraram a Cuban Liberty and Democratic Solidarity ou Libertad Act, institucionalizando e intensificando, em 1995, o bloqueio econômico. (ROY, 2008: 6-7)

Com esse cenário nas entrelinhas, o documentário apresenta um estudo em relação à iminência do pico de produção do petróleo, que levará a uma paulatina redução na escala produtiva mundial, que pode reverberar num choque econômico, que o mundo capitalista ainda não se tornou consciente. Essa realidade, no entanto, já foi apresentada à Cuba, que através do seu sistema político-econômico ofereceu uma resposta efetiva à crise econômica e ambiental. No período em questão, a indústria e agricultura, reféns do petróleo, não suportaram a falta de combustíveis, o que fez com praticamente a Ilha parasse.

A população teve que reaprender caminhos para conseguir sobreviver. Em relação à cultura alimentar, os constantes blecautes, que duravam cerca de 14h no dia, impossibilitavam o estocar de alimentos. Sem energia, a força de trabalho se via ociosa, nas fábricas, na agricultura e no comércio, não havia produção e os meios de transporte geridos a partir do motor a combustão de derivados do petróleo não eram mais viáveis.

O caos estava posto à sociedade cubana, bem como ao modelo político e econômico que representava. Não obstante, o modelo orquestrado por Castro passou a engendrar alternativas à crise – colocava-se no horizonte tangível uma revolução verde. A reinvenção do desenvolvimento possibilitou uma reflexão de fato do modelo de consumo capitalista. Em momentos anteriores, quando Cuba vivia do comércio exterior, a “mão invisível” do mercado impusera a condição de economia exportadora. A crise energética, no entanto, possibilitou uma reinvenção desenvolvimentista pautada na sustentabilidade.

A cultura alimentar, que necessitava no seu processo de fabricação, do petróleo, presenciou tal revolução. Na medida em que não havia como produzir, estocar, nem tampouco importar comida, um modelo de agricultura foi subvencionado pelo Estado, de modo a tornar efetiva a mudança estrutural na cultura de consumo em Cuba. Com projetos como a agricultura urbana, as propriedades que foram abandonadas durante o “Período Especial” serviram de base para uma agricultura de sobrevivência. O trabalhador cubano, que após a consolidação da Revolução, apresentava níveis elevados de educação e qualificação, teve que reaprender a trabalhar na terra. A terra passou a servir à produção de alimento. Através do cooperativismo, a permacultura se configurou como estratégia para tornar a agricultura urbana pauta eminente da economia nacional. Como Cuba demonstra historicamente índices sociais elevados, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) , a Ciência foi colocada à mercê do desenvolvimento de novas estratégias de inserção numa economia verde, que possibilitasse a emancipação da dependência do petróleo.

Com 11% dos cientistas da América Latina e uma universidade descentralizada, a atingir quase a totalidade do território cubano, tornou-se possível uma zona de cooperação para o usufruto da terra, na qual Ciência e a ação humana trabalharam, em sintonia com os meios naturais, para promover o desenvolvimento que o modelo cubano necessitava. Através desse modelo, a iniciativa privada, que detém a posse de 50% das terras, consubstanciadas em pequenas propriedades, administra a terra através de cooperativas autônomas em relação ao Estado. Essas cooperativas de crédito conseguem fomentar o comércio na ilha, o que reverbera um desenvolvimento soberano e progressista, onde a soberania energética facilita o crescimento econômico de Cuba, que em 2006 foi da ordem de 12,1%, para além da média latino-americana de 5,6% (UN-CEPAL, 2011).

Murilo Mesquita Mestrando em Relações Internacionais – UEPB – Graduadp em História – UFPB Sinopse: O filme conta a história de como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo. O documentário é um projeto da ONG “The Community Solution”, que ensina soluções de baixo consumo energético a atual insustentável dependência dos combustíveis fósseis.

Fonte: http://www.cineclubesocioambiental.org.br/filmes/view.php?id=79 Referências – AYERBE, Luis Fernando Estados Unidos e América Latina: a construção da hegemonia. São Paulo: Editora UNESP 2002.MORGAN, Faith. The Power of Community/O Poder da Comunidade – como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero. 2006. 

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Ramon Labaniño, o nosso herói gigante fez 49 anos.

Para Ramon, um abarzo forte que enche com calor  a célula fria na que encontra-se, longe de sua família e amigos.

Ramón Labañino: “Continuo sendo o mesmo sonhador” / 15 DE JANEIRO DE 2012  / http://www.vermelho.org.br

“Frente a adversários tão descomunais sempre se deve estar preparado para o pior, pois assim estaremos prontos para todas as variáveis e mais ainda, para a mais complicada das variáveis.” Assim se expressou Ramón Labañino Salazar que cumpre uma injusta condenação em cárceres norte-americanos pelo único delito de proteger seu povo da morte.

Por Jorge Enrique Jérez Belisario em Cubadebate

Ramón enfrenta dia após dia a dor de ter que estar afastado de seus entes queridos, de seu povo e da terra que o viu nascer. Este gigante de aproximadamente 1.90 metro de estatura é perseverante, confia na justiça e continua jovem de ideias, de espírito e é capaz de dar amor até nas condições mais extremas que a vida lhe impôs.

Desde a prisão de Jesup, na Georgia, Estados Unidos, apesar das dificuldades que com sua correspondência, por meio do limitado sistema de correios eletrônicos para prisioneiros federais (Corrlinks), que eles pagam com seu trabalho, este cubano simples aproximou sua vida de nós. 

CubadebateComo recordas tua infancia e juventude?
Ramón Labañino: Recordo minha infancia e juventude com muito amor, alegria, ternura. Fui e sempre serei uma criança feliz, cuja maior riqueza é e sempre será o amor que recebia de minha família, minha mãe, dos bons ensinamentos de excelentes professores e dos bons amigos. Penso que foi o período de minha vida que me fez poeta, sonhador, guerreiro e muito mais terno. Essa humildade, transparência, essa nobreza pura e sem maldades, que uma pessoa aprende em tão tenra idade, é a herança mais útil que quero sempre reter e dar a minhas filhas.

Cubadebate: Por que decidiste estudar economia?
RL: Eu tinha muitos sonhos a realizar quando estava terminando a nona série. Minha mãe queria que eu estudasse medicina, ou que fosse militar. Ela se encantava com os uniformes. Mas minha primeira vocação era para os números, e com meus companheiros desses tempos me decidi por economia, profissão de que gosto muito. Claro, nunca pude dizer a minha mãe, que desde jovem eu estava também realizando os seus sonhos: eu era “militar do silêncio”, sem o uniforme cotidiano, desses que, por realizar missões importantes, devem manter bem resguardada a sua identidade para cumprir com as tarefas da pátria. É uma dívida que fiquei com ela, por isso escrevi um poema intitulado “Minha dívida”.

CubadebateFale de um fato que tenha marcado sua vida.
RL: O atentado ao avião de Barbados, nosso povo chorando de indignação na Praça da Revolução e o seriado “Tinha que ser em silêncio”, marcaram não só minha vida, mas a de muitos cubanos dessa época, e ainda nos momentos atuais. Vivo orgulhoso de ter tido o privilégio de servir em nome de evitar tais atrocidades, e dar um pouco de segurança e tranquilidade a nossos povos e tantos seres humanos no planeta.

CubadebateDe que livro gostou mais?
RL: Martí, sempre Martí, todas e cada uma de suas obras. Desde o Ismaelillo, Versos Sencillos, o discurso “Pinos Nuevos”, toda a obra de Martí. Sempre tenho comigo, onde quer que eu vá, um Dicionario Martiano excelente, é meu livro de consulta para tudo, para escrever, para fazer poesia, para resolver conflitos, para aprender a amar e lutar. Outros muitos me comoveram, como Cem anos de solidão de nosso Gabriel Garcia Marques, El reino de este mundo do admirado mestre Alejo Carpentier.

Cubadebate: De que esporte mais gosta?
RL:Desde pequeno pratiquei esportes. O primeiro de todos foi o boxe, que por muito breve tempo aprendi em um ginásio em Lisa, onde residia então. Depois, judô e karatê na Universidade de Havana, e em outros salões mais inóspitos e imprevisíveis. Tenho predileção pelas artes marciais, todo o bom ensino que mostra sua disciplina, inclusive sua espiritualidade. Também jogo muito xadrez, o esporte ciência, que me fascina. Bem, é adequado ter um equilíbrio entre o físico e o mental, assim desfruto bem de ambos os mundos.

CubadebateGeralmente como é um dia de Ramón na prisão?
RL: Meu dia nestes lares universais transcorre entre cartas, leituras (de livros, informações, revistas), respostas às cartas, tanto por correio postal como por e-mail, e durante as tardes sempre pratico algum esporte. Nas noites, ouço rádio, vejo noticiários e me reorganizo para o dia seguinte. Um grande percentual de todo o meu tempo é gasto com as lutas legais sobre o processo, como por exemplo agora estamos defendendo a moção de habeas corpus que nós, os cinco, apresentamos. Uma ou duas vezes por ano recebo visitas de algum familiar, de bons amigos. Trato sempre de romper a monotonía irreflexiva que circunstâncias tão particulares impõem por isso, a cada momento, mudo bruscamente de atividades, de horários, hábitos. É como refrescar-me interna e externamente, é um mecanismo de luta diária contra os anos e os desgastes normais que os tempos impõem.

CubadebateQue diferenças há do Ramón atual para o de 13 anos atrás?
RL: Creio que não mudei muito, continuo sendo o mesmo sonhador, romântico, guerreiro, que aprendi desde criança, inclusive talvez seja agora muito mais poeta da vida do que antes, pois gosto de encontrar detalhes que embelezam, mais do que os que enfeiam. Talvez agora eu tenha a vista mais aguçada diante dos embates adversos, em especial nesta contenda legal que realizamos contra a injustiça e a maldade, e no conhecimento dos homens que, com desapego a todo princípio, decaem de sua escassa estatura. Meu físico tem em si o peso de alguns anos mais, mas com o mesmo espírito e ainda maior que esta nossa causa nos dá a todos.

CubadebateSabemos que apesar da distância, você participou ativamente na educação de suas filhas. Como fez isso?
RL: Minhas filhas são minha vida, minha essência, minha virtude e também minha responsabilidade. Trato de usar cada canal e via de comunicação para estar no dia a dia com elas. As cartas, os correios eletrônicos e os telefonemas são cotidianos. Graças às excelentes mães que têm e que tanto me ajudam a ser o melhor pai possível nesta distância dura. Talvez eu peque por excesso, por querer conhecer tudo em todo momento, no que se refere a elas; é minha forma e meu zelo por elas, de dizer-lhes que sempre estou ali com elas, nas coisas boas e muito mais nas coisas más que lhes possa ocorrer. Não há maior alegria para mim do que quando em suas vozes de anjo escuto “te amo papai” ou “sinto muito tua falta”. Depois disso, é o nada…

CubadebateTua vida está rodeada de amores. O que Elizabeth significou em tua vida?
RL: Minha Ely é tudo para mim, meu apoio, minha força, minha energia, minha inspiração, meu amor e minha amante, minha Penélope sonhada, minha amiga e fiel companheira, meu idílio e minha promessa, minha fantasia real, minha doce quimera. É minha presença mesmo quando está ausente. E é assim por muitas razões, aprendi a amá-la admirando-a e a admirá-la amando-a.

CubadebateComo o pensamento de Fidel influiu em tua personalidade?
RL: Influiu em tudo, pois Fidel é a virtude e a mais pura herança de todos os cubanos dignos de nossa história, que é capaz de resumir em si mesmo, desde o pensamento martiano, de Maceo, de todos os nossos mambises (guerrilheiros que no século 19 lutaram pela independencia de Cuba – nota da tradução), até o momento atual e creio que até o futuro eterno, a valentia, a inteligência e visão histórica do melhor de nossa Cubania e nosso socialismo.

CubadebateFidel é exemplo e líder, e sem dúvida alguma é o companheiro fiel que nos acompanha sempre nesta luta pela verdade de Cuba e a nossa liberdade. Que momentos de tua vida recordas com maior felicidade?
RL: Os momentos mais felizes que vivo nestes tempos de prisão política, são os dias em que desfruto da visita de minhas “mulheres da alma” (como eu chamo minha esposa Ely, minhas filhas Ailí, Laura e Lizbeth. São instantes em que nos olvidamos de tudo e tratamos de atuar como se estivéssemos em casa, rindo, analisando, fazendo planos, amando… felicidade que também é possível graças ao sacrifício de todo o nosso povo e todos os solidários do mundo, como sempre explico a nossas filhas. Também desfrutamos muito as visitas de companheiros e amigos que nos enchem de afeto e carinho. A felicidade realmente é um estado de ânimo intimista, está dentro da própria pessoa, dos próprios valores como ser humano, da alma pura e limpa de mesquinharias materiais e humanas. Por isso, embora pareça idílico, o fato de estarmos trancados por defender uma causa justa que conta com o apoio de milhares de pessoas em todo o mundo, nos faz sentir, de alguma manera, sublimes, em um estado de complacência próximo à felicidade, já que esta só será real e eterna quando sejamos todos, os cinco, total e completamente livres e sob nossas palmeiras, com a bandeira tremulando no alto, com a alegria de nosso povo amado.

Cubadebate: Como vês o futuro?
RL:O futuro é belo. Penso em uma pátria nossa cada vez mais livre, mais socialista, mais humana. Conquistaremos os melhores níveis possíveis em desenvolvimento social, na economia, em nosso sistema tipicamente cubano. A humanidade estará algum dia sem guerras nem destruição.

O futuro da humanidade será muito mais pacífico e humano. Sonho com um mundo em que não exista o capitalismo, onde o homem seja amigo do homem, sem fronteiras, sem dinheiro, sem avarezas imperiais, sem egoísmos. Jamais haverá guerras, nem crianças famintas ou morrendo por falta de atenção médica. Parece uma utopia mas não é, se pensamos e cremos fielmente no socialismo e no comunismo (como fase superior da humanidade), então a gente se dá conta de que esse mundo é possível, real e imprescindível. É por ele que lutamos dia a dia com todo o nosso denodo.

CubadebateSe o mundo te pedisse uma mensagem, o que dirias?
RL: Para todos os irmãos e irmãs do mundo, vai a nossa mensagem de amor e gratidão, por tudo o que dão no dia a dia a nossa causa, por Cuba. Vivemos momentos definitivos em nosso processo, mas sabemos que com o apoio e a solidariedade de todos, conquistaremos a vitória. Sonhamos com o dia em que poderemos abraçá-los todos já em plena liberdade.

CubadebateQue significa para ti ser cubano?
RL:Nós nos sentimos profundamente orgulhosos de nosso povo. Nossas raízes mambises, rebeldes, revolucionárias, são uma das maiores joias sociais que um povo pode ter. Isso unido ao caráter carinhoso, afável e amigo, que nos caracteriza.

Graças ao processo revolucionário que vivemos, graças a nosso socialismo, podemos contar com uma sociedade culta, com níveis de saúde e de educação que são exemplo para muitos países do mundo, inclusive os mais desenvolvidos.

Nosso povo é capaz de dar o melhor de si a outros, inclusive aquilo que nos falta, até a própria vida, para ver livres e soberanas outras nações. Essa solidariedade humana que faz grandes proezas pelo bem da humanidade.

Com um povo como o nosso, toda vitória é possível, por isso estamos tão convencidos de que nós também venceremos.

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O International Republican Institute manipula os dados da pesquisa em Cuba.

Artigo de  Jorge Ángel Hernández

O International Republican Institute (IRI), o mais dotado pelo apoio financeiro da Fundação Nacional para a democracia (NED), acaba de publicar os resultados de seu mais recente pesquisa e análise da opinião pública cubana.

De acordo com seu site oficial, foi aplicado a um total de 787 pessoas de mais de 18 anos no período que inclui 29 de fevereiro a 14 de Março de 2012.

A população cubana dessa idade vai além de 10 270 993 habitantes (5 064 897 homens e 5 206 069 mulheres). Ou seja, a mostra do IRI apenas tem uma abordagem para 0,1% do total da população e considera, portanto, que a confiabilidade será 95%, conforme a isso a margem de erro é de ± 3,5%.

Enquanto existente uma nova divisão do país, o IRI prefere olhar para o anterior e fornecer dados de população do censo de 2002, argumentando que ele é “o último feito em Cuba”.

Eles poderiam ainda aproveitar dos dados oferecidos pelo (escritório nacional de estatísticas) em seu site oficial (http://www.one.cu/aec2010/esp/03_tabla_cuadro.htm) , onde você pode acessar o Anuário estatístico de Cuba no ano 2010, edição de 2011, e oferece os dados de população das províncias que reflectem no mapa da pesquisa.

Ou tomar os índices do próprio site da CIA, como faz uma das organizações de sufrágio de sua própria instituição : USAID.

IRI tem vindo a realizar este levantamento desde 2007 e, curiosamente, as proporções nas informações mantém seu relacionamento, por isso, é de esperar que tem muito fizeram amostra bem selecionada de forma a fornecer um modelo padrão de opinião nas sete realizadas.

Aqui está o que, seguindo o segredo de “contágio”, nós chamaríamos o frango do arroz con frango; o principal objectivo deste tipo de investigação: construir uma realidade favorável para a injerencismo directo e sistemático na ilha.

As conclusões deste ultimo inquérito são muito ilustrativas. Um deles, por exemplo, diz:

os cubanos continuam desejando, por esmagadora maioria (70 por cento), tem eleições multipartidárias, liberdade de expressão e outros elementos relacionados à liberdade política e da democracia.”

[De minha parte vai sublinado o no presente artigo e as seguintes cotações usadas.]

É um silogismo (liberdade política e democracia são derivados de eleições multipartidárias e “liberdade de expressão” com “outros elementos”) pelo qual cinicamente é 70 por cento dos seus entrevistados, ou seja, que nem mesmo 0,1% da população cubana concorda neste ponto.

A Seguinte conclusão concordou que o “70 por cento não têm certeza de que o regime de Fidel Castro conseguirá resolver estas preocupações.”

Uma vez mais mostra o suposto 70% da população A necessidade de “resolver” as “preocupações” dos cubanos .

A quarta conclusão : “74 por cento dos cubanos argumenta que a situação económica da sua família é igual a ou pior do que no ano passado.” “Além disso, 85 por cento dos cubanos disse que eles não devem ser visto diretamente beneficiados de qualquer uma das recentes reformas económicas do regime cubano.” [Sic errata] Por isso é importante declarar que as transformações realizadas pela sociedade cubana “não beneficiam” para a maioria da população, embora seja, novamente, o 85% de 0,1% da população cubana na  faixa de idade.

A quinta e ultima das conclusões do inquérito do IRI diz:

“Em uma pergunta que mede o nível de percepção de liberdade no país, 40 por cento dos cubanos acho que zero de cada dez concidadãos pode implementar a liberdade de expressão em Cuba, enquanto 10 por cento estimado que apenas uma em dez diz o que pensa.”

Esta questão foi aplicada somente a 543 indivíduos e diz exatamente: “Cada 10 cubanos quais estariam dispostos a expresar publicamente seu descontentamento com o governo?“.

Ou seja, a questão pressupõe claramente o maioritário descontento dos cidadãos. Da mesma forma, a pergunta que lhes permite concluir sobre a liberdade política, diz:

“Se você pudesse votar em Cuba para alterar seu sistema político atual e se tornar uma verdadeira democracia com eleições livres, vários partidos políticos, liberdade de imprensa e liberdade de expressão, votaria você para ou contra essas mudanças políticas?”

Ou é que também assume, desde o silogismo da pesquisa, a falta de “democracia” e as várias liberdades, com o que o pesquizado responde sob coação da sua abordagem para dar como livre apenas o sistema de partido político que tem sustentado o capitalismo.

Também surpreende descobrir que a própria instituição deixa fora de argumento, para suas conclusões, alguns dos seus próprios resultados, portanto, apenas 38% dos pesquizados consideraram que as coisas em Cuba estão indo mal ou muito mal (a pergunta é: “Você sente que em geral as coisas em Cuba estão indo muito bem, bem, mais ou menos, ruim ou muito ruim?”), enquanto que 19 por cento considerada que é boa e o 5% que muito bem.

E a pergunta “Você acha possível uma melhoria da economia sem que sejam realizadas reformas políticas?”, 55% dos entrevistados disse não enquanto 31% diz que sim.

E a pergunta: “o que você acredita que é o maior problema em Cuba?”, apenas 1% inclui a secção “falta de liberdades / sistema político de errado”.

Se olhamos, finalmente, a distribuição percentual do total pesquisado pelo IRI, encontramos que as percentagens mais elevadas são relatadas em:

Ciudad de La Habana (17,2%),
Holguín (13,6%),
Villa Clara (8,6 por cento),
Santiago de Cuba (9,4%)
Matanzas (6,4%),

províncias que mostram, “por coincidência”, o maior número de dissidentes directamente ligados à ajuda milionária e sistemática, do departamento do Tesouro.

Daí, então, as conclusões com relação a seus objectivos, financeiros e políticos. Parece-me que os 800 000 que a traves da NED foram entregados ao IRI estão saindo caros.

Artigo de Cubasi.

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