PELO RENASCIMENTO AFRICANO! – II

Pintura do jovem artista haitiano Henry Islando, que faz parte do grupo “Folie ouverte” (que se inspira na reconstrução nacional), exposta no Museu do Panteão Nacional em Porto Príncipe.

Artigo de Martinho Junior

Luanda, Angola

“Para a luta contra o subdesenvolvimento crónico há todo um processo filosófico, ideológico, científico-investigativo e humano a abrir e isso é o maior dos desafios e simultaneamente das afirmações de liberdade e independência dos povos cujas nações redundam da antiga rota dos escravos!”

3 – O esforço que dá prioridade ao binómio homem-natureza, só poderá ser frutífero por via da educação e da saúde e eu tenho-me referido a isso no âmbito da continuidade da “Operação Carlota”, por várias razões, sendo a principal a que identifica o relacionamento da Revolução Cubana com o Movimento de Libertação em África.

Cuba continua a honrar o compromisso histórico de sua dívida para com África, para além da odisseia da luta contra o colonialismo, o “apartheid” e as suas sequelas, por que esse compromisso é parte dos parâmetros de sua própria Revolução e África necessita realizar o resgate contra o subdesenvolvimento crónico a que tem sido secularmente sujeita sabendo das ingerências e manipulações contemporâneas do império, também por que isso é reciprocamente importante para a América!

A visita a Angola do Presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcon de Quesada insere-se nessa perspectiva, num momento em que os esforços na educação e na saúde são cada vez mais amplos em Angola e a contribuição de Cuba cresce por que é esse o sentido comum de vida, pensada e sentida nos dois lados mais sofridos do Atlântico. (“Conversações oficiais entre Delegações parlamentares de Cuba e Angola” –https://tudoparaminhacuba.wordpress.com/2012/06/29/conversacoes-oficiais-entre-delegacoes-parlamentares-de-angola-e-de-cuba/).

A visita é também sintomática no seguinte: é uma afirmação e identidade de paz, no preciso momento em que as potências, entre outras manipulações e ingerências, insistem em deslocar seus vasos de guerra a Luanda, para fazer vincar a sua tão inútil quanto pérfida “diplomacia de defesa” em prol de seu domínio e hegemonia! (“Navio pirata na baía de Luanda” http://paginaglobal.blogspot.com/2012/07/navio-pirata-na-baia-de-luanda.html).

A paz precisa de identidade e afirmação, não as mensagens da NATO, os conceitos e as práticas que passam pela “diplomacia da defesa” expressa pela sistemática visita das mais modernas unidades navais de guerra a Luanda, que se inscrevem nos exercícios propícios à neo colonização…

Esta questão é tão mais pertinente quanto Portugal, simultaneamente membro da NATO e da CPLP, refugiando-se em conceitos geo estratégicos próprios, de orientação ultra conservadora, é aquele que por natureza poderá colocar mais obstáculos a uma maior abertura da CPLP, que explorando os vínculos históricos, culturais e sociais, se torne extensiva à presença de outros estados como Cuba, ainda que ao nível de observadores… 

É indispensável e oportuno fazer sentir o contraste de opções e do que as fundamenta, em plena“batalha das ideias”, a fim de que a consciência humana possa fazer as devidas avaliações e realizar de forma justa as escolhas, particularmente as que destacam as questões que se prendem à guerra e à paz!…

4 – A economia dos recursos, com vista ao desenvolvimento sustentável num quadro dum renascimento africano distinto não identificado com a economia conforme ao capitalismo, desemboca no esforço que as universidades terão de realizar para inventariar e cientificar, por via de exaustivas pesquisas, os factores físico-geográficos nacionais, em especial a água (aquíferos subterrâneos, lagos e rios) enquanto fundamento da vida, do meio ambiente e do próprio homem.

O conhecimento científico e tecnológico adquirido por Cuba durante a sua Revolução de mais de 50 anos, corresponde ao modelo das necessidades para Angola nos termos da economia fundamentada nos recursos e com vista a se alcançar sustentabilidade a muito longo prazo. (“Cuba, onde ciência rima com desenvolvimento” – http://www.acp-eucourier.info/pt-pt/content/cuba-onde-ci%C3%AAncia-rima-com-desenvolvimento-0).

As universidades cubanas podem reforçar os esforços das universidades angolanas que forem empenhadas com essa “Visão 2050”! (“Alargada relação interparlamentar” –http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/alargada_relacao_interparlamentar).

Neste momento podem-se e devem-se lançar os alicerces desse esforço, começando por estudar numa 1ª fase, exaustivamente, a região central dos grandes nascentes e, ao mesmo tempo disseminar pequenas Reservas Naturais em cada uma das nascentes dos principais rios angolanos, mesmo que eles sejam tributários de bacias como as do Congo ou do Zambeze, a fim de protegê-las de iniciativas que perseguindo a lógica capitalista, estão a causar a sua degradação.

Numa 2ª fase, esse estudo e a disseminação de mais Reservas Naturais devem abarcar o curso intermédio dos rios e, por fim, numa 3ª fase, fazer-se o mesmo em relação ao percurso final até à foz, ou até aos limites territoriais de Angola (fronteiras com a RDC, Zâmbia e Namíbia).

Esta questão é tão mais premente quanto a hegemonia, desde os tempos de Cecil John Rhodes e da formação da então União Sul Africana, guarda para seu continuado benefício os segredos desvendados à natureza na África Austral, dos mares austrais e da Antárctida. (“Visão 2050 para o mundo e SADC – II” – http://paginaglobal.blogspot.com/2012/06/visao-2050-para-o-mundo-e-sadc-ii.html).

É essa a principal leitura que faço à criação do KaZa TFCA nos termos do prolongamento para dentro de Angola do que de há anos a esta parte está em curso principalmente no Botswana e na Namíbia, substancialmente promovido pelo “lobby” dos minerais sob particular impulso e influência do cartel dos diamantes (via De Beers, Debswana, NamDeb e Anglo American)!

O espaço nacional angolano deve ser profundamente repensado em termos físico-geográficos e nas implicações de planificação geo estratégica integrada, a fim de salvaguardar os recursos nacionais ao mesmo tempo que se obtenham os ganhos da sustentabilidade que contrariam as linhas com que se cose a hegemonia na África Austral!

Esse estudo é portanto indispensável para se levar em especial atenção a economia dos recursos aquíferos angolanos, o seu relacionamento no seio do ambiente e para com o homem, assim como os fenómenos de sua interligação na região, segundo uma orientação de sustentabilidade que está profundamente identificada com o planeta e com os Povos (com a humanidade)!

5 – O empenho comum no quem eu tenho referenciado como o actual “Carlota II”, deve em termos de educação superior dar abertura aos expedientes científico-investigativos que imediatamente se deverão seguir nos termos duma “Carlota III”, melhor, da 3ª fase da “Operação Carlota”, explorando os vínculos do conhecimento científico relativos ao contexto físico-geográfico, ambiental e humano, ao abrigo da consciência sobre os fenómenos e da projecção da economia com base nos recursos!

A aliança de esforços ao nível das universidades dos dois países, deve corresponder ao repto por que há um imenso deficit científico-investigativo em relação aos factores físico-geográficos, ambientais e humanos que constituem o inventário de conhecimento que servirá de fundamento à planificação geo estratégica integrada da economia com vista ao futuro sustentável de Angola e das regiões Austral e Central de África.

Em “Operação Carlota III – II Investigar em nome do futuro”(http://paginaglobal.blogspot.com/2012/02/operacao-carlota-iii-ii-investigar-em.html), eu considerava:

 “Avaliando a trajectória dos relacionamentos Cuba – Angola e a sua densidade histórica, é legítimo pensar de forma projectiva que os resgates que implicam uma longa luta em relação ao subdesenvolvimento crónico em que nos encontramos em Angola, têm de continuar no futuro, tirando partido da plataforma conseguida com as Operações Carlota I, naquela hora decisiva da independência em 1975 e Carlota II, quando foi possível, a partir de 2007, esboçar as amplas iniciativas em termos de educação e saúde em solo angolano”.

Mais abaixo concluía:

“Julgo que na longa luta que nos espera contra o subdesenvolvimento, os resgates históricos que há por realizar em relação a um passado tão obscuro como o vivido pelos angolanos e por tantos povos de África, obriga-nos à ousadia de projectar o futuro com o homem, para o homem e no homem, duma forma nunca antes experimentada, mesmo que os mercenários tenham proliferado em função dos impactos negativos na sociedade do capitalismo neo liberal.

O relacionamento Angola – Cuba e as plataformas que se têm alcançado são o melhor dos cimentos para garantir a construção do futuro!”

Pelo carácter que Angola, todos os países africanos, todos os países americanos com acesso à costa Atlântica e os da CPLP devem conferir ao significado da paz a muito longo prazo, indispensável na luta contra o subdesenvolvimento crónico (os CPLP estiveram interconectados desde logo desde a época da implementação da escravatura enquadrada no comércio triangular que foi então estabelecido pelos poderes coloniais da época), as possibilidades do relacionamento Angola – Cuba são inspiradoras, particularmente se levarmos em consideração o resgate de conhecimento científico sobre o que nunca foi feito em proveito da planificação geo estratégica integrada em Angola, nos termos dum desenvolvimento sustentável com economia vocacionada para a gestão dos recursos.

Honrar a memória dos que tombaram em todas as batalhas na África Austral, honrar o significado das vitórias em Quifangondo e no Cuito Cuanavale, é partir para a definição do renascimento de África! (“Inaugurado aeroporto do Cuito Cuanavale” http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/transporte/2012/5/26/Inaugurado-Aeroporto-Cuito-Cuanavale,5b38c145-49be-4dfc-b891-f9fabd639f85.html).

Mobilizar as universidades nesse sentido é tão transparente como a água e tão vital quanto ela!

Essa é uma das razões da nossa proposta de CUBA PARA A CPLP!

PAZ SIM, NATO NÃO!

CUBA PARA A CPLP!

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