“APOCALIPSE NOW”! (I)

Martinho Júnior / Luanda / 1 de Agosto de 2012.

“Cessem os egoísmos, cessem as hegemonias, cessem a insensibilidade, a irresponsabilidade e o engano. Amanhã será tarde demais para fazer aquilo que devimos ter feito há muito tempo”

Discurso de Fidel Castro na Conferência da ONU para Meio Ambiente – ECO-92, há 20 anos!

1 – Desde o eclipse do socialismo no continente Euro Asiático que o capitalismo se tem vindo a colocar mais exposto que nunca nas suas contradições de impossível resolução, as contradições que conduzem humanidade e planeta para o pântano em que efectivamente nos encontramos.

O capitalismo nunca conduziu a humanidade e o planeta para uma via comum de respeito, de harmonia e de concórdia, por que na sua essência cultivou as aptidões para o lucro, por consequência para a competição desenfreada e sem escrúpulos, para o desequilíbrio e a injustiça.

Como se poderá alguma vez alcançar a paz, quando a lógica dominante é uma lógica que semeia contradições para o homem e para o planeta, semeia num crescendo desequilíbrios, tensões, conflitos, guerras e o desaparecimento de tantas espécies?

A queda do muro de Berlim foi um episódio efémero e ilusório: quantos muros desde então não têm sido erigidos, os visíveis e os invisíveis, por dentro das sociedades?

Ao desaparecimento do regime sul africano do “apartheid”, quantos “apartheid” se tornam prolíferos em todos os continentes, inclusive por dentro das sociedades daqueles países que haviam lutado contra o monstro?

2 – Amy Goodman lembrou no Diário Liberdade, para depois merecer referência em outros meios progressistas como o Outras Palavras (http://ponto.outraspalavras.net/2012/07/24/relatos-de-guernica/) o “episódio inaugural”de Guernica:

“Há 75 anos, a cidade basca de Guernica foi bombardeada e ficou reduzida a escombros. Esse ato brutal inspirou a um dos maiores artistas do mundo a realizar uma pintura para a qual dedicou três semanas de trabalho frenético. Em um óleo de 3,50X7,80 metros, Guernica, de Pablo Picasso, mostra de maneira crua os horrores da guerra, refletidos nos rostos das pessoas e dos animais. Não foi o pior ataque da Guerra Civil Espanhola; porém, converteu-se no mais famoso graças ao poder da arte. O impacto de milhares de bombas lançadas sobre Guernica, do fogo das metralhadoras disparadas das aeronaves contra os civis que tentavam fugir do inferno podem ser sentidos até hoje através dos sobreviventes que partilham com entusiasmo suas recordações e também nos jovens de Guernica, que lutam para forjar um futuro para sua cidade, algo distante de sua dolorosa história.

A Legião Condor da Luftwaffe (a Força Aérea Alemã durante a Alemanha nazista) realizou o bombardeio a pedido do General Francisco Franco, que encabeçava uma rebelião militar contra o governo democraticamente eleito da Espanha. Franco procurou a ajuda de Adolf Hitler e de Benito Mussolini, que estavam muito entusiasmados em pôr em prática as modernas técnicas de guerra contra os indefesos cidadãos espanhóis. O ataque contra Guernica foi a primeira vez na história europeia que uma cidade civil foi completamente destruída por um bombardeio aéreo. Apesar de que as casas e as lojas foram destruídas, várias fábricas de armas, uma ponte de importância-chave e as linhas férreas ficaram intactas”.

Desde então, quantos bombardeamentos não têm vindo a atingir populações civis, particularmente desde o fim do período consignado como “Guerra Fria”, por via dos meios tecnológicos cada vez mais sofisticados que têm sido usados pelos mais poderosos da Terra?

A título de exemplo, o nosso companheiro Rui Peralta considerava num dos seus esclarecedores e oportunos artigos da série “O império dos drones” e a propósito da “nova” doutrina de guerra de Barack Hussein Obama, Presidente dos Estados Unidos (http://paginaglobal.blogspot.com/2012/07/o-imperio-dos-drones-3.html):

“Os USA são uma economia debilitada, castigada por mais de 10 anos de guerra, inundada de centenas de milhares de mutilados – 45% dos soldados que combateram no Afeganistão e no Iraque – que sofrem de incapacidades diversas, físicas e psicológicas, necessitados de cuidados cada vez mais onerosos. A nova doutrina apresenta menos riscos na actividade bélica e superficialmente pode trazer menos problemas sociais aos USA. Só que a realidade pode vir a ser bem diferente. A guerra torna-se uma opção cada vez mais atractiva, fácil e com menos custos sociais.

São realistas as preocupações do chefe de Estado Maior Conjunto, Peter Pace, que recentemente declarou que se encontrava preocupado com a velocidade com que as decisões são tomadas. De facto a nova doutrina pode facilmente conduzir a imprevistos e a reacções em série. As pequenas confrontações militares tendem a aumentar em tamanho e numero. As guerras a estenderem-se muito além das fronteiras.

O que actualmente parece uma fórmula que impulsionará o imperialismo a baixo custo, pode converter-se num desastre de grandes dimensões. E com um risco complementar. Será tão secreto até ser demasiado tarde”

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