“APOCALIPSE NOW”! (II)

Mundo Acopalíptico – criado por Vladimir Manyhuin.

Martinho Júnior / Luanda / 1 de Agosto de 2012

“Cessem os egoísmos, cessem as hegemonias, cessem a insensibilidade, a irresponsabilidade e o engano. Amanhã será tarde demais para fazer aquilo que devimos ter feito há muito tempo”

Discurso de Fidel Castro na Conferência da ONU para Meio Ambiente – ECO-92, há 20 anos!

3 – O beco sem saída está a atingir as sociedades e as instituições das próprias potências capitalistas que têm conduzido todo o processo de desastre conforme à “globalização” (à constituição dum império), começando por minar as suas periferias, mas contaminando pouco a pouco os fulcros mais decisivos: a ditadura do capital torna-se num pesado fardo para os povos e os riscos de colapso, com todas as consequências imprevisíveis, avolumam-se no horizonte, ano após ano.

O reconhecido analista James Petras, em “A inexorável crise económica global: uma visão apocalíptica para 2012”(http://resistir.info/petras/petras_25dez11.html) considerava no Natal de 2011:

“A perspectiva económica, política e social para 2012 é profundamente negativa. O consenso quase universal, mesmo entre economistas ortodoxos da corrente dominante, é pessimista em relação à economia mundial. Embora, mesmo aqui, as suas previsões subestimem o âmbito e profundidade das crises, há razões poderosas para acreditar que no princípio de 2012 marchamos rumo a um declínio mais pronunciado do que foi experimentado durante a Grande Recessão de 2008-2009. Com menos recursos, maior dívida e crescente resistência popular em arcar com o fardo de salvar o sistema capitalista, os governos não podem salvar o sistema. 

Muitas das maiores instituições e relações económicas que foram causa e consequência da expansão capitalista mundial e regional ao longo das últimas três décadas estão em processo de desintegração e confusão. Os novos centros de crescimento, China, Índia, Brasil, Rússia, que durante uma década curta proporcionaram um novo ímpeto para o crescimento mundial cumpriram o seu curso e agora estão a desacelerar rapidamente e continuarão assim ao longo do novo ano”

4 – As tensões da hegemonia degradada e seus aliados, com os emergentes tendo a Rússia, a China e a Índia na principal “linha da frente”, estão-se a agudizar, provocando o desregramento da competição com base nos interesses, desde os energéticos, até aos das explorações dos minerais raros que se vão intensificando com as novas tecnologias.

As geo estratégias alucinantes de uns e de outros arquitectam a confrontação tanto na imensidão continental da Euro-Ásia, contaminando outros continentes, quanto nos oceanos e mares (no Pacífico, no Índico Norte, no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho, no Mar Negro e por fim no Mediterrâneo Oriental)…

Até no Árctico, acompanhando a tendência para o degelo da calote à volta do Pólo Norte, as geo estratégias não conseguem suster a tendência para a concorrência, antecâmara da confrontação. 

Em “El petróleo que llega del frio”, Humberto Marquez (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=142173) destaca:

“Desde las ardientes arenas de Arabia, el tórrido delta del Níger o las calurosas llanuras del Orinoco, los productores de petróleo del cinturón tropical del planeta han impulsado, al disfrutar de altos precios, a sus rivales que vienen del frío.

El grupo angloholandés Shell recibió luz verde de la agencia ambiental de Estados Unidos para perforar en busca de petróleo fuera de las costas del norte de Alaska a partir de julio de 2012, un proyecto en el que ha empeñado 3.500 millones de dólares.

Por su parte, el gigante consorcio estadounidense Exxon firmó con el ruso Rosneft un acuerdo para invertir 3.200 millones de dólares en la búsqueda de hidrocarburos bajo el mar de Kara, en el noroeste de Rusia. Lame sus heridas, al haber perdido esa opción, la alianza entre otra corporación rusa, TNK, y British Petroleum.

Es que bajo el océano Ártico, las reservas de crudo se estiman en 100.000 millones de barriles (de 159 litros), tanto como las de Iraq o Kuwait, más 44.000 millones de barriles de líquidos de gas natural y 80 billones de pies cúbicos (TCF en nomenclatura inglesa) de gas, recordó a IPS el experto en Geopolítica y Asuntos Petroleros, Kenneth Ramírez, de la Universidad Central de Venezuela. También la isla danesa de Groenlandia ha convocado a licitaciones previas para prospección fuera de sus costas, y las compañías Exxon y su connacional Chevron han sido las primeras en anotarse”.

Outro analista, Stephen Leahy, confirma a propósito no IPS (http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=89705):

“A medida que las emisiones de gases invernadero destruyen los ecosistemas del Ártico, países como Canadá gastan millones pero no para detener el proceso, sino para aprovecharlo.

A fines de agosto, Canadá anunció un programa de prospección que demandará 93,7 millones de dólares para explorar los recursos energéticos y minerales de la región.

El primer ministro canadiense Stephen Harper señaló que existen otros e innumerables preciosos recursos enterrados bajo la tundra y el hielo marino. Se estima que el sector privado invertirá unos 469 millones de dólares para su exploración y explotación.

Se cree que una cuarta parte del gas y petróleo aún no descubiertos en el mundo se encuentra bajo el Ártico, agregó Harper”.

Os políticos, os geo estrategas, os membros dos “think tanks”, os militares e uma grande parte do “grande público” que tem sido “bombardeado” pelos conceitos que interessa difundir pelos mais decisivos poderes, escondem ou fazem letra morta dos avisos que vêm chegando da comunidade científica e dos observadores mais diversos da natureza.

Em “Aquecimento global e os perigos do Árctico”, a reflexão de António Martins é mais que uma advertência, um alarme (http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2011/09/19/aquecimento-global-e-os-perigos-do-artico/)… um alarme que parece já em nada contribuir para se poder modificar a tendência e o rumo dos acontecimentos…

Investigadores alemães da Universidade de Bremen revelaram no início do mês que, segundo seus cálculos, o ritmo de derretimento do Oceano Glacial Ártico acaba de superar o de 2007 — recorde histórico registrado até o momento. Se confirmados, os dados significarão que soou o sinal de alarme para um fenômeno há muito temido pelos cientistas: o derretimento do permafrost – uma camada de gelo que recobre 13 milhões de quilômetros quadrados (1,5 vezes a superfície do Brasil) no Alasca, Canadá e Sibéria. Sob esta área está armazenado um volume de gás metano que, segundo se acredita, pode contribuir duas vezes mais, para a geração do efeito-estufa, que todo o gás carbônico presente na superfície do planeta. Se liberado, ainda que parcialmente, este gigantesco depósito poderá multiplicar a velocidade do aquecimento global”

5 – Pelo poder das tão “civilizadas” democracias representativas foram desfilando gerações de políticos, que no fundo se vão revezando para que cada vez mais se confirme a estupidez crônica que nos afronta desde o surgimento da Revolução Industrial, atirando-nos na verdade para uma Idade Média de filosofias, de conceitos e de práticas envenenadas por uma lógica que se evidencia comprovadamente oposta ao sentido da vida.

Os seus discursos, comportamentos e atitudes espelham sua mesquinhez e impotência enquanto actores e timoneiros desta nave de loucos criada à sua imagem e semelhança, sob sua tão persistente quão insensata direcção.

À medida em que se vão avolumando as contradições e as crises, as vozes dos“vendilhões do templo” transmitem por si uma inusitada sensação de vazio, como se um vírus há muito detectado e instalado procurasse de forma persistente e obstinada inebriar o patrimônio comum de inteligência histórica.

As vozes, os comportamentos e as práticas contrastantes, estimuladas para a paz, a solidariedade, a justiça e o sentido da vida, fundamentadas no conhecimento histórico e experimentadas na busca de alternativas saudáveis, são escassas entre os estadistas, mas por isso mesmo as excepções merecem nossa atenção e respeito: elas fazem parte da nossa comum esperança e são uma vanguarda de oxigênio para uma atmosfera em que o azotado tédio deu há muito lugar a cada mais nuvens de magnéticas tempestades.

Há vinte anos, antevendo o percurso “promovido” pelo capitalismo, houve um estadista lúcido e preocupado com o homem e com o planeta, um estadista livre das amarras da lógica do capital, que com toda a responsabilidade e propriedade sintetizava:

“Uma importante espécie biológica está em perigo de desaparecer devido à rápida, progressiva liquidação de suas condições naturais de vida: o homem. Agora estamos cientes deste problema, quando quase é tarde para impedi-lo.

É preciso salientar que as sociedades de consumo são as principais responsáveis pela atroz destruição do meio ambiente. Elas nasceram das antigas metrópoles coloniais e de políticas imperiais que, pela sua vez, engendraram o atraso e a pobreza que hoje açoitam a imensa maioria da humanidade. Com apenas 20% da população mundial, elas consomem as duas terceiras partes dos metais e as três quartas partes da energia que é produzida no mundo. Envenenaram mares e rios, contaminaram o ar, enfraqueceram e perfuraram a camada de ozônio, saturaram a atmosfera de gases que alteram as condições climáticas com efeitos catastróficos que já começamos a padecer.

As florestas desaparecem, os desertos estendem-se, bilhões de toneladas de terra fértil vão parar ao mar cada ano. Numerosas espécies se extinguem. A pressão populacional e a pobreza conduzem a esforços desesperados para ainda sobreviver à custa da natureza. É impossível culpar disto os países do Terceiro Mundo, colônias ontem, nações exploradas e saqueadas hoje, por uma ordem econômica mundial injusta.

A solução não pode ser impedir o desenvolvimento aos que mais o necessitam. O real é que todo o que contribua atualmente para o subdesenvolvimento e a pobreza constitui uma violação flagrante da ecologia. Dezenas de milhões de homens, mulheres e crianças morrem todos os anos no Terceiro Mundo a conseqüência disto, mais do que em cada uma das duas guerras mundiais. O intercâmbio desigual, o protecionismo e a dívida externa agridem a ecologia e propiciam a destruição do meio ambiente.

Se quisermos salvar a humanidade dessa autodestruição, teremos que fazer uma melhor distribuição das riquezas e das tecnologias disponíveis no planeta. Menos luxo e menos esbanjamento nuns poucos países para que haja menos pobreza e menos fome em grande parte da Terra. Não mais transferências ao Terceiro Mundo de estilos de vida e de hábitos de consumo que arruínam o meio ambiente. Faça-se mais racional a vida humana. Aplique-se uma ordem econômica internacional justa. Utilize-se toda a ciência necessária para um desenvolvimento sustentável sem contaminação. Pague-se a dívida ecológica e não a dívida externa. Desapareça a fome e não o homem.

Quando as supostas ameaças do comunismo têm desaparecido e já não há pretextos para guerras frias, corridas armamentistas e gastos
militares, o que é o que impede dedicar de imediato esses recursos na promoção do desenvolvimento do Terceiro Mundo e combater a ameaça de destruição ecológica do planeta?

Cessem os egoísmos, cessem as hegemonias, cessem a insensibilidade, a irresponsabilidade e o engano. Amanhã será tarde demais para fazer aquilo que devimos ter feito há muito tempo”

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