“APOCALIPSE NOW”! (III)

Martinho Júnior, Luanda

“Cessem os egoísmos, cessem as hegemonias, cessem a insensibilidade, a irresponsabilidade e o engano. Amanhã será tarde demais para fazer aquilo que devíamos ter feito há muito tempo”… – Discurso de Fidel Castro na Conferência da ONU para Meio Ambiente – ECO-92, há 20 anos!

5 – Neste momento uma grande parte da humanidade assiste extasiada às Olimpíadas que se desenrolam em Londres, mas o que deveria ser a confirmação da paz, acaba por ser uma propositada ilusão, um embuste, uma manipulação pronta para adormecer a opinião pública: os próprios meios, como o HMS Bullwark, que estão a ser com maior ou com menor legitimidade empregues como postos de comando e meios de apoio multi-funções para os dispositivos de segurança e vigilância ao evento, seguirão logo a seguir para o Mediterrâneo Oriental como se em metamorfose se tornassem em modernos machados de guerra prontos para a acção.

Pelo segundo ano consecutivo vai-se realizar o Exercício “Cougar”, integrando o “Response Task Force Group” da Grã Bretanha, com algumas das mais sofisticadas capacidades de intervenção, incluindo Forças Especiais e unidades de inteligência, o que sugere apoios às ingerências já em curso no Líbano e na Síria, na sequência aliás da “experiência” da Líbia, para citar um dos “modelos” que desencadearam violentos conflitos.

À sua espera, como uma comissão de recepção colocada ao dispor do adversário “concorrente” que começa a ser inimigo, está uma parte substancial da frota russa que tem em Tartus a “base avançada” para além do espaço fechado do Mar Negro.

Muitos associam o Exercício Naval “Cougar 12” à evolução da situação no Médio Oriente, tendo a Síria como ponto crítico.

Para todos os efeitos é a actividade em termos muito poderosos da “Response Task Force Group” que em 2011 envolveu vasos de guerra britânicos e franceses e este ano irão envolver os mesmos, mais outros dos Estados Unidos da América, incluindo vários porta-aviões e submarinos nucleares com balística inter-continental (http://en.wikipedia.org/wiki/Response_Force_Task_Group).

Outros fazem análises geo estrategicamente mais abrangentes, comparando o cenário onde vai ocorrer o “Cougar 12” com a evolução da situação continente Euro-Asiático adentro, até à Ásia Central, ao oeste da China, bem como ao que acontece em relação ao Pacífico, o maior oceano da Terra.

Esses levam em conta que o “Collective Security Treaty Organization” (“CSTO”), que acaba de perfazer 20 anos de impulsão, se oponha aberta ou veladamente com suas unidades integradas no “Collective Rapid Reaction Force” (“NATO versus CSTO: The clash between competing Alliances” – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28612).

Outros ainda relacionam o “Cougar 12” com a confirmação da existência de petróleo no Mar Egeu, no Mar Jónico e no Mediterrâneo Oriental, em doses muito maiores às que foram anunciadas pelo Brasil em relação ao seu pré-sal.

A visita do ex-Presidente Bill Clinton a Atenas dia 23 de Julho último, numa altura em que a Grécia oscila entre a bancarrota e a miragem do petróleo, é sintomática (“A visita do amigo americano” – http://expresso.sapo.pt/grecia-a-visita-do-amigo-americano=f741578).

Outros por fim confirmam os cenários de tempestade no Mediterrâneo Oriental com todas as peças dispostas no tabuleiro em que se transformou com a globalização do império o planeta Terra: os acontecimentos na América, os conflitos que se distendem em África, a crise do dólar e do euro que alimenta a ditadura sobre os povos sujeitos à sua órbita e vai contaminando a economia global…

Em todos os casos as disputas em relação ao petróleo e ao gás dão indicações de se terem tornado fulcrais, qualquer que seja o rótulo utilizado (tal como atrás em relação às referências que fiz sobre o Árctico) e na Grécia temos o mais acabado “exemplo”: nunca a ditadura do capital atingiu as proporções agora mais que nunca evidentes, precisamente na mesma altura em que as riquezas “prospectivas” de petróleo e gás na profundidade dos Mares Jónico e Egeu são anunciadas numa quase fanfarra!…

6 – Para Michel Chossudovsky, um eminente analista que publica seus trabalhos no Global Research, a situação no Mediterrâneo Oriental, interconectada com a do Médio Oriente, é mais combustível que se está a atirar para uma fogueira já existente (“A guerra dos EUA e NATO contra a Síria: forças navais do ocidente face às da Rússia ao largo da Síria” –http://resistir.info/chossudovsky/siria_26jul12.html):

“Enquanto a confrontação entre a Rússia e o Ocidente estava, até recentemente, confinada ao âmbito polido da diplomacia internacional, dentro do recinto do Conselho de Segurança da ONU, agora uma situação incerta e perigosa está a desdobrar-se no Mediterrâneo Oriental. 

Forças aliadas incluindo operativos de inteligência e forças especiais reforçaram a sua presença sobre o terreno na Síria a seguir ao impasse da ONU. Enquanto isso, coincidindo com o beco sem saída no Conselho de Segurança da ONU, Moscovo despachou para o Mediterrâneo uma frota de dez navios de guerra russos e navios de escolta comandados pelo destróier anti-submarino Almirante Chabanenko. A frota russa está actualmente estacionada ao largo da costa Sul da Síria”…

(…)

“… A aliança EUA-NATO retaliou à iniciativa naval da Rússia, com uma deslocação naval muito maior, uma formidável armada ocidental consistente de navios de guerra britânicos, franceses e americanos, previstos para serem ali instalados neste Verão no Mediterrâneo Oriental, levando a uma potencial confrontação estilo Guerra Fria entre a Rússia e forças navais ocidentais.

Enquanto isso, planeadores militares dos EUA-NATO anunciaram que várias opções militares e cenários de intervenção estão a ser contemplados na sequência do veto russo-chinês no Conselho de Segurança da ONU.

O planeado posicionamento naval é coordenado com operações aliadas no terreno em apoio ao Exército Sírio Livre (ESL) patrocinado pelos EUA-NATO. Quanto a isto, os EUA-NATO aceleraram o recrutamento de combatentes estrangeiros treinados na Turquia, Iraque, Arábia Saudita e Qatar”…

Não é de estranhar, pois a associação entre um estado de batalha naval no Mediterrâneo Oriental com as batalhas que se vão travando, qualquer que seja o seu conteúdo e rosto, sucessivamente na Tunísia, na Líbia, no Egipto, na Palestina, no Líbano e por fim, como corolário, na Síria, todos componentes do arco de territórios à volta do Mediterrâneo Oriental: enquanto os países membros, ou próximos da NATO da região estão a enfrentar crises existenciais (Grécia, Turquia e Israel), os outros experimentam turbulências onde é difícil distinguir o que é “autóctone” e o que é ingerência das potências, a ponto de, entre os fundamentalistas, manifestarem acção diversos grupos conectados ao Al Qaeda em estreita aliança com as monarquias arábicas e as potências ocidentais (“L’Armée Syrienne libré est commandée par le gouvernement militaire de Tripoli” – Thierry Meyssan Réseaux Voltaire – http://www.voltairenet.org/L-Armee-syrienne-libre-est).

A situação está a deteriorar-se mais e mais, a um nível que se aproxima aos momentos mais críticos do período da “Guerra Fria”, mas com um grau de imprevisibilidade maior e com potencialidades ainda mais catastróficas…

Gravura: Mundo Acopalíptico – criado por Vladimir Manyhuin.

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