Terrorismo contra Cuba: Há 15 anos do crime do Copacabana

Havana (Prensa Latina) Com a chegada de cada setembro, Giustino Dei Celmo, pai de um jovem italiano assassinado em 1997, recorda as ações de grupos terroristas anticubanos que provocaram a morte de seu filho Fabio em atentados com bombas contra hotéis da ilha.

Há 15 anos, agrupamentos extremistas de Miami organizaram sob a tutela do terrorista Luis Posada Carriles vários ataques contra instalações turísticas cubanas, como parte da agressividade estadunidense de mais de meio século para Cuba.


Em uma dessas ações, no hotel Copacabana, faleceu Fabio, uma das vítimas dos 11 artefatos explosivos colocados em lugares turísticos para desestabilizar a nação caribenha.

4 DE SETEMBRO DE 1997 

Nesse dia, achava-me trabalhando e toca a casualidade que tinha acabado de passar pelo lobby, quando decido organizar algumas coisas no escritório. De repente, ouço uma explosão. Nunca imaginaria que fosse uma bomba, relembra Julia Hautrive, empregada do hotel Copacabana.

Ao sair ao lobby, vi a Fabio caído no solo; em seguida reconheci-o, porque tinha-o visto pela manhã. Ademais, no dia anterior eu tinha feito um trabalho de mecanografia e ele em agradecimento teve a delicadeza de me obsequiar cinco peças em miniaturas, as quais guardo zelosamente, agregou em entrevista com Prensa Latina.

Giustino “que se encontrava no hotel” ia se reunir no almoço com Fabio e dois de seus amigos, quando ouviu a explosão.

Pensou que tinha sido uma cozinha de gás, mas poucos minutos depois, chamaram-no para lhe dizer que seu filho estava gravemente ferido.

Esse 4 de setembro, um artefato explosivo apagou a vida do jovem Fabio, de menos de 32 anos, quando uma parte de metal do cinzeiro onde estava a bomba, lhe incrustou na parte esquerda do pescoço e lhe cortou uma vértebra cervical e a artéria carótida.

Tudo isso o recorda Hautrive, que trabalha como secretária da direção do hotel e sobreviveu a momentos de sua infância marcados pelo terrorismo contra a ilha, ações organizadas e financiadas pela CIA.

Tive vizinhos que perderam familiares quando a sabotagem ao barco A Coubre em 1960, que vinha com armas para a defesa da nascente Revolução que se encontrava sob o assédio de seus inimigos do Norte.

Depois em 1961, presenciei o ataque ao aeroporto de Cidade Libertad, como prelúdio da invasão mercenária a Praia Girón.

Eu vivia próximo ao aeródromo e recordo os tiroteios. Inclusive, próximo da janela de meu quarto caiu a asa de um avião, ainda que por sorte para minha família, achávamo-nos refugiados na cozinha.

Mas apesar de sobreviver tais eventos, é-me impossível esquecer o estalido, os cristais rompidos, a fumaça e, sobretudo, o estupor, a dor e a angústia que compartilhamos com Giustino quando viu o corpo sem vida de seu filho, afirma Hautrive.

Isto não poderá ser apagado de mim, nem de nenhum dos trabalhadores do Copacabana, diz emocionada. Eu também poderia ter morrido nesse dia, como muitos dos que aqui trabalhamos, agregou.

Fabio era um rapaz excepcional que compartilhava de igual a igual com nossos trabalhadores, que jogava futebol com eles. Era um grande admirador do Che e de Fidel, relembrou Hautrive.

Lembra que sempre me pedia que lhe guardasse a imprensa. Interessava-lhe conhecer muito da realidade cubana e a história de nosso país, lembrou.

15 ANOS DEPOIS 

Apesar do tempo decorrido, não existe consolo para a família Dei Celmo, a qual tem que suportar o modo em que o Governo estadunidense protege o autor intelectual dos fatos, Luis Posada Carriles, apesar de que este seja também responsável pela explosão em 1976 de um avião civil cubano com 73 pessoas a bordo.

Nenhuma dor pode ser maior que a morte de um filho e mais ainda quando é causada por um fato violento e cruel, afirmou Giustino, o progenitor de Fabio Dei Celmo.

Como é possível que um país como Estados Unidos que diz condenar o terrorismo albergue a este terrorista com uma longa folha de crimes que incluem a explosão do avião de Cubana em Barbados, o assassinato de centenas de venezuelanos e a morte de meu filho?, perguntou-se.

Jamais esquecerei as declarações de Posada Carriles, publicadas por The New York Times em 1998, quando depois de reconhecer que tinha pagado a mão do mercenário salvadorenho que pôs a bomba assassina, confessou sem nenhum pudor que ele dormia como um bebê porque “o italiano estava no lugar equivocado no momento equivocado”, recordou.

Com múltiplas denúncias em sua contra, Luis Posada Carriles, terrorista comprovado e confesso, caminha livremente pelas ruas de Miami e recebe reconhecimentos e honras de parte da máfia cubanoamericana e a extrema direita dos Estados Unidos da América, denunciou Dei Celmo. A farsa de seu julgamento em El Paso, Texas, foi revoltante… Só se lhe julgou por mentiroso, ainda que ficou demonstrado que tinha sido o mandante da morte de Fabio, agregou em referência à componenda do sistema judicial norte-americano que absolveu em 2011 a Posada.

Desde que Fabio morreu jurei não descansar até que se fizesse justiça, assim fiquei em Cuba, asseverou Dei Celmo.

Este italiano de 92 anos questiona ao Governo dos Estados Unidos, por incluir a Cuba em uma lista de países terroristas, “quando Cuba só tem sido vítima das ações terroristas organizadas por criminosas que Washington tem protegido e pago”.

Ademais, Dei Celmo respalda a causa dos cinco cubanos antiterroristas condenados em solo estadunidense por seu seguimento a grupos violentos que desde Miami operam contra Cuba. Eles expuseram sua vida, sua família e sua felicidade por tratar de evitar atos terroristas como o que tronchó a vida de meu filho, reconhece o pai de Fabio.

Conhecidos internacionalmente como os Cinco, Antonio Guerreiro, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González foram sentenciados a longas penas nos Estados Unidos, incluindo a sanção de mais duas correntes perpétuas 15 anos para Gerardo.

Quatro deles permanecem encerrados desde 1998, enquanto René cumpre três anos de liberdade supervisionada em território estadunidense, pese a reclamos de ativistas por seu cedo regresso a Cuba.

Por que os grandes meios de difusão não falam de que cinco antiterroristas cubanos guardam prisão em cárceres norte-americanas por tratar de evitar fatos terroristas em Cuba, enquanto os terroristas vivem livremente nos Estados Unidos?, insiste Dei Celmo.

As respostas a minhas perguntas só confirmariam a dupla moral do Governo norte-americano e da grande imprensa ante o terrorismo, considerou.

Fabio Dei Celmo, é uma das vítimas da política agressiva de extremistas anticubanos instigados e financiados desde faz mais de meio século por Washington, e cujas ações terroristas cobraram a vida de três mil 478 cidadãos do país caribenho e deixado mais de dois mil incapacitados.

* Jornalista da Redação Nacional da Prensa Latina 

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