#Angola: antigos ministros da #FLEC prontos a cuidar da #saúde das populações (#cabinda #UNITA #FAA #)

Fonte: Jornal de Angola

As enfermarias do Hospital Militar Principal de Luanda foram, durante meio ano, locais de estágio para Luís António da Costa “Futuro” e António Luís Sango “Lembrança”, dois antigos ministros da FLEC. Eles abandonaram as armas e agora estão prontos a cuidar da saúde das populações, em qualquer unidade sanitária de Angola.

O dia 13 de Março de 2013 constitui mais um marco na vida de Luís António da Costa “Futuro” e de António Luís Sango “Lembrança”. Eles receberam os seus diplomas profissionais ao fim de seis meses de estágio no Hospital Militar Principal-Instituto Superior. Foram acompanhados pelos técnicos do Departamento de Docência de Enfermagem e concluíram com classificação de “bom” o estágio profissional.

“O estágio foi proveitoso porque conseguimos absorver o máximo de conhecimentos”, disse António Luís Sango. Para os dois enfermeiros, o momento agora é de trabalho e não faltam. Luísa Teka, que sofre de diabetes, está em tratamento médico no Hospital Principal Militar desde Dezembro. Luís António da Costa “Futuro”, todos os dias trata as feridas que urfiram nos pés, devido à doença.

“Futuro” foi ministro da saúde da FLEC. É bacharel em Ciências de Enfermagem pelo Instituto superior das Técnicas Médicas Kalamu, República Democrática do Congo. Chegou à direcção da organização depois de muitos anos de militância: “aderi à FLEC em 1976 e depois de longos anos, consegui ir estudar. Quando concluí os estudos fiz uma reflexão sobre a minha vida. Quando comecei na organização, existia apenas uma facção e um presidente. Em 2002 já havia tantas facções e tantas FLEC que o povo ficava confundido. Percebi que a ambição movia os políticos. E tomei a decisão de regressar a casa. Ninguém me capturou ou prendeu. Fui eu que decidi voltar para o meu país e a minha família”.

O enfermeiro Luís António da Costa recorda os tempos conturbados nas matas e o sofrimento do povo “que foi enganado por políticos sem escrúpulos”. Fica a pensar no que viveu e desabafa: “os políticos que vivem à custa da FLEC dizem que nós somos traidores. Mas eles sim são traidores, porque pertencem ao povo angolano e renegam a sua pátria. Os angolanos de Cabinda precisam de saber como centenas de compatriotas estão a sofrer porque acreditam nas mentiras. Hoje cada político é uma FLEC. E há um deputado que é da FLEC mas aparece como sendo da UNITA. Não podemos admitir isto”.

“Futuro” não tem mãos a medir. Faz curativos, aconselha os doentes e renova as recomendações. Apesar do corpo combalido pela doença, o sorriso no rosto de Luísa Teka deixa visível o seu optimismo quanto a melhorias do seu estado de saúde.

Lembrança da tristeza

António Luís Sango “Lembrança” está feliz com o seu diploma. Diz que fez um estágio de meio ano numa unidade hospitalar de alto nível: “há instrumentos e equipamentos aqui que eu nunca tinha visto. Estudei numa escola de alto nível e com professores de grande ciência”. Ele também foi da direcção da FLEC, chegou a vice-ministro. Mas a guerra e o sofrimento nas matas fazem parte do passado. A sua missão passou a ser outra: cuidar dos doentes. “Lembrança” está ansioso quanto ao local onde vai trabalhar. O que ele mais quer é dar o seu contributo numa unidade hospitalar “seja em que ponto do país for”. Alguns dias depois de ser capturado pelas Forças Armadas Angolanas, pediu para aprofundar os seus conhecimentos de enfermagem, já que tinha feio um curso médio na República Democrática do Congo e foi a única esperança, durante muitos anos, para os militares da FLEC nas matas. Exerceu durante alguns anos a enfermagem e sempre sozonho. A felicidade por ter obtido o diploma esmorece quando lhe vem à mente a memória dos companheiros que ainda estão nas matas sob custódia da FLEC “e em muitos casos sofrendo autênticos atentados aos direitos humanos”.

O enfermeiro “Lembrança”, no momento em que recebe o seu diploma ao fim de seis meses de estágio, lança um apelo: “que o Executivo tenha compaixão daqueles que estão nas matas e têm vontade de abandonar as fileiras da FLEC. Peço paciência às autoridades porque a maior parte deles não é culpada da situação em que se encontra, outros exploram a sua ignorância”.

Formação de alto nível

O sub-director de Enfermagem do Hospital Militar Principal-Instituto Superior, tenente-coronel José da Silva Neto, disse que a formação dos dois enfermeiros teve a duração de 640 horas, distribuídas em 520 horas práticas e 120 de teoria e pesquisas.

José Neto destacou o bom aproveitamento dos dois formandos. Apontou entre os temas do estágio, as normas de biossegurança, conforto do doente, avaliação e interpretação dos valores dos sinais vitais, administração de medicamentos, aspiração de secreções, nebulização e oxigenoterapia.

“Para a efectivação do estágio foram seleccionados três enfermarias, Medicina II, Cirurgia Geral e Banco de Urgência de Medicina e Cirurgia”, disse o tenente-coronel José da Silva Neto: “os dois estagiários tiveram uma integração perfeita neste hospital e a sua interacção com todo o pessoal permitiu-lhes aprender rapidamente as técnicas e as rotinas. Estão totalmente aptos para integrar o mercado de trabalho”.

Vítimas de um negócio

O enfermeiro “Futuro” está ansioso por trabalhar numa unidade hospitalar “porque a frente da saúde é muito importante na reconstrução nacional”. No momento em que recebeu o diploma do estágio profissional, lembrou-se do passado: “aqueles que andam a manipular os angolanos de Cabinda nem sonham o elevado nível do hospital onde estivemos a estagiar. Também não sabem que há postos e centros de saúde nas aldeias mais isoladas. O que falta é pessoal especializado. Mas tudo vai melhorar quando esses que fazem da FLEC um negócio decidirem trabalhar por uma Angola melhor. É esse apelo que deixo a todos os que no interior ou no exterior continuam a enganar o povo”.

Para “Lembrança” a situação em Cabinda fica completamente resolvida “quando os angolanos da nossa província deixarem de ser vítimas daqueles que fazem da política um negócio”.

Os dois enfermeiros vão agora trabalhar em unidades de saúde. Conseguiram vencer mais um grande desafio, que foi melhorar as suas aptidões profissionais. Agora só querem ser úteis aos doentes.

Categories: ÁFRICA, EDUCAÇÃO, POLÍTICA, SAÚDE, SOCIEDADE | Etiquetas: , | Deixe um comentário

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