Angola perdeu um amigo.

 

Bandeiras a meia haste. Morreu o comandante Fidel.

O mundo chora a morte deste homem, cuja grandeza e firmeza de carácter, tornaram-no merecedor digno de um lugar entre as mais ilustres personalidades da história universal.
Enquanto vivo e no activo, Fidel Castro dividiu opiniões. Para a esmagadora maioria era um sujeito absolutamente excepcional, visionário, um libertador. Na verdade, Fidel demonstrou sempre ser um cidadão universal com pensamento livre, indomável até. Seus detractores jamais toleraram isso.

Mesmo depois de recolhido, quando as suas forças pareciam ceder ao poder do tempo, as suas ideias e preocupações com os problemas do mundo moderno eram seguidas por toda a gente. Até pelos que o odiavam, cegamente, em nome da liberdade e da democracia, pelo modo peculiar como expressava e defendia livremente as suas convicções.
E uma das convicções de Fidel Castro era de que os angolanos mereciam ser donos do seu próprio destino. Claro que essa tese defendida na primeira pessoa, no apogeu da Guerra Fria, em plena sede das Nações Unidas, valeu-lhe mais alguns pregos na sua pesada cruz.
Mas ninguém recorda de algum dia vê-lo recuar. Dar o dito por não dito. No caso de Angola, Fidel Castro foi, como soe dizer-se, escravo das suas palavras. Como bem referiu o Presidente José Eduardo dos Santos na mensagem que endereçou ontem ao Presidente Raul Castro Ruz e ao povo heróico de Cuba, pela “inesquecível contribuição” na defesa e manutenção da soberania e integridade territorial de Angola, na resistência à agressão do então regime racista sul-africano.
Essa referência à participação de Cuba nesse período da nossa história traduz o mais profundo reconhecimento dos angolanos quanto ao papel decisivo de Fidel e do povo irmão de Cuba para que Angola lograsse derrotar as forças invasoras sul-africanas e seus apoiantes, deitando por terra o plano macabro do regime do apartheid de instalar no poder os seus amigos e colaboradores.
Não é segredo para ninguém que por ter decidido apoiar Angola, num dos momentos mais críticos do seu percurso como Estado soberano e independente, Fidel Castro e Cuba pagaram até hoje uma factura pesadíssima. Não é só pela decisão em si, a responder a um pedido do Presidente Agostinho Neto, mas por que jamais mostrou qualquer sinal de hesitação ou de arrependimento por ter dito Sim Camarada Neto.
E quando me refiro à pesada factura não falo somente dos enormes prejuízos financeiros que o povo da ilha viu somar aos que já vinha consentindo por causa de um embargo económico decretado injusta e unilateralmente por outro Estado. Falo de algo mais profundo, que é o sentimento de um comandante que perde, não um nem dois, mas centenas de combatentes na frente de combate, longe da sua terra, por uma causa que jamais poderá ser resumida a números ou cifrões.
Por certo, aqueles que encontram algo de nobre e defensável no envio de especialistas pagos a preço de ouro para treinar grupos (rebeldes mais ou menos moderados) para derrubar governos legítimos, jamais perceberão por que milhares de combatentes cubanos, do mais modesto soldado ao oficial de maior graduação, sem nos esquecermos de outros tantos civis, entre médicos e professores, vieram para Angola, de forma absolutamente voluntária, simplesmente convencidos de que pagavam uma dívida histórica com África.
Estou também recordado das palavras do Presidente José Eduardo dos Santos, em Junho de 2014, em Havana, quando se recusou a colocar as relações com Cuba no mesmo nível que outras. Tínhamos acabado de chegar de Brasília e recordo-me bem do Chefe de Estado, ainda no aeroporto de Havana, responder à questão colocada por um colega da televisão, que estava ali para analisar juntamente com os “nossos irmãos cubanos” todas as formas possíveis de fortalecer as relações. Disse-o de viva voz e em jeito de remate sublinhou que “Angola e Cuba são países irmãos, com longa tradição de luta”.
É por estas e milhões de outras razões, que a morte desta personagem ímpar da história universal constitui motivo de profunda consternação, particularmente para o povo angolano de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste. Pois bem, bandeiras a meia haste. Morreu o comandante Fidel Castro Ruz.

 

 

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