Caça ao marfim causou a morte de 80% dos elefantes.

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O Parque Nacional Minkébé é uma das maiores reservas da África Central e se situa no extremo noroeste do Gabão sendo considerado pelo Fundo Mundial de Protecção da Natureza como uma área a precisar de protecção, noticia a LUSA.

“A nossa pesquisa sugere que mais de 25.000 elefantes do Parque Nacional Minkébé podem ter sido mortos por causa do marfim entre 2004 e 2014”, disse John Poulsen, professor assistente de ecologia tropical, da Universidade Duke, de Durham, Estados Unidos (Carolina do Norte).

Segundo o responsável, estimando-se que pelo menos de metade dos 100.000 elefantes da África Central vivam no Gabão, a perda de 25.000 naquele “santuário chave” é considerada um “revés para a preservação da espécie”.

Segundo o estudo, ainda que alguns dos caçadores furtivos sejam do Gabão, a caça ilegal praticada por pessoas dos países vizinhos, especialmente dos Camarões, a norte, foi uma das causas para o acentuado declínio do número de animais.

Os investigadores mediram as perdas de população comparando dados de dois levantamentos, em 2004 e 2014, usando métodos de análise dos excrementos (nomeadamente de forma a ter em conta que as chuvas fortes poderiam deteriorar o estrume e distorcer a precisão).

Os investigadores identificaram duas zonas de pressão da caça furtiva, realça o investigador citado pela LUSA.

Segundo Poulsen, a morte de elefantes no sul do parque, a 58 quilómetros da principal estrada gabonesa, não foi muito acentuada.

“Em comparação, as zonas central e norte do parque, que ficam a cerca de seis quilómetros de uma estrada nacional dos Camarões, foram esvaziadas”, disse.

A proximidade da estrada permite aos caçadores furtivos dos Camarões aceder ao parque, matar os elefantes e levar o marfim para a maior cidade do país, Douala, um centro importante de comércio internacional de marfim.

Desde 2011 que o Governo do Gabão tem tomado medidas para conter a caça furtiva no parque Minkébé, nomeadamente colocando guardas no parque e aumentando o orçamento da agência de parques nacionais.

Poulsen sublinhou também que o Gabão foi a primeira nação africana a queimar todo o marfim apreendido.

No entanto, adiantou, pouco foi feito para travar o tráfico transfronteiriço.

“Para salvar os elefantes das florestas da África Central precisamos de criar novas áreas protegidas internacionalmente e coordenar a aplicação das leis internacionais para garantir o julgamento de estrangeiros que cometam ou incentivem crimes contra a vida selvagem noutros países”, disse o responsável.

John Poulsen informou que os estudos que mostram o declínio da população de elefantes não são novos. “Mas uma perda de 78% a 81% numa década, numa das maiores e mais remotas áreas protegidas da África Central, é um aviso de que nenhum lugar é seguro contra caçadores furtivos”.

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