A união de África.

Foto de Nadia Ulloa.

25 de Maio, 2017

Num dia como hoje, do longínquo ano de 1963, representantes de 30 países africanos, então independentes, reuniram-se em Adis Abeba, capital da Etiópia para criar a então Organização de Unidade Africana (OUA), apelando para o engajamento político, diplomático, económico e militar no sentido de libertar territórios ainda sob o domínio colonial.

A data passou a denominar-se Dia de Libertação da África, designação que mudou para Dia de África a partir de 2002, quando a extinta OUA passou a União Africana (UA). A predecessora da UA  cumpriu em grande medida os propósitos imediatos que nortearam a sua fundação, mas não há dúvidas de  que muitos dos seus objectivos continuam a inspirar milhares de africanos em todo o continente. Nenhum território dentro de África se mantém como colónia, domínio ou propriedade de uma potência estrangeira, uma realidade que permite aos africanos olhar para outros desafios de natureza política, económica e social com mais segurança.
Mais de cinquenta anos depois, fruto de uma intensa actividade política e diplomática e igualmente como resultado da consolidação dos blocos regionais, deixaram de existir os conflitos entre Estados e, com excepção de casos pontuais, todos os Estados africanos possuem entre si laços políticos e económicos.
E não há dúvidas de que o continente tem dado provas de gestão dos seus problemas, numa altura em que a perspectiva de regresso de Marrocos no seio da União Africana constitui um ganho significativo para a organização continental. Promover a unidade e a solidariedade entre os Estados africanos, bem como reforçar a cooperação entre os Estados africanos em busca do bem-estar dos povos de África continua a ser um desafio da UA. Nos últimos tempos, os desafios da União Africana têm-se traduzido na aceleração de políticas que levem à integração do continente. E os exemplos, vindos das organizações  regionais, permitem olhar o futuro com mais optimismo na medida em que, se enfrentados em bloco,  os problemas económicos e sociais podem conhecer soluções mais duradouras e sustentáveis.
É verdade que, para isso, urge erradicar todos os focos de diferendo, tensão e de instabilidade política e militar em todo o continente. É preciso que a União Africana, auxiliada pelos seus parceiros, dentro e fora do continente, contribua para a busca de soluções para os problemas da República Árabe Saraui Democrática, Líbia, Sudão do Sul, Somália, República Democrática do Congo e em menor intensidade na Guiné-Bissau.
Ao lado dos desafios ligados à paz e à estabilidade, estão as ameaças impostas pelas grandes endemias, numa altura em que urge traçar estratégias globais contra a malária, uma doença que continua a ser a primeira causa de morte em toda a África Subsaariana.
É preciso que os Estados africanos em coordenação com as organizações regionais de que fazem parte, bem como a UA lancem o repto a África, às suas instituições e a toda a diáspora africana para contribuírem para a solução de um problema superável, mas de grande gravidade em todo o continente, a malária. O continente não pode consentir a contínua perda de perto de meio milhão de pessoas, mortas todos os anos por causa da malária. A primeira causa de morte na África Subsaariana prevalece como um mal,  com impacto na vida das famílias, na estratégia das empresas e na estabilidade da sociedade. É preciso encorajar os esforços para eliminar o analfabetismo em todo o continente e fortalecer os investimentos feitos a nível da saúde, particularmente na vertente materno-infantil.
O continente precisa de intensificar a coordenação das acções no sentido de acelerar  os processos de integração, democracia e desenvolvimento  a nível dos blocos regionais. No fundo, trata-se de uma estratégia que, além de agigantar as perspectivas de diversificação económica, avolumar o comércio, aumentar o crescimento e o bem-estar da população, contribui para afugentar o espectro dos conflitos e da guerra. Com a livre circulação de pessoas e bens entre os países que pertençam ao mesmo bloco, não há dúvidas de que aumentam igualmente o conhecimento e o intercâmbio cultural entre os povos, realidade que contribui para cimentar valores como a fraternidade, a hospitalidade e a solidariedade.
É bom saber que África regista com sucesso experiências relevantes no domínio da Zona de Livre Comércio, união aduaneira, monetária e outros procedimentos que aceleram a livre a circulação de pessoas e bens em todo o continente.
Num dia como hoje, saudamos a eleição recente do Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, antigo ministro da Saúde da Etiópia e especialista em Saúde Comunitária, para o cargo de director-geral da Organização Mundial da Saúde, o primeiro africano a exercer o cargo.
Nos próximos tempos, auguramos que as lideranças africanas sejam capazes de efectivar o conteúdo da famosa Agenda 2063, um importante itinerário que deve servir de guia para o progresso e o desenvolvimento e manter a União de África.

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Categories: ANGOLA, ANIVERSARIO, ÁFRICA, CULTURAIS, EDUCAÇÃO, Uncategorized | Etiquetas: | Deixe um comentário

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