Sejamos todos Venezuela, onde a pátria é o povo.

Por Stella Calloni *

Buenos Aires (Prensa Latina) O especialista independente das Nações Unidas, Alfred de Zayas, recentemente visitou a Venezuela como observador e considerou que não existe uma crise humanitária.

Advertiu que as medidas coercitivas e unilaterais impostas contra o governo do presidente Nicolás Maduro estão causando mortes e severos danos ao povo desse país.

Enquanto o presidente argentino Mauricio Macri decidiu entregar o Prêmio Internacional de direitos humanos ‘Emilio Mignone’ ao Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea), o que não só é uma provocação e uma ofensa para esse povo, mas para esta figura, que jamais teria se prestado a tal ação.

Também ofende o povo argentino e os organismos de direitos humanos, que ainda continuam procurando 30 mil desaparecidos e mais de duas centenas de crianças roubadas durante a última ditadura militar, da qual a família Macri foi cúmplice e recebeu grandes favores.

Desde que o empresário de direita Mauricio Macri era prefeito da cidade de Buenos Aires, presidia a Fundação Pensar, dependente das fundações centrais da Inteligência dos Estados Unidos, chame-se National Endowment for Democracy (NED), supostamente criada para ajudar o ‘desenvolvimento democrático’ ou Heritage, a dos ‘tanques pensantes’ que prepararam os documentos de Santa Fé, os mais conhecidos sobre as estratégias de dominação para a América Latina, ou a inefável Agência Internacional para o Desenvolvimento (AID) agora chamada Usaid, de antecedentes criminosos, entre outras.

Desde então, converteu a prefeitura de Buenos Aires em um centro de reunião para os direitistas mais destacados do mundo e da América Latina. Foi Macri quem recebeu ao tristemente célebre colombiano Álvaro Uribe, que segundo afirmou é seu modelo de ‘presidente’, sua ‘inspiração’.

Uribe, que está à frente de uma Fundação que leva seu nome, sustentada pelos Estados Unidos, é um dos maiores criminosos da Colômbia, acusado além de suas relações com o paramilitarismo e o narcotráfico, entre muitos outros males.

Também recebeu – entre outros – Alejandro Peña Esclusa, como presidente da Fundação UnoAmérica, criada em Bogotá em dezembro de 2008, conformada por militares das passadas ditaduras latino-americanas e o mais granado e duro da direita colombiana.

É uma espécie de imitação do que foi a Operação Cóndor, já que se adjudicavam uma missão supranacional para combater e derrubar os governos ‘do Foro de São Paulo’.

Convidado por Macri, Peña Esclusa, envolvido em uma tentativa de magnicídio contra o presidente Hugo Chávez e depois contra o atual presidente Nicolás Maduro e outros funcionários, apresentou um livro na Argentina como um lutador pela democracia em seu país, Venezuela.

O mesmo Peña Esclusa que foi condecorado pelo golpista hondurenho Roberto Micheletti, ‘por sua ajuda’ no golpe (junho de 2009) contra o presidente Manuel Zelaya e na repressão ilegal desencadeada nessa nação, onde os assassinatos continuam. Um símbolo é a dirigente social, ambientalista e contra a ocupação militar de seu país, Berta Cáceres, assassinada há dois anos, em março de 2016.

Essa mesma direita que foi tecendo sua teia de aranha através da famosa Fundação Libertad en Argentina, cuja sede central está em Rosário, província de Santa Fé.

Não é casual que na sede dessa Fundação ‘Libertad’, que depende das fundações da CIA estadunidense, estivesse reunida a flor e nata dessa direita mundial e latino-americana, com as presenças entre outros do ex-presidente espanhol José María Aznar e o eterno armador de golpes Roger Noriega. Como também, o ex-presidente da Bolívia Jorge ‘Tuto Quiroga’, que por um ano governou o país (2001-2002), já que era vice-presidente do ditador Hugo Bánzer, e outros de sua mesma espécie em março de 2008 quando começou a greve de quatro entidades patronais do campo contra o governo de Cristina Fernández Kirchner.

Uma greve que durou quatro meses, em uma tentativa de golpe de Estado. Foi neste momento, como registram os documentos vazados por Wikileaks publicados na Argentina, que Macri reclamou à embaixada dos Estados Unidos, por que não agiam para derrubar a presidenta nessa oportunidade.

Por isso, não é estranho que toda sua campanha para a presidência que ganhou em 2015, com um milionário financiamento dos EUA, estivesse focada em se alinhar com esse país, com a eterna mensagem de que tinha que ajudar a oposição venezuelana a se desfazer do presidente Nicolás Maduro e de tudo o que fosse a revolução bolivariana, a qual organismos internacionais tinham reconhecido grandes avanços contra a pobreza na Venezuela. Não podemos esquecer que esta atingia 80 por cento da população quando Chávez chegou ao governo em 1999.

De suas promessas de campanha, a única que cumpriu Mauricio Macri foi sua tarefa central, que era tentar encabeçar as ações golpistas contra a Venezuela, de se destacar para demonstrar a Washington que era o melhor e mais fiel mordomo para ajudar em seu projeto de recolonização da América Latina, incluindo o seu país, cujo Estado e soberania estão sendo avassalados e destruídos.

Disputando com outros presidentes para ver quem é mais entreguista, com um gabinete onde todos e cada um de seus ministros pertence a alguma fundação dos Estados Unidos, como sua ministra de Segurança Patricia Bullrich, militante da sinistra UnoAmérica, esta administração governamental tem sido considerada diretamente um governo de ‘Wall Street’, e isto dito pela agência estadunidense Bloomberg (março de 2016).

Ademais, Bloomberg mencionava em seu artigo que Wall Street tinha novamente vento a favor na nova Argentina e manipulava a lista de seus funcionários, ‘alunos’ de JP Morgan e Deustche Bank que dominam os postos importantes.

Acrescentava que Goldman Sachs Group Inc., Barclay Inc. e Morgan Stanley estavam representados também em ex-integrantes, agora em postos chave no Banco Central e na agência estatal de títulos de pensões ANSES do governo de Macri.

Reconhecia que este vinha a desfazer tudo o que foi desenvolvido pelos governos de Néstor e Cristina Kirchner rapidamente, com profissionais especializados nas leis do livre mercado.

Dois anos depois, este governo tem 4.800 milhões novos pobres, viola os direitos sociais e humanos, governa a ‘decretaços’, mantém verdadeiros presos políticos, assassinaram dois jovens no sul do país, apoderou-se da justiça, persegue juízes honestos, e manipula econômica e politicamente 98 por cento dos meios de imprensa.

Também entrega territórios para bases dos Estados Unidos, assinando acordos de segurança pelo qual tropas do Comando Sul podem estar neste país, além de importar assessores estadunidenses e israelenses para as forças de segurança que estão assolando nossos povos.

Este governo que entrega Malvinas à Grã-Bretanha, país onde a família Macri tem milhões de dólares ocultos, fecha escolas, teatros, fontes culturais, arrasa com tudo que tenha relação com a história pátria, condenando à fome milhões de moradores. Este mesmo governo que pede intervenção supostamente ‘democrática e humanitária’ – como se isso fosse possível – contra a Venezuela.

Agora Macri está premiando o golpismo mais cruel e criminoso, que tenta asfixiar o povo venezuelano, o país onde mais eleições se realizaram na história da América Latina.

Provea é parte da série de fundações administradas pelo Pentágono e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, como a NED, a Usaid, as Ford, Open Society de George Soros, e outras, incluindo canadenses, britânicas, europeias que administram a maioria dos meios de comunicação do mundo e controlam 95 por cento da informação, isto é, da desinformação que circula a nível universal.

O financiamento também aos meios de comunicação converteram-nos em parte essencial das guerras, como se fossem armas de destruição em massa…

É uma ofensa e um deboche o prêmio ao Provea, como também é o fato de que Human Rights Watch seja admitida em nossa América como uma organização de Direitos Humanos, quando trabalha diretamente para a CIA estadunidense.

Estados Unidos quer arrancar de nossas mãos a verdadeira luta pelos direitos humanos e transformá-la criminosamente em supostos organismos humanitários, que servem às atuais guerras de ocupação colonial e às guerras contra-insurgentes que se aplicam contra todos os governos populares e soberanos da América Latina.

A imoralidade desta situação supera todos os limites. E é este grupo de presidentes, que se auto-qualificam de democratas, os que ajudam no desabastecimento da Venezuela, ao bloqueio, ao contrabando de alimentos, gasolinas, divisas, roubando medicamentos, destruindo edifícios, universidades, centros de saúde com sabotagens e supostas marchas pacíficas, utilizando mercenários como nas guerras do Oriente Médio e deixando morte e desolação.

As grandes potências terroristas querem agora vir por nós. Não lhes bastaram os saques e o genocídio de dois séculos? Os governos europeus estão ajudando os Estados Unidos e Israel a apoderar-se colonialmente de nossa América. Quantas vidas vai custar isto?

E o que dizer da Organização de Estados Americanos (OEA) cujo secretário-geral, Luis Almagro, encabeça o golpe contra a Venezuela e o fará contra todos aqueles governos que os Estados Unidos querem submeter para instalar seu novo projeto de colonialismo tardio sobre Nossa América.

Não podemos permitir que neste século XXI nos arrebatem o que temos conseguido no caminho da independência definitiva.

Nosso desafio é Recolonização ou Independência. E neste momento Venezuela é nossa grande muralha de contenção, junto a Cuba, Bolívia, Nicarágua e os países que tanto têm avançado em justiça social e soberania, e que não podemos deixar cair, porque de uma vez por todas devemos ser definitivamente livres de toda dominação.

Por isso dizemos com os movimentos de solidariedade à Venezuela, cercada por paramilitares e tropas estadunidenses, ameaçando com intervenção militar: ‘em nome da autodeterminação dos povos, da irmandade dos patriotas da Pátria Grande e dos princípios do humanismo verdadeiro, negamos a Macri qualquer autoridade para premiar em nome dos direitos humanos e ao Provea para recebê-lo’. TODOS SOMOS VENEZUELA.

*Prestigiada intelectual e jornalista argentina, colaboradora da Prensa Latina.

 

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