Bolsonaro vai quebrar o MERCOSUL?

jair_bolsonaro_640x360_-_carta_maior.jpg

Para a América Latina em movimento

O futuro presidente Jair Bolsonaro contempla a assinatura de acordos bilaterais de livre comércio, a fim de aumentar o crescimento económico ea produtividade, e, assim, incentivar o desenvolvimento tecnológico. O desenvolvimento com países avançados deve ser liberalizado para aumentar a competitividade nos setores de alta tecnologia, de acordo com o plano do governo. Para o próximo ministro da Economia, Paulo Guedes, o Mercado Comum do Sul (Mercosul, composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) tem sido uma associação ideológica, que só estabeleceu relações com o ideário bolivariano relacionadas com os governos. Assim, o presidente brasileiro se concentrará em tirar essa camisa de força, mas isso ameaçará romper o bloco regional.

Por um lado, os mercados do MERCOSUL perderam importância, pois representam apenas 9% do comércio exterior brasileiro. O fracasso da integração se reflete na paralisia de várias iniciativas, que foram esquecidas pelos governantes. Entre as propostas de maior importância, enfatizaram a adoção de uma unidade de conta para facilitar as trocas comerciais; o estabelecimento de um fundo de reserva para promover a estabilidade das taxas de câmbio; e, finalmente, a eliminação gradual de assimetrias entre economias. Todas essas iniciativas foram adiadas até que acabaram no canto do esquecimento.

Porque é proibido na organização, Bolsonaro não pode negociar acordos comerciais com autonomia. Até agora, os países membros estabeleceram coletivamente seus acordos de livre comércio com outros países (Israel, Egito, Palestina e África do Sul). Caso contrário, os membros precisam da aprovação dos outros países para assinar um contrato de forma independente. Portanto, o presidente terá que negociar novas regras ou tirar o Brasil da união aduaneira. Mas qualquer decisão tomada pelo presidente brasileiro, o estabelecimento de acordos que proporcionem benefícios substanciais para a indústria e a agricultura é impossível.

No plano nacional de exportação, a prioridade era aprofundar as relações comerciais com vários parceiros e blocos há três anos – incluindo os Estados Unidos, a China, a Aliança do Pacífico, a União Européia e os países do BRICS. Por um lado, o Brasil afetaria sua base industrial se assinasse um TLC com os países industrializados. Com seus parceiros do MERCOSUL, o governo brasileiro vem negociando um acordo de livre comércio com a União Européia há mais de vinte anos; com o qual promoveria a exportação de produtos agrícolas para o seu principal mercado. Para finalizar o conteúdo do acordo, o presidente Bolsonaro poderia negociar sozinho com a União Européia, mas as negociações seriam tão complicadas quanto as demandas dos europeus.

As diferenças entre as propostas dos negociadores do Mercosul e da União Européia abrangem diversas questões: o setor automotivo, as regras de origem, os produtos agrícolas, entre outros. Segundo a proposta européia, os produtos agrícolas dos países sul-americanos continuariam sujeitos às restrições de acesso aos mercados europeus e à imposição de tarifas. Além disso, os europeus exigiram eliminar as tarifas sobre o setor de autopeças em um curto prazo para posicionar suas mercadorias na América do Sul. Devido à sua superioridade tecnológica, os produtos europeus deslocariam a produção nacional de veículos, provocando o fechamento de fábricas e a perda de empregos no Brasil.

Agora os problemas são bastante críticos para a indústria automotiva, onde o Brasil e a Argentina são mais integrados. A integração ganhou força quando as empresas transnacionais dos EUA e da Europa se estabeleceram nos dois países para vender nos mercados da América do Sul no período pós-guerra. Mas a queda nas vendas de carros levou a cortes nos salários, além da demissão de trabalhadores na atual crise; com o qual as condições do mercado de trabalho se deterioraram. Além disso, as montadoras chinesas se estabeleceram recentemente no Brasil e na Argentina; situação que intensificará a competição com as demais empresas.

Em nota, a Confederação Nacional das Indústrias explicou que o MERCOSUL é importante para a indústria brasileira, já que o mercado argentino é o principal destino das exportações de manufaturados. Apesar da imposição de uma tarifa comum nos países membros, a indústria perdeu mercados no exterior. Diante de uma maior liberalização comercial, o retrocesso para a indústria seria irreversível, ficando definitivamente defasado em relação aos centros industrializados. E o pior é que o relançamento da integração industrial entre os países sul-americanos seria bastante complicado com o domínio das empresas transnacionais.

Podemos concluir que a política comercial de Bolsonaro é contraditória. Por um lado, o presidente brasileiro pretende apoiar o setor por meio da assinatura de acordos comerciais; mas a realidade é que desmantelará a produção devido à falta de uma política industrial. A estratégia do governo será reduzir o déficit fiscal cortando subsídios e ajuda financeira ao setor industrial. Diante da redução do apoio econômico, os empregos industriais serão reduzidos, atingindo duramente a classe média que apoiou sua candidatura nos estados industrializados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, entre outros.

Além disso, o governo brasileiro realizará privatizações, concessões e venda de imóveis para liquidar um quinto da dívida pública. Em uma entrevista, Paulo Guedes indicou que um programa de privatização não será realizado com cautela, mas cobrirá um grande número de ativos públicos. Portanto, o saldo das finanças públicas irá melhorar devido à redução do peso da dívida, mas o governo perderá ativos importantes para o desenvolvimento econômico. No pior cenário, o processo de privatização incluirá portos, estradas, aeroportos, energia elétrica e petróleo, aprofundando a desindustrialização.

Por outro lado, as tensões no setor agrícola poderiam levar à imposição de tarifas entre os países membros. Em um documento dirigido ao Bolsonaro, a bancada ruralista chamado para a implementação de mecanismos para proteger vários produtos agrícolas (leite, arroz, trigo, etc.) pela assimetria de, taxa de câmbio macroeconômica, políticas trabalhistas e ambientais no MERCOSUL. A aplicação de tarifas pelo governo brasileiro afetaria significativamente os outros países, porque o Brasil representa um comprador significativo de seus produtos agrícolas.

Para países pequenos como Uruguai e Paraguai, a relação seria mais desequilibrada com a aplicação de tarifas, já que reduziriam suas exportações para o Brasil. Num contexto em que a China não poderia compensar a perda de mercados para vários produtos, esses países seria assumir uma postura ofensiva contra o Brasil, elevando reivindicações em organizações regionais e multilaterais, como o Mercosul ea Organização Mundial do Comércio. O governo brasileiro enfrentará dificuldades para restaurar as tarifas no MERCOSUL; o que implicaria abandonar o objetivo inicial de se tornar uma área de livre comércio.

Para começar, o governo Bolsonaro teria que demonstrar que os países membros aplicaram uma política de concorrência desleal para justificar a imposição de tarifas. Deve ser lembrado que o governo brasileiro bloqueou a venda de produtos agrícolas, mas não conseguiu provar suas acusações contra seus membros em várias ocasiões. Além disso, Bolsonaro não conseguiria a flexibilidade do MERCOSUL para negociar acordos de livre comércio com essa guerra comercial. Portanto, o governo brasileiro estaria isolado por não ter fortes alianças para consolidar seu projeto de liberalização comercial na América do Sul.

Mas o que é certo é que a política comercial de Bolsonaro não favorecerá a integração da América Latina. Ao apoiar principalmente o setor exportador, o governo Bolsonaro acabará dando as costas aos seus eleitores; o que exacerbará o mal-estar da sociedade brasileira. Para enfrentar a crise, os governos teriam que fortalecer a integração econômica com a participação ativa de movimentos e organizações sociais. Caso contrário, os benefícios serão sempre para um punhado de empresas, deixando a população latino-americana de fora.

Categories: desenvolvimento, LIBRE COMERCIO, MERCOSUL, Uncategorized | Deixe um comentário

Navegação de artigos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: