Projecto Okavango recebe unidades hoteleiras em Maio.

Iniciativa dos países da região austral vai explorar áreas ricas em turismo e ecossistemas.

Cerca de 90 mil quilómetros quadrados da província do Cuando Cubango, definidos como parte integrante de Angola no projecto turístico internacional Okavango/Zambeze (KAZA), começa a receber as primeiras infra-estruturas hoteleiras de campanha a partir de Maio do próximo ano.

De acordo com o director-geral adjunto do Pólo de Desenvolvimento Turístico da Bacia de Okavango, João Baptista Gime, numa primeira fase, os mentores do projecto, denominado “Tu-rismo Móvel”, pretendem instalar acampamentos (tendas), devido à falta de vias de acesso que se vive em quase toda a extensão do perímetro do KAZA na região.
João Baptista Gime indicou que um grupo de investidores internacionais visitou recentemente algumas áreas do KAZA na província, tendo-se mostrado maravilhados com a fauna e flora existentes nos parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana e não querem esperar mais e manifestaram o desejo de começar com as actividades tão logo o período das chuvas termine. João Baptista Gime realçou que a parte angolana inserida no projecto Okavango/Zambeze dispõe de uma biodiversidade praticamente virgem, onde despontam os rios Cubango, Cuito, Cubango e Cuanavale, nos quais pesquisadores da National Geographic descobriram espécies aquáticas raras no mundo, além de possuírem extensas zonas navegáveis.
O director-geral adjunto do Pólo de Desenvolvimento Turístico da Bacia de Okavango esclareceu que o “Tu-rismo Móvel” vai contar com o apoio de uma base de helicópteros para transportar os turistas para os acampamentos que, além das excelentes condições de acomodação, guias turísticos qualificados, vão dispor também de viaturas a todo terreno e barcos de recreio.
Nestas áreas, os turistas, além de usufruírem da vida selvagem dos parques nacionais de Mavinga, Luengue-Luiana e de outras zonas paisagísticas, também podem exercer acções de pesquisa das diferentes espécies do nosso país e interagir com as comunidades que vivem nos arredores.
João Baptista Gime disse que os parques nacionais de Mavinga, Luengue-Luiana e outras áreas inseridas no projecto KAZA estão a despertar o interesse de várias organizações mundiais interessadas em promover o turismo, ecoturismo e a conservação da vida selvagem por se tratar de zonas nunca antes exploradas neste domínio. No Cuando Cubango está, além de operadores do turismo a nível mundial, especialistas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Mundial (BM) e da African Parques, uma organização africana com o foco virado nas áreas de conservação da biodiversidade.

Atribuição de vistos
De acordo com o director-geral adjunto do Pólo de Desenvolvimento da Bacia de Okavango, é necessário que o Governo angolano estabeleça um programa de emergência para a construção de estradas em todo o perímetro do KAZA, para que a indústria do turismo possa gerar receitas para os cofres do Estado.
João Baptista Gime disse que o Estado angolano deve igualmente criar condições favoráveis de atribuição de vistos, de entrada e saída, no aeroporto Comandante Kwenha, em Menongue, e 23 de Março, no Cuito Cuanavale, para facilitar a circulação dos turistas.
João Baptista Gime defende igualmente a abertura dos postos fronteiriços de Mucusso, Bwabwata, Bico de Angola, e Dirico para facilitar o fluxo dos turistas que pretendem visitar os parques nacionais de Mavinga, Luengue-Luiana e outras áreas de lazer.
Com uma área total de conservação de 444. 466,21quilómetros quadrados, o pro-
jecto KAZA está a ser implementado por cinco Estados membros, designadamente Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe.
Entre os cinco Estados membros, a parte angolana inserida no projecto KAZA continua a ser a menos desenvolvida em termos de infra-estruturas hoteleiras, falta de comunicações, sistemas de Internet, água potável, energia eléctrica e de estradas asfaltadas que tem resultado na perda de milhões de dólares, de acordo com João Baptista Gime.

Sede do KAZA
O município do Cuito Cuanavale foi escolhido pelo Executivo angolano para albergar a sede da ATFC/Kaza (Área Transfronteiriça de Conservação Kavango/Zambeze) na componente angolana que, na província do Cuando Cubango, abrange ainda as localidades do Dirico, Mavinga e Rivungo.
Está prevista a construção de um edifício numa área de 2.600 metros quadrados, com dois pisos, uma sala de conferências, escritórios, agências de turismo, biblioteca, cozinha, refeitório, um parque de estacionamento para 50 viaturas, entre outros compartimentos.
A falta de recursos financeiros para o arranque das obras, de acordo com  João Baptista Gime, deve-se ao facto de Angola ser o único dos cinco países membros que não tem acesso aos cerca de 15,5 milhões de euros que são colocados anualmente à disposição dos doadores internacionais para a construção de infra-estruturas e conservação ambiental, pelo facto de não ter assinado, até agora, o tratado do KAZA/ATFC.

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Categories: ANGOLA, ÁFRICA, ECONOMIA, Uncategorized | Etiquetas: | Deixe um comentário

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