Estados Unidos se isolam em sanções contra Cuba.

Reações se espalharam por várias partes do mundo.

 

O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel Bermúdez, respondeu ao governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, que anunciou o endurecimento do bloqueio à ilha. Cuba “não mudará a atitude em relação àqueles que seguram a espada contra nós. Nós, cubanos, não nos rendemos, nem aceitamos leis sobre nossos destinos que estão fora da Constituição. Em Cuba mandamos os cubanos. Cuba confia em seus pontos fortes e em nossa dignidade, disse ele em sua conta no Twitter.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parilla, disse que Cuba avaliou a decisão dos Estados Unidos como “uma escalada agressiva”, e chamou de “imagem patética o discurso ridículo do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton”. A cena é totalmente delirante. Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos, em Miami, diante de um “público escolhido”, composto de apátridas, afirmou.

Com arrogância absoluta, anunciou o conselheiro de Segurança Nacional que as “sanções contra a Venezuela têm a dupla finalidade de interromper o fluxo de petróleo da Venezuela para Cuba subsidiado e enfraquecer os regimes de Díaz-Canel e Maduro”.

“E termina com uma verdadeira joia da oratória: Esta região deve estar livre do despotismo e da dominação externa. Ele nunca disse uma verdade maior: Cuba e Venezuela estão livres do despotismo e da dominação externa e assim serão a região e o mundo. Bolton promete o impossível porque nunca terá Cuba ou a Venezuela. A Doutrina Monroe foi enterrada nas areias de Playa Giron, no glorioso 19 de abril de 1961”, disse o chanceler.

Segundo ele, a aplicação das medidas do bloqueio “é um atentado ao direito internacional e à soberania de Cuba e de terceiros Estados”. “A escalada agressiva dos Estados Unidos contra Cuba fracassará. Como em Girón, vamos vencer”, disse Rodríguez em sua conta no Twitter.

Venezuela

O governo de Cuba reiterou que não mantém efetivos militares e de segurança na Venezuela, embora considere que a colaboração no sector da Defesa é um “direito soberano de dois países independentes”. Numa declaração oficial, na qual condena as novas medidas de pressão anunciadas pela Casa Branca, nomeadamente, a ativação do capítulo III da lei Helms-Burton, bem como novas restrições no mercado e viagens, Havana refuta as acusações de Washington sobre a sua responsabilidade na situação venezuelana.

Segundo Cuba, os Estados Unidos “mentem, descaradamente, ao alegar que Cuba mantém na Venezuela milhares de forças militares e de segurança, influenciando e determinando o que ocorre nesse país”, principal aliado da ilha caribenha. No texto, publicado nas primeiras páginas dos principais jornais diários, o governo cubano acusa a administração norte-americana de aplicar sanções que visam “asfixiar, economicamente”, a Venezuela e “provocar sofrimento na população”.

“Washington chegou ao ponto de pressionar governos de países terceiros para que tentem persuadir Cuba a retirar esse suposto e implausível apoio militar e de segurança, e até a parar de prestar apoio e solidariedade à Venezuela”, refere-se no documento.

Segundo o Governo de Miguel Díaz-Canel, os serviços de inteligência norte-americanos têm “provas mais que suficientes, seguramente, mais do que qualquer outro Estado, para reconhecer que Cuba não possui tropas nem participa em operações militares nem de segurança na Venezuela”.

“É um direito soberano de dois países independentes determinar como cooperar no sector da defesa, o que não compete aos Estados Unidos”, salientou o executivo, acrescentando que os cerca de 20 mil colaboradores cubanos na Venezuela apenas prestam “serviços sociais básicos”.

“Nenhuma ameaça de represálias contra Cuba, nenhum ultimato nem chantagem do actual Governo norte-americano irá desviar a conduta internacional da nação cubana”, garante a declaração.

Cuba reafirmou ainda a sua “firme determinação” em enfrentar a nova “escalada agressiva” de Washington, na sequência das novas sanções da administração do Presidente Donald Trump contra a ilha. De acordo com o governo cubano, estas medidas visam “impor a tutela colonial“ sobre a ilha.

“O governo Revolucionário repudia também a decisão de voltar a limitar as remessas que residentes cubanos nos Estados Unidos enviam aos seus familiares, de restringir ainda mais as viagens dos cidadãos norte-americanos a Cuba e de aplicar sanções financeiras adicionais”, diz o texto.

Europa

Mensagens da Rússia, China, Bélgica e México condenaram a atitude dos Estados Unidos. “Reiteramos que estamos na contramão das sanções unilaterais e que as restrições só podem ser legítimas se estão avaliadas pela ONU”, declarou a porta-voz da Chancelaria russa, María Zajarova, a uma pergunta de Pensa Latina, no V Foro Econômico Internacional de Yalta.

Numerosas organizações de solidariedade refutaram na Bélgica o anúncio de Washington. A União Europeia (EU) e o Canadá reagiram mediante um comunicado conjunto, emitido pela alta representante para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini; a comissária de Comércio, Cecilia Malmstrom; e a ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland.

Freeland precisou também que Ottawa está profundamente decepcionada pelo anúncio e revisará todas as opções para defender os interesses de seus nacionais que realizam negócios com Cuba. Nos Estados Unidos, o presidente do Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes, Eliot Engel, considerou que a decisão de ativar o Título III da Lei Helms-Burton isolará Washington de seus aliados. A União Europeia e o Canadá afirmaram que pretendem defender os interesses de suas empresas diante da Organização Mundial de Comércio (OMC), se necessário.

A União Europeia responderá se o governo dos Estados Unidos impuser sanções aos investimentos em Cuba, disse o ministro francês da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, nesta quinta-feira (18). “Se a administração americana decidir impor também um regime de sanções aos investimentos em Cuba, contrariando o que foi decidido há vários anos pelos nossos aliados americanos, reagiremos. A Europa também reagirá e está disposta a impor sanções ao nosso lado”, afirmou Le Maire.

Carta da ONU

A China disse que “opõe-se sempre à imposição de sanções unilaterais, fora do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang, em conferência de imprensa. O porta-voz lembrou que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos já causou “grandes danos” ao desenvolvimento econômico e social de Cuba e “dificultou” a vida ao povo cubano.

Lu pediu a Washington que siga os princípios e propósitos básicos da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional e retire o bloqueio a Cuba, de acordo com os interesses dos cubanos, do desenvolvimento da ilha e dos próprios EUA. “Muitos países expressaram a sua rejeição e a China sempre pediu aos Estados Unidos que ajam de acordo com os princípios do respeito mútuo e da coexistência pacífica, que são o caminho correto para as relações entre os estados”, acrescentou Lu.

O governo britânico também criticou o anúncio. “A aplicação extraterritorial das sanções do título III, que consideramos ilegais sob a lei internacional, ameaça prejudicar as empresas britânicas e europeias que fazem negócios legais em Cuba ao expô-las a processos judiciais nos Estados Unidos”, explicou em comunicado o Foreign Office. “Vamos trabalhar em conjunto com a UE para proteger os interesses de nossas empresas”, acrescentou.

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