Ponte para construção e preservação da paz

João Dias

O Chefe de Estado, João Lourenço, afirmou ontem, em Luanda, que “só com paz o continente poderá atingir o desenvolvimento e implementar a Zona Livre de Comércio Africano”.

O Presidente João Lourenço, que presidiu a cerimónia de abertura da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, reforçou que “só com paz o continente poderá atrair o investimento privado estrangeiro, industrializar-se e passar a acrescentar valor aos seus principais produtos de exportação.”
Como refere o tema principal da bienal, “Construir e preservar a paz, um movimento de vários actores”, o Chefe de Estado angolano lembrou que a paz é um processo inclusivo que exige a participação consciente de todos que se preocupam com questões candentes que urge resolver.
Na visão do estadista angolano convém, neste sentido, dar especial ênfase à promoção da cultura, da investigação e da educação e o papel que podem desempenhar as organizações da juventude e das mulheres nos meios de comunicação tradicionais e digitais na resolução de conflitos e na promoção de uma cultura de paz.

Perigo das redes sociais

No Centro de Convenções de Talatona e num discurso de dez minutos, João Lourenço destacou a importância dos meios de comunicação tradicionais e digitais na difusão e valorização das realizações culturais do países africanos. Entretanto, alertou para os perigos que os mesmos representam, quando utilizadas para desinformar e adulterar a realidade dos factos com o objectivo de criar convulsões sociais ou usurpação de poder de entidades legítimas e democraticamente eleitas.
“A crescente importância das redes sociais no seio da juventude deve ser aproveitada, sobretudo, para o reforço da cultura da paz e da não violência”, sublinhou João Lourenço, para quem uma das grandes tarefas reservadas às lideranças políticas do continente e actores da sociedade civil passa pelo cumprimento dos objectivos da União Africana, cuja agenda pretende “silenciar” as armas até o próximo ano.
“Este objectivo é aparentemente difícil de atingir, mas o legado que nos foi deixado pelos pais fundadores do continente que ergueram bem alto a bandeira do pan-africanismo (…) constitui, para nós, uma fonte de inspiração pelos esforços que juntos temos de empreender para pôr termo em definitivo aos conflitos que, lamentavelmente, assolam o continente desde o Sahel, África do Oeste, África Central e Grandes Lagos e o Corno de África”, disse.

Soluções sustentáveis

Aos homólogos do Mali e da Namíbia e representantes de organizações internacionais, João Lourenço pediu que sejam encontradas soluções sustentáveis para muitos dos problemas que África ainda vive, com realce para a fome, miséria, doenças, analfabetismo, as desigualdades sociais, o desemprego galopante, terrorismo, o fomento do tribalismo e a xenofobia.
Todos estes problemas, realçou, atrasam o desenvolvimento dos países africanos e o bem-estar das populações, e que um evento desta envergadura implica o intercâmbio de ideias das cabeças pensantes e criativas do continente, responsáveis por acções de empreendedorismo e informação.
“Várias disciplinas artísticas a serem apresentadas na Bienal são a expressão da criatividade dos artistas africanos e que podem contribuir, não só para a reafirmação de uma personalidade global, mas também para a promoção de valores culturais genuinamente africanos favoráveis à paz”, referiu.
João Lourenço defende a necessidade de se explorar, em tempos de profun-da globalização, o que de melhor se produz e se pratica no campo da Cultura, Educação, Ciência, das Tecnologias e da Investigação.
“Devemos preservar e ter a capacidade de fazer coabitar as nossas formas, nossas culturas e tradições africanas com aquilo que todos os dias recebemos da cultura de outros continentes e povos por intermédio dos diferentes médias”, recomendou o Presidente angolano, que afirmou que a Bienal de Luanda – Fórum Pan-africano da Cultura da Paz representa um passo importante para aprofundar o conhecimento das diferentes realidades africanas e reafirmar a identida-de no campo político, cultural e artístico e para uma troca fecunda de ideias.
Estas ideias, salientou, concorrem para o progresso e desenvolvimento de África, mas disse esperar que a Bienal sirva igualmente para atrair parceiros, designadamente empresas do sector público e privado, organizações filantrópicas e fundações, governos e bancos de desenvolvimento, organizações internacionais de natureza económicas regionais dispostos a contribuir com fundos e recursos para a cultura de paz em África e em várias diásporas.

Vítima do colonialismo

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, lembrou que a África foi vítima do colonialismo e continua a sofrer os seus efeitos até hoje. Por isso, afirmou, continua a precisar de paz.
“A ambição é, agora, alcançar uma África íntegra, próspera e em paz, e que o calar das armas deve ser um projecto que a todos nos toque, numa altura em que o Sahel continua a gerar preocupação, mas também a situação no lago do Tchad e o movimento do Boko Haram, a perpetuação de grupos extremistas, jiadistas e o crescente movimento de xenofobia mortífera que continuam a pôr em causa a paz preocupam”, realçou Moussa Faki.

Paz é comportamento

O Chefe de Estado namibiano, Hage Geingob, defendeu que as crianças devem ser educadas sobre coisas de paz e do amor no processo de pacificação.
O estadista alertou para o facto de as pessoas estarem famintas e sem emprego e que, por isso, os governos africanos deviam ser inclusivos económica e politicamente. “Quando uma raça ou etnia se sente excluída, haverá conflitos”, disse o Chefe de Estado da Namíbia, para quem é preciso que os governos se guiem pela transparência e confiança. O Presidente sublinhou que África deve começar a pensar na 4ª Revolução Industrial e na economia digital.
“Como falar de cultura de paz, se a África é excluída em tomar assento como Membro Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, questionou, acrescentando que “vamos todos caminhar para a mesma direcção.” O mundo deve se unir e caminhar na mesma direcção para fomentar a cultura de paz”, reforçou o estadista namibiano.

A paz aceita a diversidade

Presidente do Mali saudou Angola pela paz alcançada com o seu próprio esforço e mérito, há 14 anos, mas lembrou que nos caminhos da paz por An-gola passou Alioune Blondin Beye, cidadão maliano que morreu ao serviço da conquista da paz. “A minha saudação a todos os dirigentes angolanos que sempre foram exemplo de resiliência”, destacou.
Alertou para o facto do mundo ser um paradoxo, onde se assistem a alianças “contra natura”, numa altura em que se apregoa a aldeia global, marcadas pela indiferença e um liberalismo que cobrem ilegalidades.
O Presidente maliano alertou também para o perigo do que chama “era dos relativismos culturais e da religião”. “Tudo isso demanda tolerância e diálogo, solidariedade moral internacional. O mundo vai mal, mas não é uma fatalidade”, disse.
Em cinco dias, a Bienal de Luanda deve reflectir temas como “Confirmação de promessas de financiamento para África”, “Acordos e depoimentos de parceiros institucionais”, “Compromissos e testemunhas de parceiros do sector privado”, “Projectos e iniciativas para financiar em África”, “Prevenção da violência e resolução de conflitos através de cultura e da educação”, entre outros.

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