Zâmbia ajuda Angola a diminuir défice de oferta de electricidade

Os governos de Angola e Zâmbia assinaram, na sexta-feira, um acordo de cooperação no sector eléctrico, mediante o qual os municípios angolanos fronteiriços à Zâmbia passarão a receber energia eléctrica daquele país vizinho.

A Rede Nacional de Transporte (RNT), por parte de Angola, e a Zambian Electricity Supply Corporation (ZESCO), pela Zâmbia, serão as principais operadoras do acordo de cooperação, segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

Os titulares dos dois ministérios da Energia, nomeadamente, João Baptista Borges, por Angola e Matthew Njhuwa, pela Zâmbia, deram indicações no sentido de as duas operadoras públicas iniciarem imediatamente as acções constantes do acordo, nomeadamente, a criação de mecanismos que viabilizem a troca de informação e intercâmbio constantes, bem como a implementação de projectos de interconexão de transmissão.
Antes da assinatura do acordo, João Baptista Borges participou na sétima reunião do Conselho de Ministros da ZAMCOM, órgão regional integrado por oito países, cujo propósito é a gestão da bacia hidrográfica do Zambezi.
Na ocasião, o embaixador de Angola na Zâmbia, Azevedo Francisco, que acompanhou a visita, destacou “o bom momento das relações entre os dois países” e anunciou que será assinado em Março, em Luanda, um acordo para a construção do oleoduto, destinado ao fornecimento de derivados de petróleo de Angola para Zâmbia.
Em Abril deste ano, o ministro zambiano da Energia irá visitar Angola com uma delegação composta por técnicos e empresários do sector eléctrico, visando identificar outras áreas de interesse comum e promover a troca de experiências.
O fornecimento de energia à Zâmbia é assegurado, em 85 por cento, por quatro fontes hidroeléctricas e uma estação térmica.
As autoridades angolanas, de acordo com o director nacional para os Recursos Hídricos, Manuel Quintino, querem uma melhor partilha do aproveitamento hidroeléctrico de Caribe, na Zâmbia, para o qual rios de Angola contribuem com mais de 40 mil milhões de metros cúbicos de água por ano.
Manuel Quintino disse ter levado ao encontro, na condição de técnico, o tema sobre a regularização das contribuições dos países membros da comissão.
Sobre a repartição de energia da bacia do Caribe, o responsável disse que as autoridades angolanas pretendem, como contrapartida, uma melhor distribuição da electricidade produzida naquele aproveitamento hidroeléctrico para beneficiar os municípios angolanos fronteiriços à Zâmbia.
A comissão é integrada por Angola, que assume agora a vice-presidência da ZAMCOM, tendo o Zimbabwe na presidência, e pelo Botswana, Malawi, Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Zâmbia.
No encontro procedeu-se ao balanço das acções desenvolvidas pelos países membros da ZAMCOM, nos últimos dois anos, e à aprovação da nova agenda de trabalhos.

Jornal de Angola

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