Bolsonaro, como um bug ruim

Com cerca de três milhões de infestados e cerca de 130.000 mortes, como resultado da nova pandemia de coronavírus COVID-19, qualquer um poderia supor que o manuseio incorreto da crise seria o golpe de misericórdia para terminar de enterrar o extrema-direita Jair Bolsonaro, abandonado por colaboradores próximos que previram o naufrágio do navio onde o presidente viaja.

Mas não tem sido assim, e sim a decisão presidencial de manter lojas e fábricas abertas para evitar prejuízos aos magnatas do setor e de rejeitar o lógico confinamento sanitário conquistou para ele o apoio de milhões de brasileiros que vivem em condições precárias e dependem principalmente da informalidade para sobreviver.

Isso se explica em um sistema que não é obrigado a evitar a morte de fome e é comandado por um presidente que aproveita inclusive o fato de ter sido duas vezes infestado pelo COVID-19 para criar uma imagem “supermaníaca” e um exemplo a seguir.

Assim, ele viajou estado após estado e alcançou lugares remotos para apoiar os candidatos de seu partido nas próximas eleições municipais, a fim de se sustentar no poder e alcançar uma futura reeleição presidencial.

Infelizmente, o teimoso presidente sai impune, justamente com o apoio de seus fãs e de uma parte da massa popular que ele despreza, como mulheres, negros e homossexuais.

Com os indígenas a questão é diferente, pois quebraram a promessa de respeitar as terras que possuem, muitas delas sendo entregues aos que controlam o agronegócio do país, vítimas de uma economia em que já existe. 15 milhões de desempregados, e 120 milhões dos 150 milhões com mais de 16 anos e quase sem salários.

Nada de novo na atitude de um personagem que, já em 1998, quando era deputado federal, disse em entrevista que era uma pena que a cavalaria brasileira não tivesse sido “tão eficiente quanto a americana, que exterminou todos os índios”.

Em 2018, Bolsonaro disse a repórteres que os antropólogos mantiveram os brasileiros nativos “como animais em um zoológico” e que eles deveriam ter permissão para se beneficiar da agricultura e da mineração. Alguns povos indígenas apoiaram seu plano de permitir a agricultura comercial nas reservas, apenas para mais tarde provar que haviam sido enganados.

O Ministério da Agricultura já determinou a entrega de dezenas de milhares de quilômetros da Amazônia, 13% do território nacional, a fazendeiros locais, o que ampliará a zona de desmatamento da região, essencial para tentar se defender a mudança climática.

Às denúncias iniciais de Bolsonaro contra “seres inferiores”, houve um silêncio total cúmplice para tentar atrair o voto adicional daqueles grupos, nos quais se destacaram ofertas a caciques que foram fecundas.

Mas então, depois de declarar pública e demagogicamente que não suportava que os índios fossem pobres na terra dos ricos, ele se deu a tarefa de persegui-los, na qual, embora não tenha sido divulgado, alguns de seus líderes estavam desaparecidos.

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