CEPAL adverte que a América Latina demorará a sair de sua pior crise em 100 anos

Bárcena disse que esta será uma “década perdida” que representará uma queda de 9,1% no Produto Interno Bruto (PIB)

Vendedores ambulantes en México, en medio de la pandemia de coronavirus.

Vendedores ambulantes no México, em meio à pandemia de coronavírus. Foto: Notícias da ONU

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) alertou nesta terça-feira que a recuperação da crise global causada pela pandemia de Covid-19 levará vários anos e significará maiores níveis de pobreza e desemprego na região da América Latina e Caribe, refere Telesur.

É “a pior crise dos últimos 100 anos, com grandes impactos sociais e produtivos”, disse a diretora da CEPAL, Alicia Bárcena, no meio da apresentação virtual do Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2020.

Além disso, Bárcena disse que esta será uma “década perdida” que representará uma queda de 9,1 por cento no Produto Interno Bruto (PIB).

Ele especificou que os efeitos serão maiores porque a crise vai durar mais do que o estimado quando estourou a pandemia e, entre os impactos, citou o fechamento de 2,7 milhões de empresas formais e a situação de desemprego em que ficarão 44 milhões de pessoas.

O presidente da CEPAL lembrou que 54% da população da América Latina e do Caribe trabalha na economia informal (159 milhões de pessoas) e que 23% dos desempregados não podem teletrabalhar por dificuldades de acesso a Internet.

Indicou que 231 milhões de pessoas estarão em situação de pobreza, cifra semelhante à existente em 2004, e 96 milhões em situação de extrema pobreza, cifra semelhante à existente em 1990.

CEPAL@cepal_onuTras la crisis del #COVID19 la recuperación y la dinámica de crecimiento enfrentan importantísimos desafíos. Hay una gran incertidumbre respecto a la economía internacional; los efectos negativos van a perdurar por años: @aliciabarcena#EstudioEconómico. https://bit.ly/3nlQibd

6:28 p. m. · 6 oct. 2020

Quebra e recuperação

Depois de afirmar que na América Latina e no Caribe houve uma queda de 9,1% do PIB, em função da contração sofrida por nove economias e da desaceleração de outras oito desde o primeiro trimestre deste ano, informou que estima-se que o PIB da América do Sul e da América Central caiu 9,5% e 8,4%, respectivamente, enquanto o PIB do Caribe cairia 7,9%, explicou.

Ele também vinculou essa situação à queda de 6,5% que os Estados Unidos (EUA) terão, 8,7% no caso da Europa e 1% para a China, embora este último país já tenha crescido 3,2 por cento durante o segundo semestre.

Bárcena disse que “a recuperação vai ser muito mais lenta” e que se verificará a partir de 2025 se a região atingir níveis de crescimento que dupliquem os 1,8 por cento alcançados nos últimos anos.

A governante apelou à manutenção de políticas macroeconómicas activas para ultrapassar esta complexa situação e, entre as suas propostas, mencionou uma política fiscal expansiva, receitas públicas e regulação dos fluxos de capitais.

O documento Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2020. Principais determinantes das políticas fiscais e monetárias na era pós-pandêmica da COVID-19 indica que a região vive a pior crise econômica em um século e prevê uma contração de 9,1% neste ano, o que equivale a um retrocesso de 10 anos em termos de crescimento.

A pandemia COVID-19 tem um impacto histórico negativo econômico, produtivo e social, com consequências e efeitos de médio prazo sobre o crescimento, aumento da desigualdade, pobreza e desemprego.

CEPAL@cepal_onuLa recuperación de la crisis del #COVID19 será más larga y lenta de lo previsto, advierte la #CEPAL, vía @NoticiasONU:La recuperación de la crisis del COVID-19 será más larga y lenta deAmérica Latina y el Caribe atraviesa su peor crisis económica en un siglo, dice la comisión económica de la ONU para la región. La recuperación requerirá de políticas macroeconómicas expansivas, quenews.un.org

Susana, de 14 años, baña a su pequeño sobrino detrás de su vivienda en un barrio pobre de una gran ciudad brasileña. La pobreza y la desigualdad obstaculizan el desarrollo social y sostenible en América Latina.

Políticas macroeconômicas expansivas

Alicia Bárcena explicou que para subir a ladeira é fundamental que os países da região mantenham políticas macroeconômicas expansionistas nas esferas fiscal e monetária.

“Devemos nos preparar para uma recuperação que não ocorrerá em 2021, nem provavelmente em 2022 ou 2023”, insistiu Bárcena, acrescentando que essa preparação implica políticas macroeconômicas ativas para retomar o crescimento e promover uma agenda de transformação estrutural.

“É necessário fortalecer as receitas públicas, manter políticas monetárias expansionistas convencionais e não convencionais e fortalecer a macro-regulação prudencial junto com a regulação do fluxo de capitais para preservar a estabilidade macro-financeira no curto e médio prazo. Aqui a cooperação internacional é fundamental para ampliar o espaço das políticas macroeconômicas ”, destacou.

O estudo indica que, para manter uma política fiscal ativa em um contexto de maior endividamento, os países da América Latina e do Caribe precisam aumentar sua arrecadação, que hoje é de 23,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, em relação ao 34,3% da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Evite a evasão fiscal

Detalha que para isso é preciso combater a evasão e a elisão tributária -que chega a 6,1% do PIB regional-, além de consolidar o imposto de renda da pessoa física e jurídica, ampliando o escopo do imposto sobre a riqueza e propriedade, e estabelecer impostos corretivos e de economia digital, como impostos ambientais e de saúde pública.

“Os países devem direcionar os gastos públicos para a reativação e transformação econômica, fortalecendo o investimento público em setores que promovam o emprego, a paridade de gênero, a inclusão social, a transformação produtiva e uma transição igualitária para a sustentabilidade ambiental”, disse Bárcena.

No que se refere à cooperação internacional, a CEPAL preconizou a ampliação da capacidade de financiamento e liquidez das instituições multilaterais de crédito, tanto no imediato como no médio prazo. “O curto e médio prazos começam no mesmo dia”, disse o chefe da comissão.

Distribuir liquidez

“Há liquidez no mundo, mas é mal distribuída”, comentou o diretor-executivo, lembrando que a América Latina tem dificuldade de acesso a empréstimos por ser considerada uma região de renda média.

Nesse sentido, pediu a expansão dos programas de crédito concessional aos países da região e incluí-los entre aqueles que precisam de alívio da dívida, como as nações caribenhas, caracterizadas por sua grande vulnerabilidade a desastres naturais e sua elevada ónus dos pagamentos de juros de crédito. Ele afirmou que o alívio desses pagamentos permitiria que esses recursos fossem usados ​​para o desenvolvimento e construção de resiliência.

Bárcena defendeu a implementação de mecanismos de solidariedade para a distribuição de liquidez como o Fundo de Alívio da Economia COVID-19, proposto pela Costa Rica, que propõe a extensão de créditos de longo prazo aos países em desenvolvimento – inclusive de renda média – (quase 50 anos) com taxas próximas de zero. Essa iniciativa exigiria 516 bilhões de dólares das economias desenvolvidas e os empréstimos seriam canalizados por meio de bancos multilaterais para impulsionar a recuperação.

Apesar das condições favoráveis ​​delineadas nesta proposta, Bárcena destacou que não se trata de uma dádiva, mas de uma demonstração de solidariedade que beneficiaria todos os países porque ajudaria na recuperação e no retorno ao crescimento e desenvolvimento da economia mundial. “Não é de graça, não é uma bolsa, é dinheiro que seria pago”, disse.

Fonte de informação: Telesur, Cepal e UN News

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