A fraude que nunca foi: uma história verídica na Bolívia

Por Yasiel Cansio Vilar La Paz, 22 oct (Prensa Latina)

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e seu secretário-geral, Luis Almagro, são hoje alvo de críticas regionais por seu papel no golpe na Bolívia no ano passado.
Todo governo de esquerda ou apenas de inclinação progressista na América Latina está sempre sob vigilância constante desde o primeiro dia de sua administração e a Bolívia, com Evo Morales e o Movimento ao Socialismo (MAS), não foi exceção.

Diante do indiscutível e amplo apoio popular desde sua chegada ao poder em 2006, as facções de direita e a OEA sempre tentaram tirar o líder cocaleiro do poder e, nas eleições de 20 de outubro de 2019, concretizaram seu desejo.

Após a votação em que Morales foi o vencedor, a OEA denunciou supostas irregularidades e começou a movimentar a máquina de desestabilização regional, e os grupos extremistas geraram o caos no país.

Manifestações violentas, queima de centros eleitorais, maus-tratos físicos a membros do MAS e a traição à democracia por altos comandantes do Exército e da Polícia marcaram a problemática realidade do país.

A OEA não apóia as fraudes, as denuncia, seja de esquerda ou de direita, enfatizou o secretário-geral da entidade regional, Luis Almagro, ao questionar essas eleições.

Após 21 dias de protestos radicais em vários departamentos do país e pressões internas e externas, em 10 de novembro Morales decidiu renunciar à presidência e deixar o país, enquanto o governo de fato assumia as rédeas com Jeanine Áñez como presidente, 11 de novembro.

Quase um ano depois, toda a retórica da possível fraude de Evo Morales caiu no vazio na velocidade da luz e até mesmo a comunidade internacional e muitas organizações de observadores reconheceram ‘seu erro de julgamento’, após consumar a vitória esmagadora do MAS nas eleições generais no último domingo.

O MAS e seu candidato à presidência, Luis Arce, venceram sem objeções com mais de 54 por cento dos votos, apesar das campanhas de descrédito contra eles e da perseguição a que muitos dirigentes da organização foram submetidos pelo Governo de fato.

Agora não há dúvida. Todos sabem que não houve fraude nas eleições de 2019.

Revisamos a votação de 2020 em 86 distritos que foram contestados pela OEA na eleição boliviana de 2019, de acordo com um estudo do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (Celag).

Essa foi a desculpa para falar de fraude. Verifica-se que o MAS efetivamente tem o mesmo voto (ou até mais votos). Nunca houve fraude, enfatiza esta instituição, que se dedica à análise dos fenômenos políticos, econômicos e sociais nos países da América Latina e do Caribe.

Da mesma forma, exigiu o rebaixamento de Almagro devido ao seu papel inflamatório em suas declarações de suposta fraude, apesar de fazê-las sem dados firmes ou verificados.

Mesmo os grandes monopólios de comunicação inverteram sua narrativa inicial de fraude e já aceitam que a OEA trapaceou na Bolívia em 2019, explicou Guillaume Long, ex-ministro das Relações Exteriores do Equador.

O Grupo de Puebla, por sua vez, deixou claro que “o questionamento eleitoral da OEA desencadeou uma situação de violência política e social, que culminou em um golpe e na conseqüente renúncia do presidente Evo Morales”, refugiado na Argentina.

Ele também enfatizou que a liderança de Almagro na OEA “é seriamente questionada” e exigiu “sua saída” da organização porque “ajudará a restaurar a paz e reativar a integração regional”.

Samuel Moncada, embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, também aderiu a essas opiniões e lembrou que ‘a OEA é um instrumento de agressão aos povos da América Latina e do Caribe (…) é uma ameaça à paz e segurança internacional ”.

O recente triunfo do MAS, com o qual foram esclarecidas todas as dúvidas sobre a suposta fraude de 2019, recebeu as felicitações de muitos governos e organismos internacionais, sendo inclusive reconhecido pelos Estados Unidos.

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