O bloqueio a Cuba e alguns efeitos “diários”

O bloqueio também afeta o setor de telecomunicações em Cuba

Por Laydis Milanés

A mensagem não me deixa continuar, até me incomoda. Eu uso o WeTransfer há alguns anos em meu trabalho para compartilhar vídeos ou arquivos grandes facilmente e em pouco tempo. Uma maravilha. Ainda assim, há aquelas letras atrevidas na tela que querem me dizer algo: “O governo dos EUA proíbe o fornecimento de certos produtos e serviços a países específicos. O que significa que, infelizmente, não podemos fornecer nossos serviços a você. “

Conclusão: WeTransfer não pode mais ser acessado de Cuba por meios tradicionais. Assim de simples. Agora a plataforma se junta aos mais de 30 sites proibidos por Cuba, dos quais 18 pertencem ao Google.

Isso me incomoda, sim, mas não me surpreende. São conseqüências do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que atravessa os diversos setores do país e atinge cada um deles. Na área de tecnologia da informação e telecomunicações, só em 2020, devido ao ressurgimento desta política, foram registrados mais de 65 milhões de dólares em perdas no setor.

E tem mais. O bloqueio limita as receitas de exportação de serviços de telecomunicações. Nesse caso, o serviço de correio aéreo é um dos mais afetados. De fato, a empresa americana American Airlines, a partir da ativação do Título III da Lei Helms-Burton, suspendeu seu contrato com os Correos de Cuba e a empresa recorreu a outra companhia aérea para conseguir a chegada dos pacotes daquela nação norte-americana. Os custos dobraram.

Como se não bastasse, o bloqueio proíbe Cuba de acessar produtos que tenham 10% ou mais de componentes norte-americanos. Desta forma, fica limitada a aquisição de tecnologias e equipamentos de alto desempenho e líderes de mercado, que são distribuídos ou possuem patentes de entidades norte-americanas, incluindo telefones fixos, celulares, antenas, sistemas de informática. Como consequência, o país se vê obrigado a comprar em outros mercados, bem mais distantes e, portanto, com gastos maiores.

O bloqueio é real, não um capricho nosso. Afeta as dimensões do país e também as pessoais, no dia a dia. Não é fácil, mas enquanto isso, nós cubanos buscamos alternativas, tentamos evitar obstáculos, evitamos tropeçar, resistimos, caminhamos.

Categories: bloqueo | Etiquetas: , , | Deixe um comentário

Navegação de artigos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: