Um “relatório” para reativar a agenda de intervenção “humanitária”

Mais uma vez, a Venezuela continua no epicentro da crise institucional e do uso da ONU para fins políticos remotos (Foto: UN Press

Em 20 de setembro, foi publicada uma apresentação inicial do que será um novo relatório da chamada Missão Independente para Determinar os Fatos na Venezuela do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

A Missão apresentará as conclusões e recomendações do relatório de 2022 ao Conselho na sessão de diálogo interativo de 26 de setembro de 2022. Isso indica que o relatório em si não foi publicado. No entanto, os comentários já publicados (sem detalhes) na página do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos já viraram tendência, mas ocupando uma posição avançada.

Assim como em setembro de 2020, quando foi publicado um primeiro relatório, a chamada missão desencadeou um arsenal de acusações importantes e graves contra o país caribenho, desta vez apontando para as “linhas de comando” dos componentes de segurança venezuelanos.

No entanto, como tem acontecido desde a formação desta missão, persistem os problemas subjacentes que afetam seriamente a credibilidade de seus relatórios, assim como a instrumentalização de suas publicações para promover debandadas políticas, comunicacionais e midiáticas adversas à Venezuela.

Um prelúdio divulgado para o relatório de 2022

A publicação, que como prelúdio se refere ao relatório inédito de 2022, aponta que “as agências de inteligência do Estado da Venezuela, tanto civis como militares, funcionam como estruturas bem coordenadas e eficazes para a execução de um plano, orquestrado desde os mais altos níveis de governo, para suprimir a dissidência cometendo crimes contra a humanidade.

Acrescentam que “o Estado venezuelano utiliza os serviços de inteligência e seus agentes para reprimir a dissidência no país. Isso leva à prática de crimes graves e violações de direitos humanos, incluindo atos de tortura e violência sexual”.

Referem-se mais uma vez à Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e ao Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) como autores materiais de crimes aberrantes, leia-se bem, através de uma “máquina” posta em prática “pelo Presidente Maduro e outros autoridades como parte de um plano deliberado do governo para suprimir críticas e oposição”.

Para os editores da publicação, que certamente está de acordo com a reportagem que será divulgada no ar, não há grandes distinções entre as ações das forças de segurança e do presidente Nicolás Maduro. Observe a ênfase do documento em responsabilizar pessoalmente o presidente Nicolás Maduro como autor intelectual e principal funcionário da cadeia de comando na execução dos supostos crimes.

A publicação retoma marcos importantes na narrativa desta missão que foram utilizados durante seu lançamento em 2019 e seu relatório em 2020. Na verdade, eles vão para a reutilização de pontos do relatório de 2020, que são aludidos como se fossem resultados da investigação de 2020 e como forma de estabelecer um “manual” para o país em matéria de direitos humanos.
Mais uma vez, as deficiências subjacentes da missão

A publicação da prévia do relatório por vir estabelece textualmente:

“A Missão baseou as conclusões de ambos os relatórios em 246 entrevistas confidenciais com vítimas, seus familiares e ex-funcionários dos serviços de segurança e inteligência. As entrevistas foram realizadas pessoalmente e remotamente, usando conexões seguras de telefone ou vídeo. Além disso, foram analisados ​​registros judiciais e outros documentos relacionados aos incidentes. A Missão visitou áreas próximas às fronteiras com o país, porque desde sua criação em 2019 continua sem acesso ao território venezuelano”.

Mais uma vez, a chamada missão de “apuração de fatos” não conseguiu “apurar fatos” diretamente no país, ou seja, mais uma vez fizeram seu relato do exterior, sem verificar nada diretamente no terreno, sem ter informações oficiais , sem qualquer tipo de colaboração institucional e, portanto, sem mecanismos de verificação e contraste.

É evidente que este relatório também implementará o uso de fontes difusas, denominadas “anônimas”, das quais não se pode estabelecer confiabilidade e credibilidade. Referem-se a cerca de 246 supostas “vítimas” e “familiares” que hoje estão no exterior, que gozam de liberdade, que na Venezuela gozam de liberdade de comunicação e que ofereceram informações à missão.

Esses elementos são mais do que óbvios para enfraquecer a narrativa de crimes hediondos por parte do governo venezuelano, mas tal inconsistência não parece ser relevante.

No caso das fontes, o relatório a ser publicado será, sem dúvida, fraco, pois trata de listas de supostas “vítimas” que permanecerão anônimas e cujos depoimentos não são passíveis de comparação.

As razões das fragilidades da Missão Independente de Apuração de Fatos na Venezuela se devem ao fato de que tal órgão não possui validação e acordo com o governo venezuelano. Portanto, eles operam totalmente à margem, fora do país e de forma altamente discricionária.

Esta missão foi formada em 2019 no âmbito do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que na época era dominado por um grupo de países que tinham uma posição abertamente desdenhosa das potências venezuelanas e que declararam seu apoio aberto à formação do “interino” governo” de Juan Guaidó.

A formação desta missão contou com o apoio da Argentina, Austrália, Áustria, Bahamas, Brasil, Bulgária, República Tcheca, Chile, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Hungria, Irlanda do Norte, Islândia, Itália, Japão, Peru, Reino Unido e Ucrânia.

No entanto, na época era evidente que a pressão institucional na esfera internacional propunha desfazer qualquer possibilidade de détente e reconhecimento do governo legítimo do país. Por isso, o caminho de construção do arquivo foi implementado sem entraves, até mesmo da própria ONU, onde aliás as funções dos órgãos do Conselho se sobrepuseram em uma disputa pelo uso politizado daquela entidade.

Vale ressaltar que a criação dessa missão foi formada pelos países que fazem parte do Conselho, em resolução de setembro de 2019. Mas antes disso, em 21 de junho de 2019, a Alta Comissária Michelle Bachelet havia visitado a Venezuela para estabelecer um acordo de colaboração entre o governo venezuelano e o Alto Comissariado.

Por seu contexto, é evidente que a criação da “Missão Independente” foi desenvolvida para interferir no trabalho do Alto Comissariado e torpedear o equilíbrio que viria por meio de intercâmbio direto com o governo venezuelano.

Isso deixa claro o motivo político que constitui o fracasso subjacente da “Missão”.

Desde 2019, a Venezuela trabalha em coordenação com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, no âmbito da Carta de Entendimento assinada em setembro de 2019, de acordo com as disposições da Resolução A/HRC/ 42/4, adotada pelo Conselho de Direitos Humanos em sua 42ª sessão.

Durante 3 anos, o governo venezuelano aplicou um acordo com a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e ignorou a chamada “Missão Independente”.

A então Alta Comissária, que deixou seu cargo em 31 de agosto de 2022, estabeleceu um escritório em Caracas e durante os últimos três anos trocou informações com autoridades venezuelanas, visitou espaços penitenciários, revisou arquivos diretamente e consultou os detidos em um processo amplo de queixas contrastantes.

Com efeito, a Procuradoria Geral da República procedeu ao processo perante o Estado venezuelano de um conjunto de recomendações emanadas da Alta Comissária, em uma relação considerada “construtiva” tanto por Caracas como por o próprio governo, entidade internacional.

O “timing” de uma nova emboscada internacional contra a Venezuela

O reaparecimento da chamada Missão Independente para Determinar os Fatos na Venezuela do Conselho de Direitos Humanos coincide após distensões informais entre os governos dos EUA e da Venezuela.

Vale lembrar que durante este ano, o governo Biden estabeleceu vínculos diretos com o governo do presidente Nicolás Maduro, mas isso consistiu em pressionar o governo venezuelano a retornar à agenda de diálogo com a oposição no México em condições de desvantagem e sem cumprimento por parte dos americanos das exigências de Caracas.

Até hoje, o governo Biden mantém o diplomata Alex Saab sequestrado e mantém a pressão econômica sobre o país quase intacta, questões que são nós críticos exigidos pela Venezuela.

Em meados de agosto, a diretora da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Samantha Power, havia manifestado o apoio de seu país a Juan Guaidó no âmbito das negociações com o governo venezuelano, que segundo ele deveriam “gerar resultados”. .

Algo reforçado no depoimento perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado da atual Administradora Adjunta para América Latina e Caribe da mesma agência, Marcela Escobari, em 15 de setembro.

Essa instância de financiamento e capacitação de atores políticos e “não estatais” da oposição venezuelana poderia, a curto prazo, trazer novas contribuições para as eleições internas entre os opositores da Venezuela, em um quadro de pressa e acusações de vários líderes do “avançar” as eleições presidenciais na Venezuela, temendo uma recuperação da economia e a continuidade da relativa estabilidade que o país desfruta hoje.

Recentemente, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA pressionou o governo venezuelano a partir de uma audiência no Congresso de seu país, ameaçando mais sanções se as negociações com a oposição não forem retomadas.

“Nicolas Maduro… está cometendo um erro crítico se acha que nossa paciência é infinita e que as táticas de adiamento serão úteis para ele”, disse Brian Nichols, secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental.

“Estamos preparados para responder com sanções e tomar medidas abrangentes” se as negociações não avançarem, disse Nichols ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Posteriormente, o governo dos EUA na pena de Joe Biden em pessoa, contrariando todos os relatórios das Nações Unidas sobre drogas e crime organizado (UNDOC), publicou um memorando no qual a nação caribenha está incluída na lista dos principais países de trânsito e produção de drogas, uma indicação que foi rejeitada pelas autoridades venezuelanas por considerá-las “infames”.

A divulgação de um novo relatório da paralela e não reconhecida (pela Venezuela) Missão Independente de Apuração de Fatos adquire coerência no “timing” de novas pressões internacionais em larga escala e parece apontar para a reedição da “pressão máxima” Demonstradamente fracassada durante a administração Trump. Sua continuidade.

Mision Verdad

Autor: tudoparaminhacuba

Adiamos nossas vozes hoje e sempre por Cuba. Faz da tua vida sino que toque o sulco, que floresça e frutifique a árvore luminoso da ideia. Levanta a tua voz sobre a voz sem nome dos outros, e faz com que se veja junto ao poeta o homem. Encha todo o teu espírito de lume, procura o empenamento da cume, e se o apoio rugoso do teu bastão, embate algum obstáculo ao teu desejo, ¡ ABANA A ASA DO ATREVIMENTO, PERANTE O ATREVIMENTO DO OBSTÁCULO ! (Palavras Fundamentais, Nicolás Guillen)

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