Os EUA e a trágica espiral de violência armada.

#InjerenciaDeEEUU #GuerrasDeEEUU #ViolenciaArmada

Por Redacción Razones de Cuba

Nenhum dos acontecimentos trágicos anteriores, nem o mais recente, em que para além dos mortos, 18 pessoas foram dadas como feridas num tiroteio numa discoteca na cidade de Colorado Spring, dissuadiu a Federação de Armas de Fogo do Oregon de intentar uma acção judicial em nome das armas de fogo.

A associação processou a Governadora do Oregon Kate Brown e a Procuradora Geral do Oregon Ellen Rosenblum, alegando que uma medida de controlo de armas aprovada pelos eleitores do Oregon durante as eleições intercalares viola a Segunda Emenda, o direito de todos os cidadãos a portarem armas.

Como o assassinato sangrento de cinco pessoas num clube do Colorado chocou o público americano, um grupo de defesa de armas procurou hoje bloquear uma medida destinada a controlar os dispositivos.

A nova lei, em vigor no próximo mês, exige que qualquer pessoa que procure adquirir uma arma de fogo passe primeiro certos requisitos para obter uma licença de compra emitida pelas autoridades locais, proibindo simultaneamente a venda e a compra de revistas capazes de conter mais de 10 cartuchos de munições.

Citado pela Oregon Public Broadcasting, os queixosos argumentaram que a regra, apoiada por 50,7% dos eleitores – pouco mais de 960.000 pessoas – viola a Constituição do Oregon e o direito ao devido processo.

Pedem uma pausa na aplicação da medida, e pedem ainda ao tribunal que a declare inconstitucional, ou que limite a parte que proíbe a venda ou compra de revistas com mais de 10 balas de munições.

Embora alguns considerem que é uma das leis mais rigorosas nesta área, apenas introduz alguns requisitos adicionais para se qualificar para uma licença de transporte, e não se aplicaria retroactivamente aos Oregonianos que já possuem uma.

Entretanto, a Federação das Armas de Fogo está a defender a livre proliferação destes dispositivos mortais. Até agora, este ano, ocorreram 604 tiroteios nos Estados Unidos, com múltiplas vítimas em cada um deles.

Relativamente ao que aconteceu no Club Q na Primavera do Colorado contra membros da comunidade Lgbtiq+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros, Intersex e Queer), o website do Arquivo da Violência Armada relatou que este é o terceiro ano consecutivo, e a terceira vez na história, que o país ultrapassou 600 destes incidentes.

Segundo o registo, 610 tiroteios com múltiplas vítimas ocorreram em 2020, e 690 durante o ano passado, quando a pandemia de Covid-19 já estava a diminuir, e a taxa de violência mortal aumentou na nação.

A tragédia no Club Q seguiu-se ao massacre de 2016 em Pulse, Florida, um local que se tornou o cenário do tiroteio em massa mais mortífero da história dos EUA, com 49 pessoas mortas, disse Christopher Herrmann, professor assistente no John Jay College of Criminal Justice em Nova Iorque.

Estes crimes, na sua maioria praticados por homens descontentes armados com dispositivos letais, são muito mais comuns agora do que eram há seis anos atrás, acrescentou.

“É assustador pensar que em 2016 registámos 382 tiroteios em massa e agora estamos perante uma estimativa de 680”, disse Herrmann, que faz os seus cálculos sobre a média dos 13 tiroteios em massa por semana até agora este ano.

Isso seria um aumento de 78 por cento entre 2016 e 2022, disse ele.

Embora estes números constituam um marco sombrio, como a NBC News correctamente o coloca, não parecem ser razão suficiente para conceber políticas para pôr fim às tragédias de que o público americano tem vindo a ouvir falar com cada vez maior frequência.

Da mesma forma, a controversa decisão de Junho passado, quando o Supremo Tribunal (6-3) considerou inconstitucional uma lei de Nova Iorque que exigia que os indivíduos demonstrassem uma necessidade particular de porte de arma para obterem uma licença de porte em público, encorajou os defensores de armas.

Entretanto, o número de mortes está a aumentar, e a parte mais triste do quadro são as mais de 1.500 crianças e adolescentes que, segundo o Gun Violence Archive, foram mortas por uma arma este ano.

Extraído de Prensa Latina.

Angola apresenta oportunidades para investimentos no “Global Gold Convention 2022”

#Angola #EmiradosÁrabesUnidos #Economía #Política

JA Online

As oportunidades de negócio no sector mineiro foram apresentadas, esta terça-feira, no “Global Gold Convention 2022” no Dubai, perante os investidores estrangeiros interessados.

© Fotografia por: CEDIDA

A apresentação do potencial mineiro, sobretudo, de projectos ligados à exploração do ouro coube ao Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola nos Emirados Árabes Unidos, Albino Malungo.

Baseado nos dados fornecidos pela Agência Nacional dos Recursos Minerais (ANRM), órgão público de regulação e fiscalização e promoção do sector mineiro angolano, criado ao abrigo do Decreto Presidencial nº 161/20, de 5 de Junho, o diplomata disse que foram observadas ocorrências minerais actuais de Angola com mais de 2.500 pontos, sendo um total de 1.208 pontos de ocorrências de ouro foram identificados.

Outros estudos geológicos encontram-se em curso e estão a ser identificadas mais ocorrências de ouro.

Facilidades de incentivos

Albino Malungo apelou aos investidores a apostar neste segmento no mercado angolano devido a enormes facilidades de incentivos criados pelo Governo Angolano no âmbito do Novo Modelo de Governação do Sector dos Recursos Minerais, aprovado pelo Decreto Presidencial nº 143/20, de 26 de Maio.

Dos incentivos e benefícios, o embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos destacou sobre as despesas de prospecção, contribuições para o fundo ambiental, de despesas Aduaneiras e de incentivos para detentores de títulos de prospecção, assim como os equipamentos destinados à exploração mineira isentos de direitos aduaneiros, importações facilitadas e obtenção de vistos de trabalho.

Quanto ao número de projectos em desenvolvimento estão concentrados nas regiões da Huíla, Huambo, Bengo, Lunda Norte, Cabinda, Cuanza Norte, Uíge e Zaire.

Cuba vítima de guerra de quinta geração

#Cuba #OTAN #InjerenciaDeEEUU

Por Arthur González

Embora desde 1959 Cuba esteja sob ataque da imprensa ianque e dos países que servem de plataforma para a sua guerra psicológica contra o povo cubano, com o advento da Internet esta guerra mediática assumiu novas abordagens e conceitos para influenciar as mentes do povo, especialmente dos jovens.

A introdução em 2009 da chamada Guerra da Quinta Geração, sob o conceito estratégico estabelecido pelos Estados Unidos e seus aliados da NATO, cujo objectivo fundamental é dominar a mente do povo e ser recebido de braços abertos pelos atacados, o povo cubano foi sujeito a um bombardeamento de informação falsa e manipulada, de que nunca tinha visto antes.

A arena digital tornou-se um espaço de divulgação de informação falsa contra Cuba.

Esta guerra visa influenciar a opinião pública internacional para apoiar as acções de guerra económica, comercial e financeira aplicadas durante 60 anos, a fim de impedir o desenvolvimento do país e acusar Cuba de ser um Estado falhado.

Em 2011, Carl Meacham, o colega da América Latina da equipa política do Senador Republicano Richard Lugar na Comissão de Relações Exteriores do Senado, reuniu-se com funcionários do Departamento de Estado, diplomatas estrangeiros e funcionários da indústria norte-americana para investigar como os meios de comunicação social e a tecnologia poderiam ser utilizados para promover e reforçar a “democracia” na América Latina.

Relativamente a Cuba, o Senador Meacham disse que o Departamento de Estado treina jornalistas em vários países para aumentar a sua capacidade de divulgar rapidamente informações precisas sobre eventos e questões importantes, e que estão a ser feitos grandes esforços em Cuba para o fazer.

Acrescentou que a sua equipa notou o interesse crescente entre os funcionários do Departamento de Estado em aumentar as competências básicas em informática e alfabetização do povo cubano, como meio de os capacitar a efectuar mudanças positivas na sua própria sociedade.

Os Estados Unidos empregam recursos substanciais, laboratórios sociais e ferramentas de alta tecnologia na sua campanha desenfreada para desacreditar Cuba através da utilização de mentiras e manipulação de dados. Aplicam algoritmos e recursos avançados de inteligência artificial para instalar em sectores da população comportamentos favoráveis aos seus planos subversivos.

A 13 de Junho de 2013, o Departamento de Estado anunciou vários projectos para promover “a democracia e os direitos humanos” em Cuba, um deles envolvendo a utilização de ferramentas digitais “a serem utilizadas de forma selectiva e segura pela população civil cubana, juntamente com outra iniciativa para promover a igualdade e defender as redes sociais dos cubanos negros”.

Recordemos a construção, em 2012, do programa informático “Zunzuneo”, coordenado pela USAID a um custo de milhões.

Sob o conceito estratégico da Quinta Geração da Guerra, os eventos de 27 de Novembro de 2020 tiveram lugar diante do Ministério da Cultura, organizados e encorajados pela colaboradora de longa data dos Estados Unidos, Tania Bruguera, uma artista visual que, sob o pretexto de “solidariedade com o Movimento de San Isidro e em defesa da liberdade artística e da liberdade de expressão”, organizou um protesto através de redes sociais para exigir a libertação dos membros do grupo, para o qual arrastou alguns artistas e intelectuais de renome.

Intoxicados por este evento sem precedentes, a maquinaria ianque desenvolveu, dias antes de 11 de Julho de 2021, uma escalada mediática contra Cuba com a participação de operadores políticos residentes na Florida e especialistas do Departamento de Estado, que implementaram as chamadas técnicas de Soft Power destinadas a gerar uma mudança no sistema político em Cuba, utilizando os hashtags #SOSCuba, #SOSMatanzas e #PatriaYVida, juntamente com emissões ao vivo via Facebook Live, para desencadear um plano de desestabilização social e provocar uma mudança de sistema de acordo com os interesses da máfia anti-Cubana e o envolvimento directo da ONG Creative Associates International, ao serviço da CIA.

Segundo a agência AFP, a hashtag #SOSCuba teve 5.000 tweets de 5 a 8 de Julho, 100.000 a 9 de Julho, 1,5 milhões a 11 de Julho e dois milhões a 12 de Julho.

Do Twitter, o apelo a protestos de rua saltou para três redes de mensagens instantâneas: WhatsApp, Signal e Telegram, onde reproduziram imagens dos tumultos e agitação na ilha. Entre 12 e 19 de Julho de 2021, os ciberataques intensificaram-se e afectaram a disponibilidade dos websites governamentais e dos meios de comunicação social nacionais.

Julián Macías Tovar, jornalista e investigador espanhol, revelou que a primeira conta do Twitter a utilizar a hashtag #SOSCuba, que era de Espanha e não de Cuba, publicou cerca de 1.300 tweets com uma taxa automatizada de cinco retweets por segundo (fazendas bot e troll). Mais de 1.500 das contas que participaram na operação com a hashtag #SOSCuba foram criadas entre 10 e 11 de Julho, novas contas suspeitas usando a hashtag, bots e informações falsas espalhadas sem vergonha e sem limites.

Desenfreados por acontecimentos nunca antes vistos em Cuba, fabricaram a hashtag #15NCuba, para dar a máxima visibilidade ao grupo “Arquipélago” e ao seu líder Yúnior García, que em 2019 tinha recebido formação no estrangeiro, após ter sido estudado e treinado pelos colaboradores da CIA Laura Tedesco e Rut Diamint.

Em menos de dois meses, o governo ianque emitiu dezenas de declarações de apoio ao 15N para forçar a revolução 2.0 em Cuba. Pagaram influenciadores e mobilizaram os sistemas de operações de rede do direito transnacional. Pressionaram parlamentos e parlamentares de vários países e da União Europeia a fazer declarações de apoio ao 15N, entre outras acções de pressão internacional.

O Senador Marco Rubio, promovido à resolução orçamental do Senado, emenda #3097, para que o governo proporcionasse acesso livre, aberto e sem censura à Internet em Cuba através da criação de um fundo de reserva, que foi aprovado a 10 de Agosto de 2021 e a 31 de Agosto de 2021, a Congressista da Flórida Maria Elvira Salazar, apresentou o projecto de lei “American Freedom and Internet Access Act, (HR5123)-Operation Starfall, “para delinear um plano estratégico para proporcionar acesso sem fios à Internet no estrangeiro quando esta ocorrer, introduziu o “American Freedom and Internet Access Act, (HR5123)-Operation Starfall, “para delinear um plano estratégico para fornecer acesso às comunicações sem fios no estrangeiro quando apagões, desastres, ou regimes desonestos encerram o acesso à Internet”.

A guerra contra Cuba continua e prova disso são as declarações de Brian A. Nichols, Subsecretário para os Assuntos do Hemisfério Ocidental no Departamento de Estado, que no seu perfil no Twitter afirmou:

“Há um ano, a 15 de Novembro de 2021, o regime cubano reprimiu os protestos pacíficos, encurralando cidadãos nas suas casas, violando os seus direitos constitucionais de reunião e expressão pacíficas. Apoiamos as exigências do povo cubano em matéria de democracia e liberdades fundamentais. Condenamos a detenção pelo governo cubano dos familiares dos manifestantes #11J detidos, que estavam agendados para se encontrarem hoje com funcionários norte-americanos em Havana. Impedir os pais de falar sobre os seus filhos presos é injusto e desumano, os familiares dos presos políticos cubanos têm o direito de falar com a comunidade internacional e com quem quiserem, sobre a condição dos seus entes queridos, que estão injustamente presos”.

Em linha com as suas acções subversivas, a embaixada dos EUA em Cuba publicou um anúncio que diz: “A todos os candidatos interessados, é oferecido o seguinte cargo: Especialista de Líderes de Opinião Estabelecidos, Grau 10, PAS. As candidaturas devem ser submetidas através do sistema electrónico ERA, seguindo a ligação no nosso sítio web.

O objectivo é continuar a guerra da sua missão diplomática para minar a sociedade cubana, provocar o desânimo e manter o apoio à contra-revolução, com a ilusão de mobilizar o povo para tomar as ruas e destruir a Revolução.

Lembremo-nos sempre de José Martí quando ele disse:

“É a hora da contagem e da marcha unida, e devemos caminhar num quadrado apertado, como a prata nas raízes dos Andes”.

Évariste Ndayishimiye em Luanda para a cimeira de paz entre a RDC e Rwanda.

#Política Angola #RDC #Rwanda

JA Online

O Presidente do Burindi, Évariste Ndayishimiye, chegou, na manhã desta quarta-feira, a Luanda, a fim de participar na cimeira que visa o restabelecimento das boas relações entre a República Democrática do Congo e o Rwanda.

© Fotografia por: KINDALA MANUEL | EDIÇÕES NOVEMBRO

Évariste Ndayishimiye está no país a convite do Chefe de Estado, João Lourenço, na qualidade de Campeão da Paz e Reconcialiação da União Africana, encarregue do dossier do Conflito RDC-Rwanda.

Luanda acolhe Fórum Internacional da Juventude com as Embaixadas.

#Angola #ÁfricaUnited #Política

Edvaldo Lemos | Caxito

Cerca de 900 líderes juvenis africanos participam, de hoje a sexta-feira, na II Edição do Fórum Internacional da Juventude com as Embaixadas, a decorrer no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda.

Cidade de Luanda © Fotografia por: Edições Novembro

O evento, a decorrer sob o lema  “African United”,  juntos com o mesmo pensamento, reúne  angolanos e estrangeiros com o objectivo de promover o intercâmbio, experiências e oportunidades entre jovens e as embaixadas acreditadas nos diversos países africanos.

Vários líderes de organizações juvenis já confirmaram a presença no encontro de Luanda, nomeadamente, Ussumane Sadjo, da Guiné-Bissau, Alector Timas, de Cabo Verde, Ruth Boane, Albertina Tembe, Samuel Jotamo e Joe Williams, de Moçambique, Isildo Tito Marques e Winy Mule, de Angola.

Estão também confirmadas as presenças dos embaixadores Gong Tao, da China, Josef Smets, Bélgica, Rafael Vidal, do Brasil, Estados Unidos, Tulinabo Mushingi, e de Portugal, Francisco Alegre Duarte.

A cerimónia terá momentos de distinções e condecorações de entidades nacionais e internacionais que se têm destacado nas mais diversas áreas da sociedade em África, que receberão diplomas e crachás de reconhecimento pelo trabalho realizado no continente.

As distinções e condecorações serão das seguintes categorias: “Paz e Resolução de Conflitos em África”, “Amigo de África” e “Desenvolvimento Económico e Social” a nível do continente africano.

 Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o porta-voz do Fórum, Carlos Vemba, disse que a organização pretende homenagear, neste dia, o Presidente de Angola, João Lourenço, pelo seu empenho e dedicação na resolução dos problemas do continente africano.

“Os jovens africanos também reconhecem o empenho do Senhor Presidente de Angola, João Lourenço, como filho de África que tudo tem feito para resolver as crises que o continente atravessa”, realçou.

Carlos Vemba adiantou que o financiamento para a materialização de projectos da juventude  é uma das questões que constam nos seis painéis levados a debate pelos líderes e associações juvenis.

“Os jovens vão expor os projectos para empreender, mas que muitas vezes não têm encontrado financiamento. Vamos apresentar estes projectos naquele que é o maior fórum de  interacção da juventude com os embaixadores”, sustentou.

 O evento, organizado pela Associação dos Especialistas em Relações Internacionais de Angola e pelo Fórum Internacional de Jovens com as Embaixadas (FIJE), é dirigido aos líderes de opinião, representantes de organizações partidárias e de associações juvenis.

Restos mortais de Nagrelha repousam no Santa Ana.

Manuel Albano

O corpo do kudurista Nagrelha dos Lambas repousa, desde terça-feira , no Cemitério de Santa Ana, em Luanda, num acto acompanhado por familiares, milhares de admiradores e músicos, sob fortes medidas de segurança.

 Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro

Por volta das 7h00, o cenário estava a ser montado para os elogios fúnebres ao “Estado Maior do Kuduro”. O som foi montado pela produtora Mbaxe  Eventos. Tudo corria na normalidade e logo nas primeiras horas, os trabalhadores da limpeza, sob a orientação do director do cemitério João Lavente, procuravam deixar o local o mais limpo possível para que o “Naná”, como era carinhosamente tratado, fosse enterrado com dignidade.

Depois de prestarem tributo à memória de Nagrelha,  milhares de cidadãos deslocavam-se do Estádio Nacional da Cidadela, para o local do enterro, onde foi prestado o último tributo em sua memória. À distância era possível observar a enchente de admiradores que em uníssono dançavam e cantavam os grandes sucessos dos Lambas.

Os coveiros de Nagrelha

A experiência de vários anos de profissão permitiu que a gestão do cemitério escolhesse os melhores coveiros para cavar a cova do kudurista. Fonseca Tandala e Alexandre João (12 anos de profissão), bem como José Paulo (15 anos de profissão) foram os seleccionados. 

Para o coveiro Fonseca Tandala, o momento vai ficar marcado para sempre na sua vida. Segundo o interlocutor do Jornal de Angola, quando foi informado que seria um dos escolhidos para fazer parte da equipa que iria participar nas exéquias de Nagrelha sentiu-se feliz, por ser um momento único e inesquecível. O mesmo sentimento foi manifestado pelo colega de trabalho Alexandre João que se mostrou comovido pelo acto.

Por sua vez, José Paulo disse, à nossa reportagem, que o momento é indescritível, por fazer parte de momento histórico da história da música angolana. “Não foi fácil para nós saber que seríamos os escolhidos para cavar a cova do nosso ídolo. O Nagrelha nos fez muito felizes, era muito querido pelos seus admiradores”. A cova começou a ser feita no domingo e terminou às 12h00 de segunda-feira.

Momentos indescritíveis

O sol foi surgindo, anunciando um dia de muito calor. Um grupo de zungueiras do mercado dos Congoleses aproximava-se junto da barreira de protecção e limitação a cantar várias estrofes dos  Lambas, em homenagem à maior referência do estilo kuduro da década de 2000 até aos dias de hoje. Nesta altura, notava-se que seria melhor pensar no reforço do aparato policial e do próprio cordão. O número de fãs crescia e a Polícia Nacional decidiu reforçar todo o sistema de protecção nos arredores. O clima mostrava-se tenso à medida que as horas e minutos passavam. Entre os admiradores, uns procuravam subir no topo das árvores para ter uma melhor visibilidade, enquanto outros em terra cantavam euforicamente as músicas dos Lambas. Toda demonstração de carinho, mesmo as mais “bizarras” valiam para mostrar o carinho pelo Nagrelha.

Os milhares de admiradores  renderam um tributo ao malogrado, quando por volta das 10h00, percorreram a Avenida Deolinda Rodrigues. De forma diferente várias alas manifestaram a sua emoção. Nem mesmo as fortes temperaturas que se fizeram sentir durante o dia de ontem, afugentaram os milhares de admiradores do “Estado-Maior do Kuduro”, que desde as primeiras horas se deslocaram ao local da sepultura para render a última homenagem à figura que eternizou as frases: “A morte e a vida são irmãos do mesmo pai/só que um não sabe brincar” e “Já não há nada que me seduz/todo cristão reza na cruz/Jesus Cristo morreu por nós…”

O Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola (INEMA) e os Bombeiros colocaram no local meios para acudir eventuais incidentes. Com o aproximar do momento do enterro, a população descontrolada invadiu as duas faixas da Avenida Deolinda Rodrigues.

Actos de vandalismo

Nem mesmo os apelos do Governo da Província de Luanda, aos admiradores do kudurista Nagrelha (dos Lambas), falecido na sexta-feira, em Luanda, vítima de cancro no pulmão, para pautarem pelo civismo e evitarem criar arruaças ou distúrbios na via pública antes, durante e depois do funeral adiantou para alguma coisa. Com a chegada do carro fúnebre, os ânimos aumentaram porque os admiradores de Nagrelha queriam invadir as barreiras de protecção para acompanhar o malogrado até ao último destino. A população começou a arremessar pedras e garrafas em direcção à Polícia de Intervenção Rápida (PIR). Em reacção, às formas de segurança e manutenção da ordem pública começaram a lançar gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Neste momento, o pânico alastrou-se um pouco por toda a extensão da avenida. Cada um no local procurava um refúgio, mas, nem com isso, os fãs de Nagrelha se ausentaram do local, o que originou alguns feridos e uma morte. Os motoqueiros tomaram de assalto o tapete asfáltico da avenida para fazer algumas exibições de malabarismo. Uns subiam nos postes de electricidade de alta tensão, enquanto outros, se penduravam nas viaturas particulares e nos transportes públicos, criando vários momentos de arruaça ou distúrbios na via pública. 

No velório estiveram presentes músicos, actores, realizadores, bailarinos, desportistas, dirigentes e os admiradores de Nagrelha.

O legado

Sebem do Gueto e Da Leve-se, são dos kuduristas que consideram que o Nagrelha continua vivo por ter deixado um legado positivo em prol do estilo, segundo eles ainda muito marginalizado. Para Sebem do Gueto, Nagrelha é um ícone nacional que merece todo o respeito da sociedade angolana. “O seu nome nunca será apagado e temos que honrar o seu percurso artístico”.

Augusto Paulo Catanha “General Tembe Tembe”, veio da província do Huambo e chegou à madrugada de ontem a Luanda para participar, igualmente, nas exéquias do ícone do estilo kuduro no país e no mundo. Morador do Alto Hama, o kudurista disse que todo o sacrifício é válido para render um tributo ao maior expoente de todos os tempos do estilo mais mediático do país, o kuduro.

Com os ânimos exaltados, alguns dos seguidores de Nagrelha, junto à zona onde foi sepultado, apelavam para que fosse construído em local a indicar uma estátua em  sua memória como reconhecimento dos seus feitos.

Agradecimento

O irmão mais velho de Nagrelha, Osvaldo Mendes, em nome da família agradeceu o excelente trabalho abnegado desenvolvido pela comunicação social, a Polícia Nacional e os próprios admiradores do malogrado, antes, durante e depois do funeral. Disse que a família vai procurar estar mais unida e que o legado do irmão possa ser devidamente transmitido às novas gerações. O reformado e ex-director do Gabinete Provincial da Acção Social, Cultura e Desporto do Governo da Província de Luanda (GPL), Manuel Sebastião referiu que Nagrelha procurou imortalizar o estilo kuduro. “Ele foi uma figura incontornável deste género que merece o respeito e consideração de toda a sociedade”.

No elogio fúnebre da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-S.A), referiu que Gelson Caio Manuel Mendes, popularizado com o nome artístico de Nagrelha, que depressa se tornou um símbolo de superação e crescimento integral saudável. Pertencente a uma geração de jovens que fizeram do Kuduro um instrumento de luta pela emancipação, onde as más práticas deram lugar a um caminhar tranquilo com a bandeira do amor e do su-cesso, com talento e carisma, edificando em si o ídolo que arrastou multidões.


Missa de corpo presente na Cidadela Desportiva

Milhares de fãs estiveram reunidos ontem, na Cidadela Desportiva, em Luanda, para o último adeus ao kudurista Nagrelha, a quem o padre José Baptista Nunda, da Paróquia São José considerou um ícone da música popular urbana angolana, da nova geração.

Com um registo sem igual de fãs, a missa de corpo presente serviu para recordar e enaltecer o contributo do cantor à música e à sociedade. “Nagrelha foi um homem de bem, com boas obras e chefe de família. Devemos honrar os feitos deste, em prol da música nacional, em particular o kuduro”, disse.

Com dor e tristeza nos semblantes, os seguidores da estrela do kuduro entoavam algumas canções do cantor, como “Provou e gostou” e “Comboio”. Num cenário sem igual, os fãs saíram da Cidadela e acompanharam o corpo do malogrado até ao Cemitério de Santa Ana.

O músico Baló Januário, que também assistiu a missa, considerou a morte de Nagrelha uma perda sem igual, em especial para uma geração de artistas. “É preciso que agora o legado do kudurista seja imortalizado”, defendeu, além de acrescentar que alguns artistas já gravaram o tema, “Uma Nação em Lágrimas”, em homenagem ao cantor.

Mário Cohen


Uma morte e actos de vandalismo marcaram funeral do kudurista

Um menor, ainda por identificar, e 33 feridos, dos quais 16 efectivos da Polícia Nacional, dos quais dois em estado grave, e outros 17 cidadãos, marcaram, ontem, o funeral de Nagrelha, com base nas ocorrências registadas pelo Comando Provincial de Luanda.

O superintendente-chefe Lázaro da Conceição, director de Segurança Pública e Operações da Polícia em Luanda, disse que os feridos receberam tratamento médico em diversas unidades de saúde. 

Os actos de arruaça e vandalismo verificados ontem,  no interior e exterior do Cemitério de Santa Ana, disse, culminaram com a detenção de 18 cidadãos, suspeitos de cometerem crimes diversos.

Alguns danos, adiantou, ainda estão por ser calculados, como a destruição de uma esquadra móvel, quatro viaturas da Polícia Nacional, uma motorizada e cinco autocarros. “Os actos de vandalismo resultaram ainda no roubo de várias botijas de gás, no interior de um camião, e assim como de grades de cerveja”.

Lázaro da Conceição apelou à calma e pediu compreensão pelos transtornos criados na reposição da ordem pública, sendo que a situação voltou à normalidade com a abertura das vias que tinham sido fechadas ao trânsito automóvel.

“A tentativa de invasão do Cemitério, por parte dos fãs, obrigou a corporação a dispersar a multidão, com o uso de gás lacrimogénio, durante a operação de reposição da ordem pública”.

Confusão

Por volta das 7h00, centenas de jovens concentraram-se nas imediações do Cemitério de Santa Ana, que até às 9h00, já estava cheio de fãs. Neste momento, alguns começaram a fazer racha, de motorizadas, no recinto. Outros decidiram subir por cima dos autocarros estacionados.

Um ponto comum, enquanto aguardavam a chegada da urna, era o consumo de bebidas alcoólicas no recinto. Um caso caricato é o de um jovem que tirou a roupa e começou a andar entre a multidão.

A reportagem do Jornal de Angola verificou vários desmaios de homens e mulheres, arruaça e roubo do negócio das vendedoras do mercado, junto das Pedrinhas.


André da Costa


Herói do kuduro partiu para a eternidade  e deixa um legado inspirador à juventude

O legado do carismático kudurista Nagrelha, sepultado ontem, em Luanda, representa o suporte  mínimo de consolo e inspiração confiado aos músicos, fãs e amantes do kuduro, em Saurimo, província da Lunda-Sul.

O intérprete da conhecida música “Na Muleleno” e baterista da banda “Os Moyo Wenu da Lunda-Sul” destacou que Nagrelha marcou uma etapa de viragem e afirmação do kuduro em Angola.

Segundo Domingos Mutambi, a forma singular de expressividade popular de “Nagrelha” vincou na continuidade e influenciou todas as franjas amantes do género musical, Made in Angola.

Referiu que a morte do Gelson Caio Mendes quebra um segmento da criatividade artística dos últimos tempos e nota que  “a obra feita prevalecerá no perfil da dinâmica musical que rompeu fronteiras”.

Perante a perda de um ícone do kuduro, o jovem Agostinho Satxilomba perspectiva para este estilo musical um futuro reticente. “Não sei se será o mesmo, porque o Nagrelha foi o porta bandeira, com uma forma que arrastava multidões”. Augura que a nova geração perpetue o legado, mesmo em outros géneros.

“O país perdeu uma figura inédita na história da música kuduro que representa um dos géneros mais vulgarizados em Angola”, afirmou a jovem Gisela Gazuza, que defende o reavivamento do legado pelo Gabinete Provincial  da Cultura da Lunda-Sul.

O director do Gabinete Provincial  da Cultura da Lunda-Sul, Salvador Wanuque, avançou que foi aberto um livro de condolências subscrito por dezenas de munícipes. Na região despontam indicadores promissores a favor do kuduro que aos poucos enfrentam a tchianda, género rei na cultura lunda cokwe.

Adão Diogo | Saurimo

Um adeus à dimensão do “Estado Maior” 

Em vida, arrastou multidões e na morte, não podia ser diferente. O comboio partiu, mas com uma moldura humana jamais vista em Angola, que explicou, na perfeição, a dimensão do apelido “Estado Maior do Kuduro”.

Considerado das maiores referências da música angolana, para assegurar o funeral de Nagrelha foi necessário interditar a Avenida Deolinda Rodrigues e colocar mais de mil efectivos da Polícia Nacional nas ruas. Um cenário raramente visto.

O Cemitério de Santa Ana foi pequeno para albergar tamanha multidão. Pessoas vieram de vários pontos do país para dar o último adeus ao “Naná”. Centenas de viaturas foram disponibilizadas gratuitamente, por associações de taxistas e personalidades individuais, mas foram insuficientes para os milhares de fãs, que decidiram acompanhar o kudurista, a pé, cantando alguns sucessos do líder dos Lambas, ao ponto de causar um congestionamento na Avenida Deolinda Rodrigues.

Pessoas de diversos estratos da sociedade, desde músicos, zungueiras e taxistas juntaram-se aos familiares e amigos, na hora do adeus, assim como entidades governamentais e alguns líderes de associações civis.

Considerado por muitos jovens como um expoente máximo, Nagrelha possui uma história de vida que tem inspirado a juventude, inclusive a abandonarem a delinquência e contribuírem mais no desenvolvimento da comunidade. Enquanto vivo, Nagrelha transformou o kuduro numa referência, não só nacional, como internacional, capaz de ultrapassar barreiras.

Com a música, o kudurista conseguiu ultrapassar a consciência das classes sociais, en-tregando-se de corpo e alma a um estilo marginalizado por muitos, sem descurar a própria identidade, criada a partir das ruas do Sambizanga.

Como filho do Sambizanga, o legado de Nagrelha deve ser preservado e transmitido para as novas gerações. Para muitos, a solução seria colocar o nome do kudurista numa escola ou rua do distrito, para não calar “a voz que deixa tristeza a todos nós”.

Regina Ngunza

Morreu Pablo Milanés.

#Cuba #Cultura

Jornal de Angola

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, lamentou a morte do cantor e compositor Pablo Milanés, aos 79 anos, ocorrida nas primeiras horas da manhã, de terça-feira (22), em Madrid, Espanha.

Cantor e compositor cubano © Fotografia por: DR

De visita oficial à Rússia, o Presidente Miguel Díaz-Canel enviou condolências, através da sua conta no Twitter, à viúva e filhos do artista e a Cuba. “Um de nossos maiores músicos faleceu fisicamente. A voz inseparável da trilha sonora de nossa geração”, disse o Chefe de Estado na rede social.

Por sua vez, o Primeiro-Ministro, Manuel Marrero, disse que a cultura da ilha está de luto pela partida do renomado cantor e compositor, um dos fundadores do movimento Nueva Trova no país.

Considerado um dos expoentes essenciais dos cantores e compositores espanhóis, Milanés compilou um corpo significativo de trabalho para os cubanos na ilha e em outras fronteiras latino-americanas com um repertório de mais de 400 peças.

O músico, nascido na cidade oriental de Bayamo, a 24 de Fevereiro de 1943, forjou a sua carreira profissional com grande versatilidade interpretativa, da qual alimentou o Grupo de Experimentación Sonora, juntamente com outras vozes emblemáticas da ilha.

Vencedor de dois Grammy Latinos (2006) e uma estatueta para Excelência Musical (2015), Pablo Milanés combinou uma mistura de géneros e sonoridades no continente, que oscilou entre tradição e modernidade, enquanto a sua discografia englobava filin, jazz, rumba e bolero, im-plantada em 50 álbuns.

Homenagem de Espanha

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, inúmeras personalidades da música e a imprensa principal juntaram-se, ontem, à homenagem a Pablo Milanés.

Embora a morte do extraordinário cantor e compositor cubano, num hospital de Madrid, tenha ocorrido nas primeiras horas da manhã, de ontem,  mensagens de homenagem e condolências ao autor de “Yolanda” e “Yo no te pido” foram publicadas sucessivamente.

 “Pisaremos as ruas novamente e lamentaremos os ausentes em seu nome. A música de Pablo Milanés estará sempre connosco. Ele deu voz à vida e aos sentimentos de toda uma geração”, disse Pedro Sánchez, na sua conta no Twitter. “Eternamente em nossa memória”, acrescentou o Chefe do Governo espanhol.

 Yolanda Díaz, segunda Vice-Presidente do Governo espanhol e ministra do Trabalho, também expressou seus sentimentos no Twitter. “Pablo Milanés compôs, versículo por versículo, o canto de nossas vidas. Trovador de beleza, memória de todos os amores. Sua voz diáfana e livre nos legou uma poética e uma ética do essencial e do pequeno. Hoje, Pablo, você voa de sua amada ilha para nossos corações para sempre”, comentou.

Vladimir Putin manteve conversações com o seu homólogo cubano Miguel Díaz-Canel.

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