O assalto de Bolsonaro no Brasil ou como a extrema direita viaja pela América Latina e pelo mundo

A tomada das sedes dos três poderes públicos brasileiros por manifestantes de Bolsonaro, assim como a comparação automática com os acontecimentos do Congresso dos EUA há dois anos, sugere que os grupos de extrema direita estão ousando cada vez mais. Não podemos mais pensar que são eventos isolados.

Setores conservadores que saíram da cabala democrática e institucional decidiram recorrer à mobilização insurrecional para provocar saídas de força que ignoram a legalidade e buscam retornar a períodos históricos de ditaduras militares.

O aspecto mais crítico da situação é que os discursos da direita radical têm se saído relativamente bem na esfera eleitoral. Milhões de eleitores estão se juntando a esses setores que, apenas avançando um pouco mais, poderiam voltar a vencer em 2026, no caso brasileiro, assim como em 2024, nos Estados Unidos, caso um hipotético triunfo do ex-presidente e candidato Donald Trump

Não podemos esquecer que o bolsonarismo vem conquistando, em outubro, um poder assombroso no Congresso e em vários estados do país. Além disso, nas eleições presidenciais obteve 49% dos votos. Tudo isso apesar de o eleitor ter conhecido em primeira mão, nos últimos quatro anos, as inquietantes orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o coronavírus (que deixou mais de seiscentas mil mortes no país) e outros aspectos da vida social.

"As posições supremacistas que podemos observar nos militantes do bolsonarismo, assim como do trumpismo, pré-existem aos acontecimentos escandalosos que eles produziram. Mas as redes e a mídia conseguiram ampliar e mobilizar essas subjetividades."

Por isso, é fundamental saber o que pensam esses grandes grupos sociais que têm votado na ultradireita (quase metade do país) sobre as ações exageradas desses setores: há uma rejeição real das maiorias ou poderia haver simpatia dissimulada em relação a esses fatos?

O espanto com que muitos direitistas ao redor do mundo reagiram aos últimos acontecimentos em Brasília poderia ser uma “saudação à bandeira” protocolar, como quem oferece condolências sem muito sentimento.

Enquanto isso, dentro das sociedades, o germe do conservadorismo foi se espalhando graças à disponibilidade da mídia e ao impulso dos algoritmos das redes sociais mais conhecidas.

As posições supremacistas que podemos observar nos militantes do bolsonarismo, assim como do trumpismo, pré-existem aos acontecimentos escandalosos que eles produziram. Mas as redes e a mídia conseguiram ampliar e mobilizar essas subjetividades, afetando os pontos nevrálgicos da política e da sociedade.

Forças armadas e policiais: instituições de extrema-direita?

Especialmente preocupante é a influência da ultradireita nas forças militares e policiais.

Acabamos de vê-lo na forma como os manifestantes tomaram, praticamente sem impedimentos, todos os poderes públicos em poucos minutos. Já o debate, e a permissividade anterior ao evento, sobre o caráter “democrático” e “pacífico” dos acampamentos de Bolsonaro, obviamente mostrava que o que ali acontecia era legitimado entre militares e policiais.

O mais impressionante foi a forma “aveludada” com que os manifestantes foram despejados.

Que um evento desta natureza, na América Latina, tenha ocorrido sem uma única morte só pode ser explicado de duas maneiras: ou as forças de ordem no Brasil são entidades com o maior respeito pelos direitos humanos, ou melhor, houve uma coordenação prévia que permitiu avanço e retirada consensual daqueles que vandalizaram o Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Não é um problema que ocorre apenas no Brasil.

Parece que os avanços democráticos da sociedade latino-americana, desde a superação das ditaduras e o advento dos ciclos progressistas, não fizeram diferença para transformar a visão direitista que se impõe em quase todas as forças armadas e policiais.

Basta comparar a expulsão dos bolsonaristas dos prédios públicos mais importantes do Brasil com a repressão no Peru, onde ocorreram mais de 40 mortes em menos de um mês, apesar de os manifestantes, que protestam contra a governo de facto de Dina Boluarte, não chegam nem perto do palácio presidencial. Qual seria a reação das forças armadas peruanas se os manifestantes populares tomassem uma instituição pública?

“As Forças Armadas tornaram-se atores num “estado refrigerado” mas sempre preparados para sair do “frigorífico” e perpetuar situações de radicalização do conservadorismo, ignorando os parâmetros da democracia e levando a cabo processos repressivos que a esquerda nunca lhe permitiria. “

Recordemos o que aconteceu no golpe na Bolívia em 2019, quando as violentas forças de direita tomaram o palácio presidencial, lincharam prefeitos e queimaram as casas de dirigentes e ministros, sem a menor contenção policial ou militar. Porém, uma vez consumado o golpe, reprimiram duramente os protestos contra o governo interino de Jeanine Añez e muitas mortes.

Vimos coisas semelhantes nos golpes contra o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo em 2012 e contra Manuel Zelaya em 2009, nos quais corporações militares alavancaram a derrubada de governos democráticos.

Nas décadas de 1960 e 1970, as Forças Armadas foram protagonistas de ditaduras. Agora tornaram-se atores num “estado refrigerado” mas sempre preparados para sair do “frigorífico” e perpetuar situações de radicalização do conservadorismo, ignorando os parâmetros da democracia e realizando sistematicamente processos repressivos que a esquerda jamais permitiria.

Se a noção de democracia enfraquecer, as Forças Armadas nacionais parecem estar aí para voltar às situações de fato, embora ainda não se saiba se repetirão as repressões massivas que levaram a dezenas de milhares de desaparecimentos em vários países da região.

O fantasma que anda pelo mundo

Mas a questão não é só na América Latina.

Em dezembro, na própria Alemanha, uma rede de extrema-direita que as autoridades dizem estar planejando um golpe, especificamente um ataque armado ao Parlamento federal, foi desmantelada. Em 2020, já havia sido dissolvida uma unidade de elite do Exército Alemão que, após uma série de escândalos, se revelou infestada de neonazistas.

A tomada do Congresso nos Estados Unidos há dois anos pelos supremacistas, o triunfo de Giorgia Meloni na Itália ou o avanço da extrema direita em quase todos os países europeus nos permitem ver que as forças de direita não estão apenas se escondendo atrás de exércitos, mas sim , eles saíram para conquistar as mentes e os votos dos habitantes do mundo. Ou seja, não é uma infiltração isolada ou ações cirúrgicas.

O avanço da ultradireita no mundo também é eleitoral, por isso ela tem conseguido se posicionar dentro das instituições, naturalizando sua participação antes vetada.

O fracasso das políticas democráticas para enfrentar os principais problemas das sociedades alimenta essas forças retrógradas; os meios de comunicação os impulsionam em determinado momento e as estruturas militares lhes dão o apoio final.

Compreender a ascensão da extrema direita e sua capacidade de alinhar populações é uma tarefa fundamental para as forças democráticas mundiais.

RT

Governo do Brasil reforça segurança diante de novas ameaças de golpe

Em declarações à televisão CNN Brasil, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, precisou que esse reforço foi determinado pelo gabinete de crise estruturado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fiscalizar e antecipar novos atos criminosos contra a democracia. Foto: captura de tela

O Governo do Brasil decidiu reforçar a segurança em todo o território nacional após extremistas de direita convocarem novas manifestações para hoje nas capitais.

Em declarações à televisão CNN Brasil, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, precisou que esse reforço foi determinado pelo gabinete de crise estruturado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fiscalizar e antecipar novos atos criminosos contra a democracia.

“Tem medidas para reforçar a segurança em todo o país uma vez que circulam as cartas de novas manifestações. Então, por precaução, segurança na Esplanada dos Ministérios (os principais prédios públicos estão localizados), nas cidades e no país como um todo”, explicou Costa.

Ele também informou que o Exército deve proteger os quartéis-generais dos três poderes, mas sem necessariamente um decreto de Garantia da Lei e da Ordem, o chamado GLO, em que as Forças Armadas assumem o poder.

“Você não precisa de GLO para proteger o Palácio. A segurança do Distrito Federal (DF) está sob intervenção e haverá todos os reforços do Exército para proteção, além das demais forças de segurança”, especificou.

Nas redes sociais, grupos de apoiadores radicais do presidente derrotado Jair Bolsonaro anunciaram convocações para manifestações às 18h (horário local) desta quarta-feira em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Tais mobilizações serão pela “recuperação do poder”, segundo os organizadores.

Os bolsonaristas (apoiadores do ex-governante) pedem intervenção militar no país e rejeitam pela terceira vez a posse de Lula.

Pelo menos 1.500 desses extremistas foram detidos pelas invasões e atos de vandalismo ocorridos no domingo no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo.

Diante dos fatos, Lula decretou intervenção federal na Segurança Pública do DF. Aprovada no Parlamento pelas duas câmaras (Deputados e Senado), a matéria segue agora para promulgação.

Na prática, com as validações, o Congresso ratifica a medida até 31 de janeiro, conforme proposta do presidente.

A previsão está prevista no artigo 34 da Constituição Federal para “pôr fim a grave comprometimento da ordem pública” e “garantir o livre exercício de qualquer dos poderes nas unidades da federação”.

Durante reunião com governadores ou representantes dos 27 estados do Brasil, a respeito dos atos golpistas, Lula afirmou que “não vamos permitir que a democracia saia do controle”.

(Com informações da Imprensa Latina)

Ataque de Bolsonaro deixa sérios danos ao patrimônio histórico de Brasília

A lista inclui pinturas, esculturas, vidros, portas, janelas e todo tipo de mobiliário dessas construções futurísticas projetadas pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer.

O violento ataque de domingo contra as três sedes do poder político em Brasília por hordas de radicais bolsonaristas danificou grande parte do patrimônio histórico e artístico e os espaços privados nos quais as mais altas autoridades brasileiras trabalham diariamente.

A lista inclui pinturas, esculturas, vidros, portas, janelas, computadores, televisores e todo tipo de mobiliário para essas construções futurísticas projetadas pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer na capital brasileira. Em sua fúria, os atacantes usaram paus, grandes martelos, pedras, cercas e tudo ao seu alcance.

No Palácio do Planalto, sede da presidência, onde no dia 1º de janeiro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a faixa presidencial para seu terceiro mandato, nem mesmo o quadro ‘Las mulatas’, do pintor Di Cavalcanti, foi poupado. Segundo O Globo, os manifestantes chegaram a furá-la por seis lados.

Outras obras de arte foram destruídas no gabinete do ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, que mostrou em suas redes como tudo ficou, e o quarto da primeira-dama, Rosângela Silva, mais conhecida como Janja, também foi destruído.

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Os bolsonaristas não puderam entrar na sala presidencial, que fica no terceiro andar, porque tem maior segurança e fechaduras especiais nas portas.

Entraram na sala do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), onde não só a devastaram como roubaram armas e munições.

Também destruíram a histórica galeria de fotos de presidentes brasileiros que enfeita o saguão do Planalto.

No Congresso, um edifício icônico com duas altas torres erguidas sobre duas cúpulas, uma delas invertida, o vitral do Araguaia, obra da artista Marianne Peretti, e localizado na sala verde da Câmara, ao lado da câmara, foi estragado.

Também atacaram alguns gabinetes dos deputados e o Plenário do Senado.

No STF, destruíram o salão com bustos das mais altas autoridades da República, arrasaram a sala do plenário e vários gabinetes dos onze desembargadores. Um dos vídeos que viralizou foi o da porta arrancada com o nome do juiz Alexandre de Moraes, inimigo do ex-presidente Jair Bolsonaro, contra quem o magistrado abriu diversas investigações.

A Polícia e o Exército começaram a evacuar nesta segunda-feira o acampamento onde os bolsonaristas se reuniram em Brasília e que fica em frente ao Quartel General do Exército. Muitos dos apoiadores de Bolsonaro chegaram ao acampamento há dois meses para protestar contra a vitória de Lula sobre Bolsonaro.

Desde a invasão ocorrida no início da tarde de domingo, que evocou o ataque semelhante ocorrido no Capitólio de Washington em 6 de janeiro de 2021, 1.200 pessoas foram detidas, segundo a Globo.

O presidente convocou uma reunião ministerial para esta segunda-feira no Palácio do Planalto – na tentativa de deixar claro que o Governo continua ocupando seus prédios – para fazer um balanço da situação e ver quais providências serão tomadas a seguir. Nesta tarde, o presidente se reunirá com os governadores dos diferentes estados.

RT

Mais de 1.200 presos por tentativa de golpe no Brasil

Milhares de bolsonaristas entraram violentamente nas sedes do Parlamento, da Presidência e do Supremo Tribunal Federal. Foto: EFE

Pelo menos 1.200 integrantes de Bolsonaro foram detidos nesta segunda-feira no acampamento que montaram em frente ao quartel-general do Exército em Brasília desde as eleições de outubro e de onde foram lançados os ataques de domingo contra os quartéis-generais dos três poderes no Brasil.

Os seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que não reconhecem a vitória do líder progressista Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, foram presos após serem cercados pela Polícia e pelo Exército, desmantelaram pacificamente o acampamento onde se refugiavam .

Segundo o Ministério da Justiça, os integrantes de Bolsonaro detidos foram levados em pelo menos 40 ônibus até a sede da Polícia Federal, onde serão identificados para tentar apurar se participaram dos violentos ataques de domingo e arquivados caso surjam provas contra eles no futuro. .

Só permanecerão presos os que forem identificados como participantes dos atos de vandalismo e aqueles que tiverem alguma prova contra eles.

Os prisioneiros se juntarão às quase 300 pessoas que foram presas no domingo por sua responsabilidade nos ataques.

O despejo foi pacífico e ocorreu depois que o desembargador Alexandre de Moraes, um dos onze integrantes do STF, ordenou o desmantelamento de todos os acampamentos montados pelos bolsonaristas em frente ao quartel do país e de onde defendiam um golpe. Brasil contra Lula.

Moraes, responsável por várias das investigações contra Bolsonaro e seus seguidores por ataques à democracia, ordenou que os ocupantes dos acampamentos “sejam detidos em flagrante pela prática de diversos crimes”.

O acampamento dos radicais em Brasília, montado há mais de 70 dias, desde que Lula venceu no segundo turno das eleições presidenciais, serviu de base para os manifestantes que invadiram a sede dos três poderes do Brasil no domingo e foi o alvo lugar para onde retornaram após sua tentativa fracassada de forçar um golpe.

O número de radicais no acampamento em frente ao quartel-general do Exército vinha caindo desde a posse de Lula, em 1º de janeiro, e na quinta-feira as autoridades contabilizavam cerca de 200 pessoas, mas no sábado saltou para cerca de 3 mil depois que os bolsonaristas convocaram a manifestação de domingo.

Diante do caos gerado pelo assalto a prédios públicos, Lula decretou intervenção federal na área de segurança de Brasília até 31 de janeiro, com a qual a polícia regional ficará sob controle do governo federal.

O assalto ao Congresso, à Presidência e ao STF só foi resolvido após quatro horas e meia de confusão, quando agentes de choque fizeram investidas e dispararam gás lacrimogêneo contra os exaltados que estavam dentro e fora dos prédios dos três poderes.

(Informações da EFE)

Deputado Ocasio-Cortez pede expulsão de Bolsonaro dos EUA após acontecimentos no Brasil

ar Bolsonaro está nos EUA desde antes da posse de Lula Foto: Cristiano Piquet/via REUTERS

A deputada norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez pediu hoje a expulsão do ex-presidente Jair Bolsonaro de seu país após a invasão do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo no Brasil.

Em suas redes sociais e ampliada na mídia nacional, a parlamentar da Câmara dos Deputados por Nova York relembrou em seu texto o ataque ao Capitólio por partidários do ex-presidente americano Donald Trump.

Quase dois anos atrás, em 6 de janeiro de 2021, cinco pessoas morreram e mais de 950 foram presas após a invasão legislativa em Washington.

“Devemos ser solidários com o (presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva), governo eleito democraticamente. Os Estados Unidos devem parar de conceder refúgio a Bolsonaro na Flórida”, escreveu Ocasio-Cortez.

O ex-soldado deixou o país no dia 30 de dezembro e horas antes de partir, fez, por meio de live (ao vivo) nas plataformas digitais, o último pronunciamento como chefe de Estado. Ele quebrou o silêncio desde a derrota para Lula em 30 de outubro e convocou seus apoiadores a se manterem firmes contra o governo progressista.

“Não vamos acreditar que o mundo acaba neste 1º de janeiro” com a chegada à presidência do fundador do Partido dos Trabalhadores, disse Bolsonaro, que pediu para não parar de “fazer oposição”.

Ele fez alusão aos acontecimentos dos últimos dias no gigante sul-americano e destacou que “nada justifica a tentativa de ato terrorista” em Brasília, quando um homem plantou um explosivo em um caminhão de combustível no dia 24 de dezembro próximo ao aeroporto da capital federal.

O ex-capitão do Exército reclamou que atitudes de violência política são sempre atribuídas aos bolsonaristas (seus seguidores).

No entanto, o empresário George Washington, preso pelo artefato explosivo, informou à polícia que participou de atos antidemocráticos realizados por partidários do presidente derrotado.

O empresário confessou ainda que sua intenção era iniciar o caos e que agiu por motivação política. A bomba não explodiu.

Da mesma forma, Bolsonaro também justificou os acampamentos de seguidores em frente aos quartéis do Exército nas cidades brasileiras.

Ele opinou que são uma reação a um processo eleitoral que “não teve toda a transparência” e pressionou “uma massa de pessoas a sair às ruas e protestar”.

Tais acampamentos e mobilizações fazem reivindicações inconstitucionais, como a intervenção militar e a reversão do resultado do referendo eletivo.

A previsão é de que Bolsonaro saia de férias nos Estados Unidos. Inicialmente, você deve ficar fora do país por pelo menos três meses.

Cubadebate

Lula manda assumir o controle de Brasília e alerta Bolsonaro sobre as consequências do assalto

Lula culpa Bolsonaro pelas agressões: “Vândalos fascistas serão punidos”. Foto: EFE

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, culpou o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo ataque ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal e à sede do poder executivo por milhares de apoiadores radicais de Bolsonaro neste domingo. “Aproveitaram o silêncio dominical, quando ainda estávamos a constituir o Governo, para fazer o que fizeram. Há vários discursos do ex-presidente incentivando isso e isso também é responsabilidade dele e dos partidos que o apoiaram”, destacou.

“Essas pessoas que chamamos de fascistas invadiram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto. Todas as pessoas que fizeram isso serão encontradas e punidas”, disse ele em entrevista coletiva na qual anunciou que voltaria à capital. “Vou voltar a Brasília para visitar os três palácios e vamos tentar descobrir quem financiou tudo isso. Também vamos investigar se alguém do governo federal está envolvido nisso”, disse o presidente. “Todo mundo sabe que há discursos do ex-presidente Bolsonaro incentivando o ocorrido e ele é o responsável”, acrescentou, lembrando que o ex-presidente se recusou a transferir a faixa presidencial para ele.

Lula também decretou neste domingo a intervenção das forças de segurança federais na capital e demitiu o secretário de segurança da cidade, Anderson Torres. Além disso, o Ministério Público pediu ao STF a prisão de Torres, que também foi ministro da Justiça de Bolsonaro. O governador da capital, Ibaneis Rocha, já pediu desculpas a Lula pelo ocorrido.

“Eles vão pagar com a força da lei”, disse Lula. “É preciso que essas pessoas sejam punidas de forma exemplar. Isso nunca tinha acontecido nem no auge da chamada luta armada neste país nem em nenhuma das disputas entre os poderes do Estado”, acrescentou.

O presidente progressista qualificou de “barbárie” as graves altercações vividas na capital brasileira por radicais de extrema direita que exigem uma “intervenção” militar que devolva ao poder Jair Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Lula também criticou a ação da polícia. “A polícia não fez nada. Ele apenas deixou os manifestantes passarem”.

“A democracia garante o direito à liberdade de expressão”, mas “exige que as pessoas respeitem as instituições”, disse Lula, que tomou posse como chefe de Estado do Brasil em 1º de janeiro e lembrou todas as eleições em que perdeu e em que ele respeitou os resultados.

Lula esteve neste domingo em Araraquara, interior de São Paulo, para conhecer os estragos causados ​​pelas fortes chuvas dos últimos dias na região.

(Informações de elDiario.es)

Líderes mundiais felicitam Lula da Silva.

#Brasil #Portugal #Política

JA Online

O Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou hoje o Presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, e manifestou-se certo de que o seu mandato corresponderá a um período promissor nas relações com Portugal.

A foto é apenas ilustrativa © Fotografia por: DR | Arquivo

O Presidente francês, Emmanuel Macron, felicitou a vitória do Presidente eleito da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na rede social Twitter, que considera ser “uma nova página na história do Brasil”.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, felicitou hoje Lula da Silva para a Presidência do Brasil, manifestando empenho em “continuar a cooperação” entre os dois países.

O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, disse que o Brasil escolheu “o progresso e a esperança” ao dar a vitória a Lula da Silva nas eleições presidenciais deste domingo.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, regozijou-se com a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais no Brasil, escrevendo no Twitter que “hoje no Brasil a democracia triunfou”.

UE felicita Lula e solidez das instituições e democracia brasileiras

#Lula #Política # Brasil #UniónEuropea

A União Europeia felicitou hoje o novo Presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e considerou que as eleições deste domingo, “pacíficas e bem organizadas”, demonstraram “a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia”.

© Fotografia por: DR | Arquivo

“A União Europeia elogia em particular o Tribunal Eleitoral pela forma eficaz e transparente como conduziu o seu mandato constitucional ao longo de todas as fases do processo eleitoral, demonstrando mais uma vez a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia”, lê-se numa declaração escrita do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, divulgada após ser declarada a vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras deste domingo.

Lula da Silva é o novo Presidente do Brasil

#Brasil #LulaPresidente #Política

Bernardino Manje | Em Brasília

Com 99,45% das urnas escrutinadas até ao momento, o candidato do PT, Lula da Silva, foi eleito este domingo o novo Presidente do Brasil, com 50,87% dos votos, contra 49,13 de Jair Bolsonaro.

© Fotografia por: DR | Arquivo

Onze anos depois, Lula da Silva volta ao Palácio do Planalto como Chefe de Estado, devendo iniciar o mandato no dia 1 de Janeiro de 2023.

Por outro lado, Jair Bolsonaro entra para a história do Brasil como o Presidente da República que não consegue a reeleição. 

PERFIL DE LULA DA SILVA 

Luiz Inácio Lula da Silva tem 76 anos e foi Presidente do Brasil entre 2003 e 2011. Foi a sexta vez que se candidatou à Presidência.

A história de Lula da Silva começa numa das zonas mais pobres de Pernambuco. É o sétimo de oito filhos e deslocou-se para o litoral de São Paulo, onde vendia laranjas no cais, enquanto aprendia a ler, contra a vontade do pai. Conseguiu matricular-se aos 15 anos no ensino profissional.

Em 1964, ano em que se instituiu a ditadura militar, teve um acidente de trabalho em que perdeu um dedo, logo seguido de outra tragédia: a morte da mulher, no hospital. Ela estava grávida de 8 meses.

Politizado, Lula filiou-se no Sindicato dos Metalúrgicos, que veio a dirigir num clima de greves gerais e desobediência civil.

Preso, destituído do cargo e perseguido pela justiça brasileira, nasceu assim em Luiz Inácio Lula da Silva uma carreira política, com a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1989.

Concorreu pela primeira vez às primeiras eleições presidenciais, após o regresso da democracia. Perdeu e ainda viria a perder por mais duas vezes, para Fernando Henrique Cardoso, o homem que, em 2003, lhe entregou, finalmente, a faixa presidencial.

A história de Lula da Silva é de conquistas e derrotas, mas é o homem que muitos consideram ter tirado o Brasil da miséria nos anos em que chegou e saiu do cargo com uma popularidade de 80 por cento.

A maior descida foi no processo Lava Jato, que ainda lhe mancha a reputação.

As suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro arrastaram Lula da Silva para um longo processo judicial e impediram-no de se candidatar às eleições em 2018.

Sérgio Moro, que mais tarde foi nomeado ministro da Justiça, por Jair Bolsonaro, condenou Lula da Silva a 12 anos de prisão.

Lula entregou-se às autoridades, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, mas ficou preso durante um ano e meio.

O Supremo Tribunal Federal decidiu que a detenção era inconstitucional, anulou a pena e considerou que o juiz Sérgio Moro agiu com parcialidade. Assim, Lula da Silva recuperou os direitos políticos que lhe permititram candidatar-se à Presdiência este ano.

Os dois mandatos de Lula da Silva (entre 2003 e 2011) ficaram marcados por programas sociais como a “Bolsa Família” ou a “Fome zero”, que retiraram da pobreza mais de 30 milhões de brasileiros, mas também pelo compromisso com as grandes empresas.

Triplicou o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e colocou o Brasil nos BRIC das potências emergentes de um futuro, que tem tardado a concretizar-se. O homem está de volta e a expectativa é que faça melhor do que já fez.

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