Bolsonaro deve ser multado por desacreditar o sistema eleitoral.

#JairBolsonaro #olítica #CORRUPÇÃO #PTBrasil #EleccionesPresidenciales

teleSUR

O Ministério Público Eleitoral pediu na quarta-feira para multar o actual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, por ataques e declarações contra o sistema eleitoral e fazer avançar a propaganda antes das eleições presidenciais de Outubro próximo.

A 18 de Julho, o presidente brasileiro expressou as suas suspeitas sobre as urnas electrónicas e o processo eleitoral a um grupo de embaixadores e diplomatas na residência presidencial.

A 18 de Julho, o presidente brasileiro expressou as suas suspeitas sobre as urnas electrónicas e o processo eleitoral a um grupo de embaixadores. | Foto: @eixopolitico

As acusações de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral foram negadas pelas autoridades eleitorais do país sul-americano.

Em resposta às observações do presidente brasileiro, o Ministério Público Eleitoral pediu ao Supremo Tribunal Eleitoral para multar Jair Bolsonaro e remover os vídeos nas redes sociais que mostram fragmentos do seu discurso aos embaixadores.

Segundo o procurador-geral adjunto eleitoral, Paulo Gonet, por Bolsonaro atacando o sistema de votação e posicionando-se como vítima, acabou, na prática, por pedir votos a seu favor.

“Certamente, o que aconteceu foi a revelação de hipóteses de propaganda inaceitáveis, tanto no próprio período como de antemão”, disse Gonet.

O órgão eleitoral assinalou igualmente que o encontro entre Bolsonaro e os diplomatas foi transmitido na televisão e na Internet e chegou ao público votante nas eleições de 2 de Outubro.

Anteriormente, os legisladores da oposição pediram ao STF para investigar Jair Bolsonaro, a quem acusam de cometer um crime de responsabilidade, um crime contra o Estado democrático, transgressão eleitoral, impropriedade administrativa e incitamento às forças armadas contra o TSE.

Os media brasileiros garantiram que Jair Bolsonaro não aceitaria o resultado eleitoral se fosse derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo que procuraria mobilizar os seus apoiantes para tentar repetir no Brasil a invasão do Capitólio nos EUA por seguidores do ex-presidente norte-americano Donald Trump a 6 de Janeiro do ano passado.

A justiça brasileira anuncia campanha contra a violência política.

#Brasil #EleccionesPresidenciales #PTBrasil

teleSUR

O Supremo Tribunal Eleitoral Brasileiro (TSE) anunciou na terça-feira uma campanha publicitária antes das próximas eleições presidenciais de 2 de Outubro para combater a violência política e tornar claros os conceitos de liberdade de expressão e os direitos e deveres dos brasileiros.

A iniciativa do tribunal eleitoral visa abordar os ataques às autoridades, a legitimidade do voto electrónico e a liberdade de imprensa. | Foto: EFE

O tribunal pretende desenvolver mensagens publicitárias que sublinhem “a diferença entre liberdade de expressão e liberdade de agressão”, e explicar condutas proibidas por lei, tais como incitação à prática de crimes, ameaças, agressões ou ataques à liberdade de expressão ao longo da campanha para as eleições de 2 de Outubro e durante as próprias eleições.

O tribunal eleitoral do gigante sul-americano indicou que as agências de publicidade estão actualmente a ser procuradas para desenvolver o trabalho publicitário, que poderia começar a ser transmitido no final de Agosto.

A iniciativa responde a um acordo feito no final de Julho, quando foi criada uma equipa de trabalho para conceber estratégias para enfrentar a violência política, após verificação de relatos de agressão contra brasileiros por razões ideológicas e ataques à liberdade de imprensa.

Os relatórios emitidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado sobre os ataques às autoridades, a legitimidade do voto electrónico e a liberdade de imprensa também influenciaram a criação do grupo de trabalho.

Neste sentido, o presidente do TSE, Edson Fachin, declarou recentemente que a justiça actuará com tenacidade face à violência política no processo eleitoral do Brasil 2022.

“Não toleraremos a violência eleitoral, um subtipo de violência política. A Justiça Eleitoral não poupará esforços para agir, a fim de parar a violência como arma política e enfrentar a desinformação como uma prática do caos”, salientou Fachin num encontro com a Prerrogativas, uma associação brasileira de juristas, artistas e professores que apoia a Justiça Eleitoral.

Fachin também reconheceu o apoio da sociedade brasileira para enfrentar todo o tipo de violência política, que nas últimas semanas foi desencadeada pelo actual presidente do país, Jair Bolsonaro, e seus seguidores.

Angola e Brasil assinam acordo no domínio da agricultura.

#Angola #Brasil #Política #Mirex #Economía

Jornal de Angola.

Angola e o Brasil assinaram esta quarta-feira, em em Luanda, um acordo denominado Programa de Cooperação sobre Desenvolvimento da Agricultura em Áreas Irrigadas e Agricultura Familiar.

© Fotografia por: CEDIDA | MIREX

O acordo, no âmbito da cooperação e a parceria estratégica entre os dois Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi assinado pelo director de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Sardinha, e o director da Agência Brasileira de Cooperação, Rui Carlos Pereira, conforme uma nota de imprensa do Ministério das Relações Exteriores a que o Jornal de Angola teve hoje acesso.  

Angola e Brasil mantêm excelentes relações de cooperação em vários domínios, com particular enfoque para a política, diplomacia, economia, defesa, transportes, cultura e o sector empresarial.

Brasil: As tensões aumentam entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal.

#EleccionesPresidencialesBrasil #JairBolsonaro #LulaPresidente

Bolsonaro chama de ladrões ex-homólogos.

#JairBolsonaro #CORRUPÇÃO #Elecciones #InjerenciaDeEEUU #ManipulaciónPolítica

Jornal de Angola.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, qualificou de canalhas e ladrões os que o antecederam no poder, num acto público realizado, ontem, no qual também disse não entender aqueles que anseiam a volta de um Governo liderado pela esquerda.

Em claro tom eleitoral para as eleições de Outubro, Bolsonaro visitou algumas obras de um monumental projecto de transbordo do rio São Francisco, um dos maiores do país, cujas águas foram desviadas para combater a seca que a região Nordeste do país sofre todos os anos.

As obras começaram em 2007, no segundo mandato do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e deveriam ser concluídas em cinco anos, mas ainda não estão concluídas e o seu custo, inicialmente estimado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares , foi multiplicado por 10.

Sem o citar, Bolsonaro culpou directamente “a corrupção” que diz ter marcado boa parte do Governo de Lula da Silva, o principal favorito para as eleições de Outubro próximo, nas quais o actual Presidente tentará renovar o seu mandato. Numa aparente alusão ao favoritismo que todas as sondagens atribuem a Lula da Silva, Jair Bolsonaro disse não entender que “há gente que sente saudade desses canalhas”, descrição que estendeu a outros governantes que o antecederam.

“Veja quanta porcaria me antecedeu”, disse Bolsonaro, citando um que “falou lindamente”, em clara referência ao ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ex-líder social-democrata de quem até zombou ao imitar a sua voz.

No entanto, concentrou suas principais críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), liderado por Lula da Silva e que governou o país entre 2003 e 2016, primeiro com o ex-sindicalista e depois com Dilma Rousseff, destituída por alegada gestão irregular do Orçamento. “Todos nós no Brasil sofremos as consequências desses canalhas”, disse Bolsonaro, que insistiu que “esses tipos de esquerda não respeitam ninguém, não respeitam nem a religião”.

Claramente empolgado, o Presidente brasileiro citou que quando o seu Governo tomou, os técnicos da sua equipa alegadamente descobriram um contrato com uma Organização Não-Governamental no valor de 10 milhões de dólares, destinado a um Programa de Treino para indígenas negociarem ‘bitcoins’, que também criticou duramente.

Bolsonaro amplia a vitória de Boric tratando-o como um inimigo.

#Brasil #JairBolsonaro #AmericaLatina #ElCaminoEsLaPaz

Um político que se torna presidente da República está pelo menos habituado à adversidade e compreende a estratégia, reconhece as derrotas e tenta construir novas vitórias. A lógica perde-se quando analisamos a personalidade de Jair Bolsonaro, chefe do Executivo brasileiro, e actualmente o seu representante minoritário.

É o que acontece quando Bolsonaro mais uma vez se isola e não cumprimenta o novo presidente do Chile, mesmo 48 horas após a vitória do congressista Gabriel Boric para o mais alto cargo no Chile. Pelo contrário, os seus aliados dentro do governo lamentaram a vitória do novo presidente, um desencontro com o mínimo que a diplomacia sugere.

Bolsonaro, que fez campanha contra Pedro Castillo, foi lento a reconhecer a sua vitória eleitoral, devido às suas “ligações à esquerda”. Ao regressar de uma viagem, Bolsonaro observou o “perigo da esquerda no Chile” antes das eleições. Chegou em 2018 para receber Kast no Brasil, e de acordo com uma entrevista com o vencido chileno, admirava Bolsonaro “por pôr fim à corrupção no Brasil”, um total desrespeito pelos pedidos de “vantagens” financeiras para comprar vacinas feitas pelo seu país. subordinados directos, ou compras de mansões pela sua família. Ainda existem processos em tribunal, pelo acto de apropriação da maioria dos salários dos empregados nos seus escritórios quando era parlamentar, incluindo uma prática repetida pelos seus filhos.

Uma realidade muito diferente para aqueles que prometeram salvar o Brasil do “comunismo” (como se a política de inclusão fosse um mal) e apontaram para um futuro melhor, mas, devido à sua negação, 617.000 pessoas morreram de Covid-19.

Possuindo um desvio de personalidade para o cargo de presidente de uma nação, no cumprimento da sua administração, o Presidente Bolsonaro tem mostrado dificuldade em aceitar derrotas de aliados, como foi o caso do ‘admirado’ Kast. Nas eleições americanas, levou 38 dias para felicitar o actual Joe Biden pela sua vitória sobre Donald Trump. Em Outubro de 2019, Bolsonaro lamentou a vitória de Alberto Fernández na Argentina e disse, a certa altura, que não iria felicitar o novo líder do país vizinho. A quem os brasileiros muitas vezes chamam ‘irmãos’ argentinos.

Bolsonaro entra para a história e deve seguir os passos do Macri derrotado para a reeleição. O argentino foi ao Chile e apoiou a candidatura do chileno de extrema-direita José Antonio Kast, que ele não conhece, mas longe de celebrar o resultado eleitoral com o Pinochettist, acrescentou um novo caso de teste para aqueles que mantêm a teoria de que ele traz má sorte.

“Hoje o Chile, para mim, é talvez a única sociedade, o único país do primeiro mundo que temos na América Latina, e eles têm tido muito sucesso na construção, desenvolvimento e fortalecimento das suas instituições”, disse Mauricio Macri do Palácio de La Moneda em Santiago, onde falou à imprensa para apoiar o defensor do genocida Augusto Pinochet.

Bolsonaro, tal como Macri, vê a tarefa que lhe foi confiada pelos Estados Unidos de aumentar a direita na América do Sul como indo na direcção oposta à que eles queriam. Em repetidas derrotas e rejeições da sua personalidade, eles reagem transformando os opositores de esquerda em presidentes inimigos. Uma psicopatia incompatível que apenas eclipsa os aliados neoliberais eleitoralmente e engrandece os novos presidentes latino-americanos de esquerda, transformando-os em líderes de países vizinhos dos seus.

Nas eleições chilenas, o candidato de extrema-direita José Antonio Kast admitiu a sua proximidade às ideias de Bolsonaro no Brasil. Por outro lado, os apoiantes de Boric utilizaram imagens do presidente brasileiro para criticar Kast. Uma publicação dizia que Bolsonaro, tal como Kast, também prometeu salvar o Brasil do comunismo e apontou para um futuro melhor, mas que governou um país onde 617.000 pessoas morreram de Covid-19 e que enfrenta problemas económicos.

O Presidente argentino Alberto Fernández disse que os países deveriam comprometer-se a reforçar os laços de irmandade que os unem. Outros presidentes da região, como Nicolás Maduro da Venezuela e Luis Arce da Bolívia, também felicitaram Boric pela sua vitória. O ex-presidente Lula, que lidera as sondagens nas intenções de voto para as eleições de 2022, enviou uma mensagem de felicitações ao candidato de esquerda. No campo de direita, a sanidade veio do Presidente uruguaio Luis Lacalle Pou e do paraguaio Mario Abdo Benítez, que também cumprimentou o vencedor das eleições chilenas.

Por opção, o governo brasileiro enveredou pelo caminho do isolamento diplomático ao longo dos primeiros três anos do seu mandato, tem um dom para gerar rejeição, mesmo no seu próprio campo político, e escolher inimigos, ajudando-os a alcançar vitórias.

Do auge da sua popularidade entre os chilenos, o presidente eleito está a tornar-se um novo líder em todo o continente latino-americano, dizendo simplesmente o que o mundo pensa: “Bolsonaro é um perigo para a humanidade… Está a destruir o que pertence a toda a humanidade”. Bolsonaro na prática gera uma vez mais a valorização da esquerda, mostrando claramente a imprudência do que a extrema direita significa para o planeta.

¡Fora, Bolsonaro!

#Brassil #JairBolsonaro

Por Silvina Pachelo

O Presidente brasileiro está a atravessar um momento crítico, uma vez que a sua popularidade está em baixa, enquanto Lula da Silva está a emergir como o favorito nas sondagens para as eleições presidenciais do próximo ano. Uma visão geral do Brasil de Bolsonaro explica esta situação.

A 7 de Setembro, em comemoração do Dia da Independência do Brasil, Jair Messias Bolsonaro apelou aos seus seguidores, que se mobilizaram nas principais cidades do país em apoio ao líder da extrema-direita, e em apoio à guerra que ele está a travar com o Supremo Tribunal Federal (STF). Mas a afluência não foi a esperada.

Hoje tem 24% de apoio, o seu nível mais baixo desde que chegou ao poder em 2019, enquanto o ex-presidente Lula da Silva está a crescer nas sondagens.

Houve também uma marcha de oposição proclamando uma “terceira via”, nem Bolsonaro nem Lula, e apelando a um “impeachment” (impeachment) do actual presidente. O presidente apoiou as suas ameaças: “Uma pessoa específica na região dos três poderes está a barrar a população e a efectuar detenções políticas, algo que não pode ser aceite (…) Ou este juiz é incriminado ou demite-se”. Bolsonaro refere-se aos juízes Alexandre de Moraes, que tinha ordenado a detenção dos seus apoiantes que defendiam a intervenção militar, e Luís Roberto Barroso, presidente do tribunal eleitoral.

Dias mais tarde, na sequência das repercussões destas observações, Bolsonaro tentou atenuá-las, afirmando que elas foram feitas “no calor do momento”. Noutras aparições, ele autodenominou-se “o porta-voz do povo”, mas as suas contínuas ameaças públicas saíram-lhe pela culatra.

O Supremo Tribunal Federal intentou uma acção contra ele por divulgar falsas notícias e pôr em perigo a democracia. “Nunca serei um prisioneiro”, advertiu no dia do comício de 7 de Setembro, antes de chegar no seu Rolls-Royce. Acrescentou que as suas opções são “prisão, morte ou vitória”, e com o tom messiânico de que tanto gosta, afirmou: “Só Deus me tirará daqui”. Todas as ameaças e a possibilidade de revogar o seu mandato devido às investigações judiciais e ao enorme apoio dos sectores populares, sindicatos e empresários que Lula está a receber fazem de Bolsonaro um presidente que, longe de corresponder às expectativas do seu povo, está a endurecer e a aumentar os seus ataques às instituições mais importantes do país.

Olhando em frente para 2022

A reeleição de Bolsonaro não está assegurada. A sua popularidade é inferior ao esperado, perdeu o apoio dos sectores que tinham votado nele, dos evangélicos e da classe média. O Supremo Tribunal Eleitoral adverte que as queixas do presidente contra o sistema de votação electrónica o expõem a acusação por “abuso do poder político e económico”, e se se provar que Bolsonaro violou a lei eleitoral durante o seu mandato, o TSE poderia declará-lo inelegível. Claramente, para que o seu impeachment seja válido, o presidente brasileiro terá de ser denunciado pelo Procurador-Geral, Augusto Aras, um aliado próximo, e enfrentar a abertura de um processo de impeachment, que necessita de dois terços da Câmara dos Deputados para ser consolidado. A isto junta-se uma comissão de saúde que investiga as razões do fracasso das medidas contra a covid-19, que até agora reclamou a vida de 560.000 pessoas.

A crise económica está também na ordem do dia no Brasil. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que devido ao aumento das ordens judiciais (dívida do Estado reconhecida pelos tribunais) e à inflação, poderá ser obrigado a exceder o limite máximo de gastos para o próximo ano: “Com a inflação a aumentar como está agora, o espaço para a expansão dos programas sociais é eliminado (…) Dependendo do nível de inflação, eu poderia começar 2022 a quebrar o limite máximo de gastos”, advertiu Guedes.

O Banco Central do Brasil (BCB) aumentou há alguns dias a sua taxa de juro de referência (Selic) em 100 pontos base, a fim de conter a subida dos preços. O chefe do BCB, Roberto Campos Neto, anunciou que iria “fazer tudo o que fosse necessário para travar a inflação no Brasil”. Além da crise económica, o Brasil está a sofrer a pior seca em quase um século. O aumento dos preços internacionais das mercadorias e a depreciação do real estão a fazer subir os preços a cada dia que passa. A taxa de desemprego já atingiu 14%. Esta é uma situação muito complexa, apesar das previsões do FMI de que o país poderia estabilizar.

De acordo com o cientista político Emir Sader, “a comunidade empresarial está dividida. Um sector ainda está com ele (Bolsonaro) porque ganhou as privatizações, outro sector está inclinado para Lula da Silva, e um terceiro está a meio caminho, formando a “terceira via”, sem Lula e sem Bolsonaro. O cenário entre aqueles que controlam a economia está dividido e não existe uma posição global do estabelecimento”.

A corrupção não demorou muito a chegar. Nos últimos meses, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro levantou o segredo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente brasileiro, no âmbito de uma investigação de corrupção. A medida foi solicitada pelo Ministério Público, que acusa Carlos Bolsonaro de desviar recursos públicos por alegadamente utilizar o seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para contratar funcionários “fantasmas”. Para a analista política Maria Carolina Trevisan, este facto reflecte-se e tem um impacto directo no governo porque existe uma percepção crescente da corrupção, que aparece como uma questão central para os eleitores, e em virtude da qual se nota como Bolsonaro está a perder popularidade.

Outra acusação de abuso recai sobre o presidente brasileiro: a dos povos indígenas do Brasil. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) pediu ao Tribunal Penal Internacional (ICC) na segunda-feira para investigar o presidente de extrema-direita pelas suas “políticas anti-indígenas”, que descrevem como “genocídio” e “ecocídio”. O presidente promoveu a exploração de terras indígenas e áreas protegidas na Amazónia, que foram duramente atingidas pela desflorestação e mineração ilegal. A denúncia sublinha a redução, durante o actual governo, dos recursos dos organismos de controlo, o que desencadeou invasões em terras indígenas.

Agora, Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é claramente o favorito nas sondagens antes das eleições presidenciais de Outubro de 2022. Tem 41 por cento dos votos, enquanto Bolsonaro tem 23 por cento, seguido pelo antigo juiz Sergio Moro (7 por cento), Ciro Gomes do Partido Trabalhista (6 por cento) e o apresentador de TV e magnata da TV Globo Luciano Huck (4 por cento). “A construção leva tempo. A demolição é rápida. Aqueles que vieram depois de nós, no Brasil e noutros países, para destruir a integração sul-americana e a cooperação Sul-Sul restabeleceram uma ordem quase colonial nas relações internacionais”, declarou Lula.

O ex-presidente (2003-2010) e líder da oposição disse que a actual situação “quase colonial” produziu “uma catástrofe que está à vista e muitos países já estão a regressar para construir uma política multilateral e de integração na região que será reforçada quando o Brasil regressar a um rumo mais humanista”.

A hora de Lula será a nova hora dos povos livres, dos sem terra, das vozes revolucionárias que proclamam um governo da Pátria Grande. O povo irmão do Brasil está a viver um momento chave para o regresso da solidariedade não como um objectivo final mas como um meio para alcançar a consolidação da nossa América. E Lula é, mais uma vez, o protagonista deste momento.

Como disse José Martí, “o que resta da aldeia na América deve acordar”. Estas não são horas de ir para a cama com um lenço na cabeça, mas com as armas da sua almofada, as armas do julgamento. As trincheiras de ideias valem mais do que as trincheiras de pedra”.

Fonte: https://carasycaretas.org.ar/2021/09/30/fora-bolsonaro/

E como o ‘veto’ de Huawei no Brasil foi resolvido.

#Brasil #5G #EstadosUnidos #China

A Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (Anatel) lançou na quinta-feira um concurso multimilionário, considerado o maior na história das telecomunicações do país, para operar a telefonia móvel da quinta geração (5G), que promete uma revolução digital e social.

Na cerimónia de abertura, o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro salientou que a implementação do 5G irá integrar todos os cidadãos brasileiros com o mundo. O governo planeia atrair investimentos de 50 mil milhões de reais (cerca de 9 mil milhões de dólares), dos quais cerca de 8,7 mil milhões de reais (cerca de 1,557 mil milhões de dólares) pretende angariar a partir de licenças.

Num país com 213 milhões de habitantes, um total de 15 empresas, incluindo as três maiores actualmente a operar no Brasil – Tim, Vivo e Claro – estão a disputar os direitos de quatro bandas de radiofrequência 5G. Devido ao grande número de candidatos, espera-se que a licitação dure dois dias.

À tarde, já foi noticiado que a Claro, Vivo e Tim receberam concessões para operar a tecnologia 5G na banda de 3,5 GHz, a banda mais utilizada a nível mundial, e dividida em quatro lotes de 80 MHz.

Imagen ilustrativa

A Claro foi a primeira a ganhar um dos lotes, oferecendo 338 milhões de reais (cerca de 60 milhões de dólares) pela licença. Depois a Telefonica, proprietária da Vivo, tomou o segundo lote por R$420 milhões (cerca de 74 milhões de dólares) e pagou 30,69 % mais do que o seu preço inicial. Finalmente, Tim ganhou o terceiro lote e pagará 351 milhões de dólares (cerca de 62 milhões de dólares). Nenhuma empresa estava interessada no quarto lote.

Para além da rede geral, para uso geral da população, os vencedores comprometem-se a construir uma rede exclusiva e paralela para o governo, na qual o equipamento Huawei não pode ser utilizado, no meio da disputa geopolítica entre os EUA e a China.

O equipamento da empresa chinesa Huawei pode ser utilizado na rede geral, mas não participará na criação da rede governamental.

Para que 5G funcione, devem ser instaladas antenas compatíveis, e um dos fornecedores é a Huawei. Em 2019, o ex-presidente Donald Trump pressionou os países parceiros a não utilizar o equipamento da empresa chinesa, acreditando que o governo de Pequim poderia utilizar a empresa para espionagem. O seu sucessor, Joe Biden, tem mantido a mesma política.

Sob pressão dos EUA e, por outro lado, do sector das telecomunicações brasileiro, que era contra o bloqueio do Huawei, o ministro das comunicações encontrou uma solução. O equipamento chinês será autorizado a ser utilizado na rede geral, mas não participará na criação da rede governamental.

“Salto tecnológico
O regulamento especifica também que os vencedores, que terão uma licença de 20 anos, terão de iniciar as operações nas principais capitais do país 300 dias após a assinatura do contrato, ou seja, em Julho de 2022.

Neste momento, apenas sete das 27 capitais estão totalmente preparadas para se adaptarem ao 5G, segundo a Conexis Brasil Digital, uma entidade que reúne os principais operadores do país. Contudo, o governo quer que todas as capitais tenham 5G até 2022 e que cheguem a todo o país até 2028.

As empresas vencedoras terão também de levar a Internet a estradas, locais remotos e escolas públicas e instalar uma rede de fibra óptica na região da Amazónia, entre outras coisas.

“Para além do salto tecnológico que tornará realidade inovações como carros autónomos, casas inteligentes, cirurgias à distância e operações de máquinas em grande escala na indústria e no agronegócio, o concurso garantirá condições mínimas de inclusão para 40 milhões de brasileiros que ainda vivem num deserto digital”, comentou o ministro das comunicações Fábio Faria.

“Internet das coisas
Sectores como a agricultura, a indústria, a telemedicina ou o ensino à distância estão entre os grandes beneficiários desta tecnologia, frequentemente apresentada como “a Internet das coisas”.

Por exemplo, o governo brasileiro espera que o sector do agronegócio aumente a sua produtividade com 5G, ligando todo o processo da cadeia de produção: monitorização da saúde de um animal através de chips, condições meteorológicas com zangões ou a situação da água com sensores; colheita de uma colheita com máquinas que utilizam inteligência artificial ou a distribuição de produtos com mapas e um sistema GPS.

Da mesma forma, 5G terá uma velocidade 100 vezes superior a 4G e a sua ligação será muito mais estável. “Não tínhamos Uber em 3G porque as características que Uber pede em termos de localização ou velocidade não estavam disponíveis. Estas aplicações vieram com redes 4G. Quando tivermos 5G enrolados, teremos sensores e novas aplicações”, explicou Wilson Cardoso, membro do Instituto de Engenheiros, Electricistas e Electrónicos (IEEE).

Apesar da sua entrada no mercado, os telemóveis com tecnologia 4G, 3G e 2G continuarão a funcionar. Será necessário um telefone compatível com esta tecnologia e, de momento, os aparelhos à venda no Brasil são modelos sofisticados, custando mais de 6.000 reais (cerca de 1.100 dólares).

O cientista político Bruno Lima Rocha disse que a pressão sobre Huawei se deve ao facto de os EUA procurarem o acesso exclusivo aos dados do executivo brasileiro.

A comissão que investiga o tratamento da pandemia no Brasil solicita que Bolsonaro seja acusado de crimes contra a humanidade.

#Brasil #Corrupcion #JairBolsonaro #DerechosHumanos #ManipulacionPolitica

Por Redacción Razones de Cuba

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a gestão da pandemia no Brasil pediu na quarta-feira para indiciar Bolsonaro por nove crimes, incluindo incitação ao crime, crimes contra a humanidade e charlatanismo. Isto foi anunciado pelo Senador Renan Calheiros numa conferência de imprensa, na qual anunciou que o relatório será votado pelos senadores na próxima terça-feira, 26 de Outubro.

Calheiros leu os pontos principais do relatório final da investigação, num documento de cerca de 50 páginas, que enumera os fracassos em que a administração do presidente teria incorrido e que, segundo as estimativas, impediu que 40% das mortes por covid-19 durante a pandemia fossem evitadas.

A falta de uma “estratégia bem definida” para detectar e combater o coronavírus, mesmo até meados deste ano, bem como a “ineficácia” das autoridades sanitárias na implementação de um plano abrangente e o apelo insistente do governo para ignorar os protocolos de prevenção da infecção, foram algumas das causas que a comissão atribui à elevada taxa de contágio e mortalidade no país sul-americano. https://platform.twitter.com/embed/Tweet.html?dnt=false&embedId=twitter-widget-0&features=eyJ0ZndfZXhwZXJpbWVudHNfY29va2llX2V4cGlyYXRpb24iOnsiYnVja2V0IjoxMjA5NjAwLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X2hvcml6b25fdHdlZXRfZW1iZWRfOTU1NSI6eyJidWNrZXQiOiJodGUiLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X3NwYWNlX2NhcmQiOnsiYnVja2V0Ijoib2ZmIiwidmVyc2lvbiI6bnVsbH19&frame=false&hideCard=false&hideThread=false&id=1450826092458258434&lang=es&origin=https%3A%2F%2Factualidad.rt.com%2Factualidad%2F407728-investigacion-senado-brasil-bolsonaro-asesinato-coronavirus&sessionId=92c328e66f65e93c3906a5f688bd427834532122&site

Para Calheiros, foi uma “estratégia macabra” que impediu que milhares de vidas fossem salvas. No entanto, para a comissão, o atraso na compra de vacinas foi a “maior omissão” de Bolsonaro.

O relatório final, o resultado de uma investigação de seis meses, pinta um quadro em que se diz que a negligência, a incompetência e o negacionismo anti-científico de Bolsonaro foram a causa da mortalidade “estratosférica” da epidemia no Brasil, onde mais de 603.000 pessoas morreram desde o início da crise sanitária em Fevereiro do ano passado.

O Senador Calheiros já tinha anunciado na semana passada que tinham pelo menos 40 arguidos e que vários crimes iriam ser instaurados contra o presidente. Esta quarta-feira ele confirmou que estes são:

Epidemia resultando em morte.
Violação das medidas de saúde.
Incitamento ao crime.
Utilização irregular de fundos públicos.
Falsificação de um documento privado.
Consulta.
Prévaricação.
Crimes contra a humanidade.
Crimes de responsabilidade.
De acordo com os meios de comunicação locais, o relatório também solicitou a acusação do presidente brasileiro pelos alegados crimes de homicídio e genocídio indígena, mas as divergências sobre este ponto significaram que foram finalmente excluídos do documento final.

Entre as principais pessoas sob investigação encontram-se o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o seu braço direito durante a gestão da crise do coronavírus, o coronel Élcio Franco; o actual chefe desse ministério, Marcelo Queiroga; o ministro do Trabalho Onyx Lorenzoni; e o ministro da Defesa Walter Braga Netto. Eduardo, Carlos e Flavio Bolsonaro, os filhos do presidente, também aparecem no relatório acusados de alegadamente terem incitado ao crime.

Bolsonaro, pelo seu lado, reiterou na quarta-feira que nem ele nem o seu governo tinham “culpa de absolutamente nada” na gestão da crise sanitária da covid-19 e, pelo contrário, considerou que tinha feito “as coisas certas desde o primeiro momento”.

“Como seria bom se esse IPC tivesse estado a fazer algo produtivo para o Brasil. Levaram tempo do Ministro da Saúde, criados, gente humilde e homens de negócios. Eles só produziram ódio e ressentimento entre alguns de nós”, disse o presidente num evento na cidade do Ceará.

No entanto, no final da leitura do resumo do relatório, o Senador Calheiros assegurou que foi graças ao trabalho da comissão que o ritmo de imunização da população – que hoje atinge 50% da população com as duas doses de anti-vírus – foi acelerado, e “forçou o governo a pôr de lado a sua negação” contra as vacinas, o que permitiu reduzir o número de infecções e mortes por esta doença. “Esse tem sido o nosso maior legado: vidas salvas”, disse ele.

O que vai acontecer às conclusões do relatório?
O relatório final da comissão não tem poderes para denunciar, e caberá ao Ministério Público decidir se deve ou não apresentar uma queixa formal junto da magistratura. No caso de Bolsonaro, as queixas serão apresentadas ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, um dos aliados do presidente e que tem o poder de instaurar um processo penal contra ele.

Aras terá 30 dias para apresentar as queixas ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas poderá optar por arquivar o caso. Alguns senadores relataram que para evitar que as queixas caiam em ouvidos moucos, serão também apresentadas a um Tribunal de Contas, à Polícia Federal e a um tribunal internacional.

Os peritos concordam que Bolsonaro ainda tem muito apoio no Congresso e que é pouco provável que as acusações o afectem a nível judicial. O que o prejudicará é a sua popularidade já desgastada, que desceu a um mínimo histórico.

Bolsonaro tem em vista as eleições de Outubro de 2022, mas as sondagens colocam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não apresentou a sua candidatura, como o favorito. Mas os danos à sua imagem pública podem ser irreversíveis, especialmente depois dos familiares das vítimas do coronavírus terem dado um testemunho cru e emocional ao ICC na segunda-feira.

Revelações chave da ICC
Mais de 60 pessoas compareceram perante o ICC desde a sua criação em Abril, e como os 11 senadores da comissão fizeram progressos nas suas investigações, surgiram novos casos. Estas são algumas das principais questões que têm sido investigadas:

Armário paralelo
O antigo ministro da saúde Henrique Mandetta, que se tornou um dos principais críticos das medidas de Bolsonaro, foi o primeiro a denunciar a existência de um gabinete paralelo. É um grupo que não tem qualquer ligação com o Ministério da Saúde e que aconselhou o governo e apoiou medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a covid-19, tais como o medicamento antimalárico hidroxicloroquina.

Colapso em Manaus
No auge da pandemia, Manaus, capital do estado do Amazonas, sofreu uma grave crise em Janeiro, após uma escassez de ventiladores de oxigénio e milhares de pessoas terem morrido. Apesar de estar consciente da situação, o governo decidiu não decretar a intervenção federal.

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