Boa Fé: Continuamos com a nossa vergonha limpa e a nossa cabeça erguida.

#Cuba #Cultura #RevoluciónCubana

Por Maitte Marrero Canda

Correspondente na Guatemala

Em 1999, Israel Rojas (vocais principais) e Joel Martínez (guitarra acústica e segundo vocal) deram os seus primeiros passos na música na sua terra natal, Guantánamo, e por sorte, pela terceira vez na terra do Quetzal estão a celebrar um novo aniversário de sucesso, mas também de controvérsia, uma vez que o seu trabalho é uma crónica da época em que vivem. Numa entrevista exclusiva com Prensa Latina, Rojas confessou ter “o afecto que merecemos e os inimigos que merecemos, e nesse sentido estamos muito felizes”.

“Para além dos prémios e reconhecimentos, o importante é o aplauso do povo, é que a canção é útil, que identifica um grupo que faz coisas boas, que acompanha o emigrante na sua viagem, que faz de um pai um pai melhor… Esse foi e é o objectivo do que fazemos e espero que continue a ser assim”, disse ele com convicção.

Imagen de Razones de Cuba

Nesse sentido, salientou, vai ter pessoas que vão ficar deslumbradas com isso, e pessoas que, no processo, na sua maneira de ver o mundo, vão assumir uma posição que contradiz a sua.

Perguntados como se vêem a si próprios num rápido olhar para trás no tempo, a resposta foi contundente: “Vemo-nos felizes, com a nossa vergonha limpa e os nossos olhos para cima, sem a necessidade de baixar a cabeça diante do mundo”.

“É por isso que continuamos a fazer o projecto e acreditamos que vale a pena apostar na arte e na canção mesmo nestes tempos de grande confusão”, salientou Rojas.

“Como nos vemos a nós próprios, vemos-nos saudáveis, com muitas canções novas a serem lançadas do próximo álbum, e vemo-nos felizes, também como seres humanos”, resumiu o cantor.

Buena Fe, disse ele, tem sido a nossa plataforma musical e de vida, e também para alimentar os nossos filhos.

Àqueles que os acusam de serem oportunistas e de um discurso complacente com as autoridades e o governo para terem sucesso, Rojas argumentou que a própria música do grupo é a prova de que não é esse o caso.

“Ninguém pode provar que a nossa arte foi flertada com uma causa específica e para um benefício específico”.

A FAVOR DE PROJECTOS SOCIAIS

As nossas causas, explicou, são a favor de projectos sociais como a luta contra o HIV, a doação de órgãos, a favor do movimento LGBT, a favor de pais responsáveis, com estudantes universitários e em todo o trabalho em que temos acreditado dentro e fora de Cuba.

Duas noites de concertos esgotados no espaço cultural Trovajazz da capital e outra na cidade colonial de Antígua, reuniram Buena Fe pela terceira vez com a terra do Quetzal graças “a um bando de loucos, verdadeiros amigos e não homens de negócios, que decidiram juntar esta história”.

“Estamos encantados por poder vir e mostrar-lhes um pouco dos 23 anos de carreira, já estamos no nosso 13º álbum, “Morada”, que será lançado em todas as plataformas digitais a 7 de Fevereiro”, disse Rojas.

“Obrigado do fundo do meu coração por demonstrar que as canções também nos podem fazer sonhar”, disse a uma audiência que não deixou de entoar canções emblemáticas como “No juegues con mi soledad”, “Pi 3,14”, “Arsenal”, “Papel en blanco”, “Catalejo” e “Valientes”, uma letra que se tornou quase um hino durante a luta contra a pandemia de Covid-19 em Cuba.

A revisão da sua discografia também incluiu canções como “Dame guerra”, “Nalgas”, “Cámara lenta”, “Bodas” e “Sin arrepentimiento”, entre outras que foram deixadas para um novo encontro, talvez com o sonho de trazer toda a banda.

Como habitualmente, trocaram com o projecto “Los Patojos”, um modelo de educação alternativa na Guatemala, e participaram no evento “A música como instrumento de transformação social” juntamente com jovens criadores.

Também partilharam com membros da Brigada Médica Cubana, que está a celebrar 24 anos de presença ininterrupta nos lugares mais remotos do país.

Em cada concerto, Buena Fe confessou ao público parte da sua filosofia de trabalho: “Vivemos atrás da cortina da indústria cultural, vivemos com o prazer de fazer canções que vêm dos nossos corações, vivemos felizes atrás das cortinas e das difamações, e também as consequências das inconsistências, e aqui estamos nós”.

Restos mortais de Nagrelha repousam no Santa Ana.

Manuel Albano

O corpo do kudurista Nagrelha dos Lambas repousa, desde terça-feira , no Cemitério de Santa Ana, em Luanda, num acto acompanhado por familiares, milhares de admiradores e músicos, sob fortes medidas de segurança.

 Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro

Por volta das 7h00, o cenário estava a ser montado para os elogios fúnebres ao “Estado Maior do Kuduro”. O som foi montado pela produtora Mbaxe  Eventos. Tudo corria na normalidade e logo nas primeiras horas, os trabalhadores da limpeza, sob a orientação do director do cemitério João Lavente, procuravam deixar o local o mais limpo possível para que o “Naná”, como era carinhosamente tratado, fosse enterrado com dignidade.

Depois de prestarem tributo à memória de Nagrelha,  milhares de cidadãos deslocavam-se do Estádio Nacional da Cidadela, para o local do enterro, onde foi prestado o último tributo em sua memória. À distância era possível observar a enchente de admiradores que em uníssono dançavam e cantavam os grandes sucessos dos Lambas.

Os coveiros de Nagrelha

A experiência de vários anos de profissão permitiu que a gestão do cemitério escolhesse os melhores coveiros para cavar a cova do kudurista. Fonseca Tandala e Alexandre João (12 anos de profissão), bem como José Paulo (15 anos de profissão) foram os seleccionados. 

Para o coveiro Fonseca Tandala, o momento vai ficar marcado para sempre na sua vida. Segundo o interlocutor do Jornal de Angola, quando foi informado que seria um dos escolhidos para fazer parte da equipa que iria participar nas exéquias de Nagrelha sentiu-se feliz, por ser um momento único e inesquecível. O mesmo sentimento foi manifestado pelo colega de trabalho Alexandre João que se mostrou comovido pelo acto.

Por sua vez, José Paulo disse, à nossa reportagem, que o momento é indescritível, por fazer parte de momento histórico da história da música angolana. “Não foi fácil para nós saber que seríamos os escolhidos para cavar a cova do nosso ídolo. O Nagrelha nos fez muito felizes, era muito querido pelos seus admiradores”. A cova começou a ser feita no domingo e terminou às 12h00 de segunda-feira.

Momentos indescritíveis

O sol foi surgindo, anunciando um dia de muito calor. Um grupo de zungueiras do mercado dos Congoleses aproximava-se junto da barreira de protecção e limitação a cantar várias estrofes dos  Lambas, em homenagem à maior referência do estilo kuduro da década de 2000 até aos dias de hoje. Nesta altura, notava-se que seria melhor pensar no reforço do aparato policial e do próprio cordão. O número de fãs crescia e a Polícia Nacional decidiu reforçar todo o sistema de protecção nos arredores. O clima mostrava-se tenso à medida que as horas e minutos passavam. Entre os admiradores, uns procuravam subir no topo das árvores para ter uma melhor visibilidade, enquanto outros em terra cantavam euforicamente as músicas dos Lambas. Toda demonstração de carinho, mesmo as mais “bizarras” valiam para mostrar o carinho pelo Nagrelha.

Os milhares de admiradores  renderam um tributo ao malogrado, quando por volta das 10h00, percorreram a Avenida Deolinda Rodrigues. De forma diferente várias alas manifestaram a sua emoção. Nem mesmo as fortes temperaturas que se fizeram sentir durante o dia de ontem, afugentaram os milhares de admiradores do “Estado-Maior do Kuduro”, que desde as primeiras horas se deslocaram ao local da sepultura para render a última homenagem à figura que eternizou as frases: “A morte e a vida são irmãos do mesmo pai/só que um não sabe brincar” e “Já não há nada que me seduz/todo cristão reza na cruz/Jesus Cristo morreu por nós…”

O Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola (INEMA) e os Bombeiros colocaram no local meios para acudir eventuais incidentes. Com o aproximar do momento do enterro, a população descontrolada invadiu as duas faixas da Avenida Deolinda Rodrigues.

Actos de vandalismo

Nem mesmo os apelos do Governo da Província de Luanda, aos admiradores do kudurista Nagrelha (dos Lambas), falecido na sexta-feira, em Luanda, vítima de cancro no pulmão, para pautarem pelo civismo e evitarem criar arruaças ou distúrbios na via pública antes, durante e depois do funeral adiantou para alguma coisa. Com a chegada do carro fúnebre, os ânimos aumentaram porque os admiradores de Nagrelha queriam invadir as barreiras de protecção para acompanhar o malogrado até ao último destino. A população começou a arremessar pedras e garrafas em direcção à Polícia de Intervenção Rápida (PIR). Em reacção, às formas de segurança e manutenção da ordem pública começaram a lançar gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Neste momento, o pânico alastrou-se um pouco por toda a extensão da avenida. Cada um no local procurava um refúgio, mas, nem com isso, os fãs de Nagrelha se ausentaram do local, o que originou alguns feridos e uma morte. Os motoqueiros tomaram de assalto o tapete asfáltico da avenida para fazer algumas exibições de malabarismo. Uns subiam nos postes de electricidade de alta tensão, enquanto outros, se penduravam nas viaturas particulares e nos transportes públicos, criando vários momentos de arruaça ou distúrbios na via pública. 

No velório estiveram presentes músicos, actores, realizadores, bailarinos, desportistas, dirigentes e os admiradores de Nagrelha.

O legado

Sebem do Gueto e Da Leve-se, são dos kuduristas que consideram que o Nagrelha continua vivo por ter deixado um legado positivo em prol do estilo, segundo eles ainda muito marginalizado. Para Sebem do Gueto, Nagrelha é um ícone nacional que merece todo o respeito da sociedade angolana. “O seu nome nunca será apagado e temos que honrar o seu percurso artístico”.

Augusto Paulo Catanha “General Tembe Tembe”, veio da província do Huambo e chegou à madrugada de ontem a Luanda para participar, igualmente, nas exéquias do ícone do estilo kuduro no país e no mundo. Morador do Alto Hama, o kudurista disse que todo o sacrifício é válido para render um tributo ao maior expoente de todos os tempos do estilo mais mediático do país, o kuduro.

Com os ânimos exaltados, alguns dos seguidores de Nagrelha, junto à zona onde foi sepultado, apelavam para que fosse construído em local a indicar uma estátua em  sua memória como reconhecimento dos seus feitos.

Agradecimento

O irmão mais velho de Nagrelha, Osvaldo Mendes, em nome da família agradeceu o excelente trabalho abnegado desenvolvido pela comunicação social, a Polícia Nacional e os próprios admiradores do malogrado, antes, durante e depois do funeral. Disse que a família vai procurar estar mais unida e que o legado do irmão possa ser devidamente transmitido às novas gerações. O reformado e ex-director do Gabinete Provincial da Acção Social, Cultura e Desporto do Governo da Província de Luanda (GPL), Manuel Sebastião referiu que Nagrelha procurou imortalizar o estilo kuduro. “Ele foi uma figura incontornável deste género que merece o respeito e consideração de toda a sociedade”.

No elogio fúnebre da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-S.A), referiu que Gelson Caio Manuel Mendes, popularizado com o nome artístico de Nagrelha, que depressa se tornou um símbolo de superação e crescimento integral saudável. Pertencente a uma geração de jovens que fizeram do Kuduro um instrumento de luta pela emancipação, onde as más práticas deram lugar a um caminhar tranquilo com a bandeira do amor e do su-cesso, com talento e carisma, edificando em si o ídolo que arrastou multidões.


Missa de corpo presente na Cidadela Desportiva

Milhares de fãs estiveram reunidos ontem, na Cidadela Desportiva, em Luanda, para o último adeus ao kudurista Nagrelha, a quem o padre José Baptista Nunda, da Paróquia São José considerou um ícone da música popular urbana angolana, da nova geração.

Com um registo sem igual de fãs, a missa de corpo presente serviu para recordar e enaltecer o contributo do cantor à música e à sociedade. “Nagrelha foi um homem de bem, com boas obras e chefe de família. Devemos honrar os feitos deste, em prol da música nacional, em particular o kuduro”, disse.

Com dor e tristeza nos semblantes, os seguidores da estrela do kuduro entoavam algumas canções do cantor, como “Provou e gostou” e “Comboio”. Num cenário sem igual, os fãs saíram da Cidadela e acompanharam o corpo do malogrado até ao Cemitério de Santa Ana.

O músico Baló Januário, que também assistiu a missa, considerou a morte de Nagrelha uma perda sem igual, em especial para uma geração de artistas. “É preciso que agora o legado do kudurista seja imortalizado”, defendeu, além de acrescentar que alguns artistas já gravaram o tema, “Uma Nação em Lágrimas”, em homenagem ao cantor.

Mário Cohen


Uma morte e actos de vandalismo marcaram funeral do kudurista

Um menor, ainda por identificar, e 33 feridos, dos quais 16 efectivos da Polícia Nacional, dos quais dois em estado grave, e outros 17 cidadãos, marcaram, ontem, o funeral de Nagrelha, com base nas ocorrências registadas pelo Comando Provincial de Luanda.

O superintendente-chefe Lázaro da Conceição, director de Segurança Pública e Operações da Polícia em Luanda, disse que os feridos receberam tratamento médico em diversas unidades de saúde. 

Os actos de arruaça e vandalismo verificados ontem,  no interior e exterior do Cemitério de Santa Ana, disse, culminaram com a detenção de 18 cidadãos, suspeitos de cometerem crimes diversos.

Alguns danos, adiantou, ainda estão por ser calculados, como a destruição de uma esquadra móvel, quatro viaturas da Polícia Nacional, uma motorizada e cinco autocarros. “Os actos de vandalismo resultaram ainda no roubo de várias botijas de gás, no interior de um camião, e assim como de grades de cerveja”.

Lázaro da Conceição apelou à calma e pediu compreensão pelos transtornos criados na reposição da ordem pública, sendo que a situação voltou à normalidade com a abertura das vias que tinham sido fechadas ao trânsito automóvel.

“A tentativa de invasão do Cemitério, por parte dos fãs, obrigou a corporação a dispersar a multidão, com o uso de gás lacrimogénio, durante a operação de reposição da ordem pública”.

Confusão

Por volta das 7h00, centenas de jovens concentraram-se nas imediações do Cemitério de Santa Ana, que até às 9h00, já estava cheio de fãs. Neste momento, alguns começaram a fazer racha, de motorizadas, no recinto. Outros decidiram subir por cima dos autocarros estacionados.

Um ponto comum, enquanto aguardavam a chegada da urna, era o consumo de bebidas alcoólicas no recinto. Um caso caricato é o de um jovem que tirou a roupa e começou a andar entre a multidão.

A reportagem do Jornal de Angola verificou vários desmaios de homens e mulheres, arruaça e roubo do negócio das vendedoras do mercado, junto das Pedrinhas.


André da Costa


Herói do kuduro partiu para a eternidade  e deixa um legado inspirador à juventude

O legado do carismático kudurista Nagrelha, sepultado ontem, em Luanda, representa o suporte  mínimo de consolo e inspiração confiado aos músicos, fãs e amantes do kuduro, em Saurimo, província da Lunda-Sul.

O intérprete da conhecida música “Na Muleleno” e baterista da banda “Os Moyo Wenu da Lunda-Sul” destacou que Nagrelha marcou uma etapa de viragem e afirmação do kuduro em Angola.

Segundo Domingos Mutambi, a forma singular de expressividade popular de “Nagrelha” vincou na continuidade e influenciou todas as franjas amantes do género musical, Made in Angola.

Referiu que a morte do Gelson Caio Mendes quebra um segmento da criatividade artística dos últimos tempos e nota que  “a obra feita prevalecerá no perfil da dinâmica musical que rompeu fronteiras”.

Perante a perda de um ícone do kuduro, o jovem Agostinho Satxilomba perspectiva para este estilo musical um futuro reticente. “Não sei se será o mesmo, porque o Nagrelha foi o porta bandeira, com uma forma que arrastava multidões”. Augura que a nova geração perpetue o legado, mesmo em outros géneros.

“O país perdeu uma figura inédita na história da música kuduro que representa um dos géneros mais vulgarizados em Angola”, afirmou a jovem Gisela Gazuza, que defende o reavivamento do legado pelo Gabinete Provincial  da Cultura da Lunda-Sul.

O director do Gabinete Provincial  da Cultura da Lunda-Sul, Salvador Wanuque, avançou que foi aberto um livro de condolências subscrito por dezenas de munícipes. Na região despontam indicadores promissores a favor do kuduro que aos poucos enfrentam a tchianda, género rei na cultura lunda cokwe.

Adão Diogo | Saurimo

Um adeus à dimensão do “Estado Maior” 

Em vida, arrastou multidões e na morte, não podia ser diferente. O comboio partiu, mas com uma moldura humana jamais vista em Angola, que explicou, na perfeição, a dimensão do apelido “Estado Maior do Kuduro”.

Considerado das maiores referências da música angolana, para assegurar o funeral de Nagrelha foi necessário interditar a Avenida Deolinda Rodrigues e colocar mais de mil efectivos da Polícia Nacional nas ruas. Um cenário raramente visto.

O Cemitério de Santa Ana foi pequeno para albergar tamanha multidão. Pessoas vieram de vários pontos do país para dar o último adeus ao “Naná”. Centenas de viaturas foram disponibilizadas gratuitamente, por associações de taxistas e personalidades individuais, mas foram insuficientes para os milhares de fãs, que decidiram acompanhar o kudurista, a pé, cantando alguns sucessos do líder dos Lambas, ao ponto de causar um congestionamento na Avenida Deolinda Rodrigues.

Pessoas de diversos estratos da sociedade, desde músicos, zungueiras e taxistas juntaram-se aos familiares e amigos, na hora do adeus, assim como entidades governamentais e alguns líderes de associações civis.

Considerado por muitos jovens como um expoente máximo, Nagrelha possui uma história de vida que tem inspirado a juventude, inclusive a abandonarem a delinquência e contribuírem mais no desenvolvimento da comunidade. Enquanto vivo, Nagrelha transformou o kuduro numa referência, não só nacional, como internacional, capaz de ultrapassar barreiras.

Com a música, o kudurista conseguiu ultrapassar a consciência das classes sociais, en-tregando-se de corpo e alma a um estilo marginalizado por muitos, sem descurar a própria identidade, criada a partir das ruas do Sambizanga.

Como filho do Sambizanga, o legado de Nagrelha deve ser preservado e transmitido para as novas gerações. Para muitos, a solução seria colocar o nome do kudurista numa escola ou rua do distrito, para não calar “a voz que deixa tristeza a todos nós”.

Regina Ngunza

Morreu Pablo Milanés.

#Cuba #Cultura

Jornal de Angola

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, lamentou a morte do cantor e compositor Pablo Milanés, aos 79 anos, ocorrida nas primeiras horas da manhã, de terça-feira (22), em Madrid, Espanha.

Cantor e compositor cubano © Fotografia por: DR

De visita oficial à Rússia, o Presidente Miguel Díaz-Canel enviou condolências, através da sua conta no Twitter, à viúva e filhos do artista e a Cuba. “Um de nossos maiores músicos faleceu fisicamente. A voz inseparável da trilha sonora de nossa geração”, disse o Chefe de Estado na rede social.

Por sua vez, o Primeiro-Ministro, Manuel Marrero, disse que a cultura da ilha está de luto pela partida do renomado cantor e compositor, um dos fundadores do movimento Nueva Trova no país.

Considerado um dos expoentes essenciais dos cantores e compositores espanhóis, Milanés compilou um corpo significativo de trabalho para os cubanos na ilha e em outras fronteiras latino-americanas com um repertório de mais de 400 peças.

O músico, nascido na cidade oriental de Bayamo, a 24 de Fevereiro de 1943, forjou a sua carreira profissional com grande versatilidade interpretativa, da qual alimentou o Grupo de Experimentación Sonora, juntamente com outras vozes emblemáticas da ilha.

Vencedor de dois Grammy Latinos (2006) e uma estatueta para Excelência Musical (2015), Pablo Milanés combinou uma mistura de géneros e sonoridades no continente, que oscilou entre tradição e modernidade, enquanto a sua discografia englobava filin, jazz, rumba e bolero, im-plantada em 50 álbuns.

Homenagem de Espanha

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, inúmeras personalidades da música e a imprensa principal juntaram-se, ontem, à homenagem a Pablo Milanés.

Embora a morte do extraordinário cantor e compositor cubano, num hospital de Madrid, tenha ocorrido nas primeiras horas da manhã, de ontem,  mensagens de homenagem e condolências ao autor de “Yolanda” e “Yo no te pido” foram publicadas sucessivamente.

 “Pisaremos as ruas novamente e lamentaremos os ausentes em seu nome. A música de Pablo Milanés estará sempre connosco. Ele deu voz à vida e aos sentimentos de toda uma geração”, disse Pedro Sánchez, na sua conta no Twitter. “Eternamente em nossa memória”, acrescentou o Chefe do Governo espanhol.

 Yolanda Díaz, segunda Vice-Presidente do Governo espanhol e ministra do Trabalho, também expressou seus sentimentos no Twitter. “Pablo Milanés compôs, versículo por versículo, o canto de nossas vidas. Trovador de beleza, memória de todos os amores. Sua voz diáfana e livre nos legou uma poética e uma ética do essencial e do pequeno. Hoje, Pablo, você voa de sua amada ilha para nossos corações para sempre”, comentou.

Uma morte e vários feridos marcam o funeral de Nagrelha.

#Angola #Nagrelha

JA Online

A morte de um menor, 33 feridos, dos quais 16 polícias e 17 civis, 18 detidos, furtos e vandalização de bens públicos marcaram, esta terça-feira, o funeral do kudurista Gelson Caio Mendes sepultado no Cemitério da Santa Ana, em Luanda, soube o JA Online.

© Fotografia por: DR

De acordo com o superintendente-chefe, Lázaro Conceição, num comunicado à imprensa, a Polícia Nacional registou, também, uma tentativa de invasão ao Cemitério da Santa Ana, “mesmo depois de a população ter sido apelada a não se fazer presente no local, o que obrigou a dispersar a população que agia de forma desordeira”.

“Além das consequências humanas, foram também notificados danos materiais diversos, nomeadamente viaturas policiais e particulares, cinco autocarros públicos, uma esquadra da PN e o roubo de botijas de gás de um caminhão que circulava pela Avenida Deolinda Rodrigues”, refere a Polícia Nacional.

Segundo o superintendente-chefe, a Polícia vai continuar a trabalhar para apurar outros danos causados durante a cerimónia fúnebre de Nagrelha.

Cuba acolhe o 69º Campeonato Mundial de Cocktail.

#CubaNoEstaSola #CubaViveYTrabaja #Cultura #Coctelería
#Varadero

CubaSi

Cuba acolhe a partir de hoje o 69º Campeonato Mundial de Bartending como cenário ideal para o intercâmbio das melhores experiências e tarefas do bartending mundial.

Com a vossa presença mostramos que Cuba não está sozinha, disse o primeiro-ministro antilhano, Manuel Marrero, aos participantes de mais de 60 nações na mais importante reunião competitiva da Associação Internacional de Bartenders (IBA).

Estamos a realizar um sonho”, disse Marrero, observando que um país como Cuba, com tantas contribuições para a indústria internacional do bar, merecia receber um campeonato mundial no sector. Entretanto, o Ministro do Turismo Antilano, Juan Carlos García, salientou que o evento permitirá o intercâmbio das melhores experiências e tarefas da indústria mundial do cocktail.

Este campeonato marcará um antes e um depois para a gastronomia cubana em geral, uma vez que o nosso património culinário será enriquecido com as práticas dos melhores barmen do mundo, disse García.

Da mesma forma, o ministro insistiu que este evento não é um cenário para medir forças, mas para trocar fraternalmente conhecimentos e afecto.

Pela sua parte, Giorgio Fadda, presidente da IBA, agradeceu ao país anfitrião por ter permitido que os membros da sua organização se reunissem novamente após um intervalo de dois anos devido à pandemia de Covid-19.

Aplaudiu o empenho da Asociación de Cantineros de Cuba (ACC) em unir delegações que falam línguas diferentes, mas partilham as mesmas experiências e paixões pela arte de combinar bebidas, no concurso global de barending final.

José Rafa Malém, presidente da ACC, deu as boas-vindas aos participantes em nome da sua organização, a mais antiga do mundo com 98 anos de idade, no dia 27 de Junho.

Malém ratificou o compromisso da associação com a formação de todos os empregados de bar na ilha, a fim de continuar a dignificar o empregado de bar cubano como parte do património cultural da nação.
O 69º Campeonato Mundial de Bartending realiza-se até 8 de Novembro no hotel Meliá Internacional Varadero, no famoso resort cubano.

O programa do evento inclui Master Classes pelos embaixadores globais do Havana Club, intercâmbios com os Mestres de Rum Cubano e visitas às destilarias Cárdenas e San José, esta última a casa dos rums envelhecidos da prestigiada marca de bebidas espirituosas.

Também na agenda desta edição do campeonato mundial da IBA está a tentativa de estabelecer um novo recorde mundial do Guinness, recriando o cocktail de Adão e Eva, o maior do mundo, a crédito do barman cubano Sergio Serrano, campeão mundial em 2003.

Os prémios serão também atribuídos em várias categorias, incluindo o Barman Mundial do Ano 2022.

O rum cubano foi escolhido como base para todas as confecções.

O medo

#Cuba #MejorSinBloqueo #Emigracion #RedesSociales #BastaDeMentirasContraCuba

Luso-angolana leva “ruínas do império” a festival de fotografia de Xangai.

#Angola #Cultura #Xangai

JA Online

Uma fotografia das “ruínas do passado deixado pelo império português” em São Tomé e Príncipe, da luso-angolana Mónica de Miranda, foi seleccionada para a exposição do Festival Internacional de Fotografia de Xangai, que arrancou esta sexta-feira.

© Fotografia por: DR | Arquivo

Segundo a organização do festival, o júri seleccionou 175 trabalhos para a 16.ª Exposição Internacional de Arte Fotográfica de Xangai, uma lista que apenas inclui sete fotógrafos radicados no estrangeiro.

Entre os trabalhos escolhidos está ‘All that burns melts into air’ (‘Tudo o que arde torna-se ar’), parte de um projecto de investigação sobre “o estado da memória do império colonial na malha urbana”, disse Mónica de Miranda em declarações à Lusa.

Em obras anteriores, a luso-angolana já tinha fotografado “várias estruturas deixadas pelos portugueses na cidade de Luanda” e “as memórias que ainda permanecem” na capital moçambicana, Maputo.

Festival da Toranja com Angolanos e Cubanos (+Fotos)

Luanda, 31 jul (Prensa Latina) Membros da Associação de Antigos Estudantes Angolanos em Cuba (Los Caimaneros) realizaram este fim-de-semana em Luanda uma Festa da Toranja, num gesto de solidariedade com o país caribenho.

Comidas típicas, música de dança popular e pequenas exposições de artesanato, roupas e perfumes caracterizaram as propostas do evento, cujo nome evoca os laços de fraternidade entre os dois povos.

Na década de 1980, o Festival da Toranja era a festa mais esperada da Isla la Juventud (no sul do arquipélago cubano); e “nós adoramos ir”, disse Alfredo Boavida, nativo de Caiman, à Prensa Latina.

Para os habitantes da vila, “os estudiosos estrangeiros não eram estranhos, gostávamos e comíamos como qualquer pinero (nativo da região) e, naqueles dias de feira, meu prato favorito era o fricassé de porco”, acrescentou o atual presidente da Associação de Pré-cadetes e Cadetes (Assopreca).

Na sua opinião, os dirigentes dos Caimaneros tiveram uma boa ideia ao propor este encontro, com a aspiração de acrescentar, em futuras edições anuais, mais amigos da Revolução Cubana.

A toranja é “um símbolo nas nossas vidas”: aprender da escola para o campo, estudar em Cuba, pensar no futuro de Angola, “fruta fresca à mão quando tínhamos sede ou fome” e uma experiência marcada pelo cunho internacionalista da Fidel Castro, respondeu o representante da Assopreca.

Segundo José Condesso de Carvalho, um dos coordenadores da iniciativa, os Caimaneros têm outras atividades de confraternização previstas ao longo de 2022, incluindo intercâmbios desportivos.

“Todos os amigos dos Caimaneros e aqueles que vivem dando o melhor de Cuba estão convidados a recriar a cultura, a gastronomia, a música, os sentimentos de dois povos juntos no mesmo caminho”, disse à Prensa Latina.

Ngelesi Mona Wotchilongo (filho da terra na língua Nyaneka Humbi) trouxe para a feira suas criações: colares, pulseiras, cintos e outras peças feitas de miçangas, madeira, fibra vegetal e pedra, “onde tudo tem seu significado”, respondeu o jovem, de uma etnia de origem bantu da província meridional da Huíla.

Suas explicações sobre a espiritualidade da cultura africana ganharam a atenção do público: cubanos e angolanos ali compartilhavam experiências sobre roupas e crenças quando pedem saúde, fertilidade, boa sorte e proteção contra maus olhados, porque “usamos nomes diferentes, mas eles são a mesma coisa”, observou Mona Wotchhilongo.

O convite inicial deste fim de semana contou com a presença de membros da associação de Caimaneros, adolescentes e jovens angolanos como ativistas, dirigentes de outras organizações de solidariedade com a ilha, diplomatas e colaboradores da nação caribenha.

rgh/mjm

O cinema cubano regressa aos teatros norte-americanos.

#CubaEsCultura #CineCubano #EstadosUnidos #HistoriaDeCuba

Autor: Redacción Digital | internet@granma.cu

O 13º Festival de Cinema Cubano do Minnesota, nos Estados Unidos, organizado pelo Comité de Cuba do Minnesota, juntamente com a MSP Film Society e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica, abriu o seu dia de exibições com o filme El Mayor, realizado por Rigoberto López, que recria a vida do pró-independência Ignacio Agramonte y Loynaz (1841-1873).

Foto: Cartel de la película

Segundo a agência noticiosa Prensa Latina, o evento decorrerá até 30 de Junho e todas as quintas-feiras serão exibidos filmes cubanos no MSP Film at The Main em Minneapolis, seguidos de discussões das obras, de acordo com os organizadores.

A 2 de Junho, Jonal Cosculluela e o Volverán los abrazos de Maritza Acosta serão projectados, um documentário com histórias de médicos cubanos que cobriram a pandemia de Covid-19 na ilha.

La Emboscada, de Alejandro Gil, é o filme escolhido para a noite de 9 de Junho no MSP Film at The Main; Canción de barrio, de Alejandro Ramírez Anderson, será exibido na quinta-feira 16 de Junho; e El último balsero, de Carlos Rafael Betancourt e Oscar Ernesto, será apresentado a 23 de Junho.

Para encerrar o festival, segundo a PL, foi escolhido o filme Los Hermanos, de Marcia Jamel e Ken Schneider.

As raízes africanas da Venezuela motivam as exposições em Angola.

#afrovenezolanidad #angola #cultura #democracia #paz #solidaridad #Venezuela

Luanda, 27 de Maio (Prensa Latina) Através dos caminhos da arte, a Venezuela mostrou hoje em Angola as ligações entre a América Latina e as Caraíbas e África, através de duas exposições que evocam os feitos emancipatórios dos seus povos.

Rostos de homens e mulheres, acompanhados de breves histórias de vida, ajudaram a ilustrar os tempos da escravatura e o espírito insurreccional dos africanos que, no século XIX, se juntaram à luta contra o colonialismo naquela terra sul-americana.

Outra colecção, constituída por reproduções de pinturas feitas na Venezuela, convidou-nos a recordar o legado de 19 líderes deste continente, entre eles António Agostinho Neto, Mohamed Ahmed Ben Bella, Gamal Abdel Nasser, Thomas Sankara, Ahmed Sékou Touré e Nelson Mandela.

Ambas as exposições foram inauguradas esta sexta-feira na sede da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade com os Povos (Laasp), por iniciativa conjunta da entidade e da embaixada da nação bolivariana.

Membros do corpo diplomático assistiram à abertura das exposições, que também incluiu um encontro com crianças da escola primária e o desfrute das danças tradicionais angolanas.

Em declarações à Prensa Latina, a presidente do Laasp, Elisa Pedro, confirmou o interesse em promover intercâmbios, com base no memorando assinado com o Instituto Simon Bolivar para a Paz e Solidariedade entre os Povos (ISB) em Caracas.

Segundo o anúncio, representantes do ISB e artistas venezuelanos são convidados para as actividades do centenário do nascimento de António Agostinho Neto (17 de Setembro de 1922-10 de Setembro de 1979), o primeiro presidente e pai fundador da nação angolana.

A delegação sul-americana deverá chegar a Luanda em Setembro próximo, disse Pedro, que apreciou a importância de cultivar a solidariedade internacional em prol do desenvolvimento e da paz.

Durante a cerimónia, o embaixador Marlon Peña explicou que o governo do seu país instituiu o Dia da Afro-Venezuelanidade em 2005. A origem da comemoração, disse ele, data de 2004, quando o Comandante Hugo Chávez criou a Comissão Presidencial contra a Discriminação Racial.

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No ano seguinte, acrescentou, um grupo de activistas propôs a data de 10 de Maio, por ocasião do 221º aniversário da rebelião dos escravos africanos liderada por José Leonardo Chirino, do estado venezuelano de Falcón.

O projecto para estabelecer a efeméride foi promovido em 2005 pelo Presidente Nicolás Maduro, que na altura era o chefe da Assembleia Nacional, explicou Peña.

África, resumiu, representa a “reunião com parte das nossas raízes” e a dignidade dos afro-venezuelanos está ligada ao trabalho da Revolução Bolivariana, com a sua vocação humanista e democrática.

mgt/mjm

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