Posts Tagged With: colonialismo

A LÓGICA COM SENTIDO DA VIDA – II (#Angola #Cuba)

Martinho Júnior, Luanda, 1 de Dezembro de 2012.

POR UMA PLANIFICAÇÃO INTEGRADA GEO-ESTRATÉGICA EM ANGOLA E NA SADC.

Dez anos depois do calar das armas em Angola, a pedra-angular da luta de libertação contra o fascismo, o colonialismo e o “apartheid”, em plena azáfama de construção e reconstrução de estruturas e infra-estruturas, o país parece apresentar algumas dificuldades em acordar para a realidade: vive demasiado dos sonhos dos que chegam atraídos pelos imensos recursos e potencialidades, como o resultado de políticas neo liberais de cariz neo colonial, que têm vindo a escancarar as portas sem a suficiente filtragem inteligente que a garantia e o respeito pela história, pela independência e pela soberania merecem e sem ter em conta o desperdício de energia solidária que advém do movimento de libertação, agora quantas vezes, na sua substância original, alvo de marginalização, ou deliberado esquecimento.

Urge, em função dos recursos físico-geográficos estabelecer os parâmetros da economia, fora da lógica capitalista e com esse fundamento, estabelecer a arquitectura e a engenharia duma planificação integrada geo estratégica para o século XXI.

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… E POR ISSO CHEGOU FIDEL!

Fidel e Agostinho Neto no encontro em que, tendo-se alcançado a independência de Angola, se dava continuidade à luta comum contra o “apartheid”, contra as sequelas do colonialismo e do “apartheid” e contra o subdesenvolvimento crónico a que o povo angolano tem sido sujeito.

Martinho Junior / Luanda, 14 de Agosto 2012

1 – Era um tempo de chumbo e de trevas o fascismo e o colonialismo em África, era uma afronta a toda a humanidade a existência do regime do “apartheid” na África Austral, foram fontes de destruição, de conflito e de guerra as suas sequelas e por isso muitos homens se bateram contra a injustiça histórica com raízes num passado ainda mais tenebroso…

Por isso as vindas do Comandante Fidel a África foram sempre momentos de identidade e de afirmação: as independências que só o foram com a derrota do colonialismo, as democracias que só o foram por que desapareceu o “apartheid”, os resgates que só tiveram início por que se semeou em tempos de liberdade e solidariedade…

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O RESGATE DOS MONANGAMBAS – I.

Obra do jovem pintor haitiano Jean Walgens Pierre Jean, que faz parte do grupo “Folie ouverte” (que se inspira na reconstrução nacional), exposta no Museu do Panteão Nacional em Porto Príncipe.

Monangamba

Naquela roça que não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações;

Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado,
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado!

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem trás pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de déndén?
Quem capina e em paga recebe desdém
fubá podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
porrada se refilares?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
— Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter a barriga grande — ter dinheiro?
— Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
— Monangambéée…

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras
— Monangambéée…

 

Poema de António Jacinto, musicado e cantado por Rui Mingas.

 Martinho Júnior / Luanda / 18 de Julho de 2012. 

1 – Na década de 70, em especial durante o parto sangrento da independência de Angola, o poema de António Jacinto, musicado e cantado pelo trovador Rui Mingas, ressoava em todas as mentes e corações que haviam embarcado na saga da luta de libertação em Angola.

O seu trovão sobrepunha-se ao troar dos canhões e enchia o éter, numa época grávida das mais contraditórias emoções.

Era como um grito misto de renúncia e de esperança, um segundo hino com identidade nacional, forte na sua expressão e pleno de energia, que interiorizado por tantos, impelia aqueles que seguraram as armas a partir para os campos de batalha da pátria nascente.

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