Encerrado livro de condolências do antigo Presidente no Egipto.

#Angola #Política #JoseEduardoDosSantos

Jornal de Angola

A Embaixada de Angola no Egipto encerrou hoje, no Cairo, o livro de condolências pelo falecimento a 8 deste mês de José Eduardo dos Santos, antigo Presidente da República, no cumprimento do Despacho que decretou luto nacional de sete dias e período de homenagens ao ex-Estadista.

© Fotografia por: CEDIDA

Em nota a que o Jornal de Angola teve hoje acesso, a representação diplomática naquele país árabe do Norte de África refere que foi aberto um livro de condolências entre 11 e 13 deste mês, fase em que as delegações permanentes junto da UNESCO, os embaixadores delegados de Portugal, Vietname, Gabão, China, Senegal, Japão, Índia, Zimbábwe, Burundi, Botswana, Indonésia, República Checa, Congo, Argélia, Bangladesh e Mauritânia prestaram solidariedade com Angola e o seu povo por “esta perda irreparável”.

A mesma Missão Permanente, também, recebeu mensagens de condolências, através de Nota Verbal, de países como a Rússia, Marrocos, Principado de Mónaco, Burkina Faso, Côte d’Ivoire, Libéria, Arménia, Líbano e Haiti.

Jornalista que entrevistou Tchizé dos Santos na CNN Portugal está em Angola.

#TchizéDosSantos #CNNPortugal #Angola #AnaSofiaCardoso #JoseEduardoDosSantos

AQUECEU‼

A jornalista Ana Sofia Cardoso, que recentemente se tornou muito acarinhada pelo público angolano após entrevista polémica com a empresária Tchizé dos Santos na última segunda-feira, 11 de julho, encontra-se no solo angolano.

Ana Sofia Cardoso, ou “mama paciência”, para alguns internautas, esteve neste domingo, 17 de julho, na Praça da República, em Luanda, onde têm sido feitas homenagens ao antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos.

Através das redes sociais, a jornalista fez questão de partilhar com os seus seguidores alguns retratos da cidade de Luanda.

Angola eleita vice-presidente e Relatora-Geral dos Conferência dos Oceanos.

#Angola #ONU #ConferenciaDosOceanos

Jornal de Angola

Angola foi eleita, terça-feira, em Lisboa, como uma das vice-presidentes e Relatora-Geral da II Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, aprovada por consenso, no encontro que reúne vários Chefes de Estados e de Governos.

© Fotografia por: CEDIDA

“A eleição de Angola a vice-presidente foi aprovada por consenso pela conferência e, consequentemente, a embaixadora Maria de Jesus Ferreira, Representante Permanente da Missão de Angola junto da ONU em Nova Iorque, foi eleita Relatora-Geral da II Conferencia dos Oceanos”, refere um comunicado enviado ao Jornal de Angola.

Segundo documento, conferência elegeu dois Presidentes e 13 Vice-Presidentes, dentre os quais Angola e Moçambique ocupam as duas vagas para África, tendo Angola sido igualmente eleita como Relatora-Geral.

A Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução 73/292, convocou a II Conferência de Alto Nível para apoiar a Implementação do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14: Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. A Conferência das Nações Unidas dos Oceanos, coorganizada pelos governos de Portugal e do Quénia, acontece num momento em que o mundo enceta esforços para mobilizar, criar e promover soluções que permitam alcançar os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável antes de 2030.

Presidente da República envia Téte António a Barcelona para se inteirar do estado de Saúde de José Eduardo dos Santos.

#Angola #JoséEduardoDosSantos #Salud

César Esteves | Lisboa

O Presidente da República, João Lourenço, orientou, esta terça-feira, a partir de Lisboa, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, a deslocar-se, com a máxima urgência, a Barcelona, reino de Espanha, para se inteirar do estado de saúde de José Eduardo dos Santos.

© Fotografia por: CIPRA | Arquivo

Téte António deixa hoje Lisboa com destino a Barcelona, para que, em companhia da família, possa se inteirar junto da clínica sobre a situação do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que se encontra internado, desde há alguns dias, tendo o quadro de saúde se agravado nas últimas horas.

O ministro das Relações Exteriores, que integra a delegação angolana que participa na II Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que decorre, desde o dia 27 Junho até sexta-feira, foi indicado para esta missão, depois de uma reunião orientada pelo Presidente João Lourenço.

O antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, de 79 anos, deslocou-se para Barcelona, pela primeira vez, onde recebe tratamento médico, desde 2019.

25 de Abril: A ONU, Mobutu e os acordos de Alvor.

#ONU #Angola #Portugal #ParaQueSirveLaONU

Jornalista: Rui Ramos

A ONU está atenta ao que está a passar-se em Portugal e a 9 de Maio de 1974 apela a Lisboa que estabeleça negociações com os movimentos de libertação africanos.

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A ONU está atenta ao que está a passar-se em Portugal e a 9 de Maio de 1974 apela a Lisboa que estabeleça negociações com os movimentos de libertação africanos e seis dias depois o general Spínola é empossado no cargo de Presidente da República e finalmente a 27 de Julho é publicada a Lei n.º 7/74, que reconhece o direito à independência das “províncias ultramarinas”, mas será preciso esperar até 15 de Setembro para Spínola se encontrar na Ilha do Sal, Cabo Verde, com o seu homólogo do Zaire, Mobutu Sese Seko, obtendo deste o compromisso de não intervenção no processo de descolonização de Angola. Mas Angola ainda não vive momentos de paz e a 10 de Novembro a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) ataca o contingente militar português presente no território.

Entrado o ano de 1975, Portugal consegue negociar com a FNLA, o MPLA e a UNITA com vista a uma transição rumo à Independência Nacional. As negociações começam a 11 de Janeiro e terminam no Alvor, Algarve, a 15 de Janeiro, com a assinatura de um acordo que fixa a data de 11 de Novembro de 1975 para a proclamação da Independência Nacional. Em 1973, recorde-se, as relações entre o Governo do Congo-Zaire e o GRAE de Holden Roberto não eram as melhores e Mobutu chegou a montar uma operação heliotransportada para libertar alguns portugueses da base de Kinkuzu, o que enfureceu o líder da FNLA. Para tentar reconquistar algum espaço perdido junto de Holden Roberto, Mobutu autorizou a participação das Forças Armadas Zairenses ao lado do ELNA na luta no interior de Angola e “ofereceu” a Holden mais “três campos de treino em Matadi-Mayo, Mfuy e Ntampa” e 1.800 militares para “ajudarem” o ELNA a atacar Cabinda, apoiados por aviões Mirage. Por sua vez, Holden Roberto aproveitou as facilidades, para mais numa altura em que a sua organização vivia uma situação instável com contestação interna, e lançou um processo de “recrutamento forçado” junto de jovens angolanos no Zaire. Nessas rusgas levadas a efeito pelo ELNA/FNLA, terão sido raptados cerca de 1.200 jovens angolanos que foram conduzidos à força para as sedes do GRAE no Zaire. A situação provocou o regresso a Angola das populações angolanas no Zaire, como forma de fugir aos recrutadores do ELNA.

Poucos meses depois, em Fevereiro de 1974, há novos rumores de uma ameaça de invasão a Cabinda. No Conselho de Defesa Militar do dia 19 o comandante-chefe das Forças Armadas de Angola, Luz Cunha, falou da possibilidade de um ataque de grande envergadura da República do Zaire a Cabinda, enquadrando militares do ELNA e apoiada pela Líbia de Kadafi.

Em Angola, o almirante Rosa Coutinho não resiste às acusações de favorecimento do MPLA e, no dia 28 de Janeiro de 1975, é substituído pelo brigadeiro Silva Cardoso no cargo de Alto Comissário de Angola.

Finalmente a 31 de Janeiro é empossado o Governo de Transição de Angola, chefiado por um Colégio Presidencial composto por um representante de cada um dos movimentos de libertação. O Governo será presidido pelo Alto Comissário, brigadeiro Silva Cardoso, que se demitiria em 30 de Julho.

Nem três meses se passaram sobre a instalação do Governo de Transição e já Luanda era palco de frequentes e violentos confrontos entre os movimento de libertação, que se agudizam a 26 de Maio de 1975, dia em que é decretado o recolher obrigatório.

25 de Abril: Cravos vermelhos na ponta das armas.

#Angola #Portugal #Historia

Jornalista: Rui Ramos

Em Luanda começam a emergir grupos de jovens intelectuais nacionalistas que cortam com a lógica do poder colonial, grande parte dos quais são atirados para as cadeias e para os campos de concentração. O “Jornal de Angola”, órgão da Anangola, no seu primeiro número de 21 de Novembro de 1953, refere-se à “angolanidade”, ainda que de forma discreta, porque o poder não permitia veleidades “separatistas”.

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Tudo começou a 5 de Março de 1974, há 48 anos. Ou teria começado em 1961 no protesto de Janeiro dos camponeses da Baixa de Kasanje, nos ataques nacionalistas de 4 de Fevereiro e de 15 de Março? A sociedade colonial convulsionava, o mito do  “preto fiel” começa a cair por terra, a greve de 1956 nas roças de café do Uíge, as revoltas do Seles e do Amboim de Maio de 1917, dos Dembos de 1907-1908 chefiada por Cazuangongo, e muito antes, entre 1872-1873 a guerra dos Dembos, conflito ocorrido na região entre o rio Zenza e o rio Dande, região de intensa colonização portuguesa na época, do povo cokwe, do Bailundo de 1902-1904, do Kwanyama onde o seu rei morre em 6 de Fevereiro de 1917, pondo fim à própria vida não aceitando o cativeiro, tinham sido reprimidas até ao extremo da quase extinção da cultura nacional tradicional. Sem esquecer, entre os anos de 1850 e 1880 as fugas colectivas de africanos nas grandes fazendas que tinham elevado número de escravos.

Em Luanda, começam a emergir grupos de jovens intelectuais nacionalistas que cortam com a lógica do poder colonial, grande parte dos quais são atirados para as cadeias e para os campos de concentração. O “Jornal de Angola”, órgão da Anangola, no seu primeiro número de 21 de Novembro de 1953, refere-se à “angolanidade”, ainda que de forma discreta, porque o poder não permitia veleidades “separatistas”. Sem esquecer a instalação dos maçons da Kudibeka, no ano 1872, que ramificaram de Luanda para a Catumbela e Benguela onde desenvolveram uma acção importante contra a presença colonial portuguesa com a sua organização União dos Defensores de Angola-UDA e o seu jornal “A Defeza de Angola” (1903).

Agora era a guerra, não uma batalha mas uma guerra e o mundo incomodava-se com a persistência do império colonial português. As Forças Armadas portuguesas eram enviadas para as frentes de guerra, Guiné, Angola e Moçambique, mas Timor Leste e Goa, Damão e Diu também tiravam o sono ao ditador Salazar.

Cada vez mais oficiais milicianos, muitos licenciados e com posições progressistas, chefiavam os contingentes militares coloniais. A “metrópole” estava exausta, cada vez mais famílias choravam os seus filhos. Daí à “africanização” das Forças Armadas portugueses em África foi um passo, Em Angola, em 1961, 14,9% dos efectivos do exército português eram recrutados localmente, valor que aumenta ao longo dos treze anos de guerra, até atingir os 42,4% em 1973, cerca de metade dos efectivos totais, ainda assim inferiores aos 53,6% de Moçambique, mas sempre controlados pela PIDE e pelos Serviços de Informação Militares, para cima de alferes eram a excepção, porque “os pretos não eram de confiar”. Portugal estava cansado das guerras africanas, a ONU não perdoava e lançou Portugal no inferno do isolamento mundial.

O movimento dos capitães

Neste contexto, o Movimento dos Capitães, grupo de oficiais milicianos que conflitua com o prosseguimento da guerra colonial, reúne-se em Cascais, arredores de Lisboa, a 5 de Março de 1974, 13 anos depois do 4 de Fevereiro e do 15 de Março, para “conspirar” contra o regime de Marcello Caetano e a guerra colonial e para aprovação das bases gerais do seu programa, documento intitulado “O Movimento, as Forças Armadas e a Nação” e a partir desse dia o Movimento passa a designar-se Movimento das Forças Armadas (MFA).

Quatro dias depois, 4 oficiais afectos ao MFA, entre os quais Vasco Lourenço, são encarcerados no Presídio Militar da Trafaria, para serem transferidos para os Açores. A 14, um numeroso grupo de oficiais generais, a chamada “Brigada do Reumático”, reúne-se com o Presidente do Conselho, Marcello Caetano, no Palácio de São Bento, afirmando a sua fidelidade à política ultramarina do Governo. Os generais Costa Gomes e António de Spínola, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, não comparecem, sendo de imediato exonerados dos seus cargos pelo Chefe do Governo.

O general António de Spínola, em 1961, com 51 anos, ainda tenente-coronel, foi incumbido da missão de constituir o Batalhão de Cavalaria 345 que parte para Angola em Novembro. A partir de Janeiro de 1962, Spínola e os seus homens instalam-se em Bessa Monteiro e depois em Mbanza Kongo com a missão de lutarem implacavelmente contra os guerrilheiros nacionalistas.

No dia 16 de Março, na sequência da exoneração dos generais Costa Gomes e António de Spínola, o MFA precipita o golpe militar que planeara há vários meses. A aparente descoordenação entre os membros do Movimento não permite a plena execução das operações. Somente os elementos do Regimento de Infantaria 5, das Caldas da Rainha, comandados pelo capitão Virgílio Varela, cumprem o planeado, marchando sobre Lisboa. O golpe fracassa, sendo presos cerca de 200 militares.

Chega o mês de Abril e logo no dia 1 têm início as reuniões destinadas a debater em concreto o conteúdo do Programa MFA elaborado por Melo Antunes.

Culminando uma intensa actividade clandestina militar dos oficiais afectos ao MFA, no dia 24 de Abril, às 22h55, a emissora Emissores Associados de Lisboa emite a canção de Paulo de Carvalho “E Depois do Adeus”, senha para a preparação da saída dos militares dos quartéis. E pouco depois, às 00h20, é transmitida pela Rádio Renascença a canção de José Afonso, “Grândola, Vila Morena”, senha que lança a “Operação Fim de Regime”, pelo MFA. Já de madrugada, às 4h00, o Aeroporto de Lisboa é ocupado e, uma hora depois, o director da PIDE/DGS, Silva Pais, telefona a Marcello Caetano, informando-o do que estava a acontecer, aconselhando o Quartel do Carmo, sede da GNR, como lugar de refúgio. Entretanto, Salgueiro Maia ocupa o Terreiro do Paço e a emissão normal da Emissora Nacional estatal é suspensa às 7h52, uma hora depois de o Primeiro-Ministro se refugiar no Quartel do Carmo.
A entrega do poder

Retido no Quartel do Carmo, Marcello Caetano solicita, às 16h30, ao general Spínola, antigo governador-geral da Guiné, que ali compareça para lhe entregar o poder. Ao fim da tarde, Spínola entra no Quartel do Carmo, sob o aplauso de milhares de pessoas que enchem o largo. Marcello Caetano transmite o poder ao general Spínola, pedindo-lhe que evite que este caia na rua. Já noite, às 21h00, da sede da PIDE/DGS, que permanece cercada pela população, são disparados tiros que causam 4 mortes e várias dezenas de feridos.

Nesse mesmo dia, são promulgados de urgência diversos diplomas, entre os quais a Lei n.º 1/74, que destitui dos cargos o Almirante Américo Thomaz e Marcello Caetano, dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e estatui que os respectivos poderes sejam exercidos pela Junta de Salvação Nacional (JSN).

Ainda não tinham batido as 12 badaladas da meia noite quando são libertados todos os presos políticos no Forte de Caxias, ocupado agora pelos Fuzileiros e Pára-Quedistas.

Quanto aos presos no Forte de Peniche, terão de esperar pela noite de 27 até perto das 5h00, para, um a um, serem libertados, alguns com estatuto de liberdade condicional por estarem envolvidos em homicídios políticos. Uma libertação complexa pois o chefe dos guardas, Vitor Ramos, organizou-se com a força local da GNR para tentar impedir a saída dos presos, muitos dos quais se barricaram nas celas, com a ajuda de colchões, para impedirem um possível assalto de forças marcellistas.

Os mais de cem presos nacionalistas detidos no Campo de Trabalho de Chão Bom, antigo campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, são libertados no dia 1 de Maio, dia declarado agora como feriado, e que junta em Lisboa, num comício, Mário Soares e Álvaro Cunhal, recém-chegados do exílio.

No campo de concentração de São Nicolau, no Namibe, são libertados no dia 3 de Maio alguns milhares de presos. A 5 de Maio, são libertados os presos políticos do presídio da Ilha das Galinhas, na Guiné-Bissau.


A legitimidade dos movimentos de libertação

A 22 de Maio de 1974, quase um mês depois do 25 de Abril, Portugal reconhece como interlocutores para a descolonização o PAIGC (Guiné), o MPLA, a UNITA e a FNLA (Angola) e a FRELIMO (Moçambique). Em Julho de 1968, recorde-se, o MPLA passou a ser a única força angolana reconhecida pela OUA. No capítulo da diplomacia, o “Movimento dos Capitães” viu-se perante a necessidade de explicar aos países ocidentais, nomeadamente França, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha Federal e também ao Brasil, as novas linhas políticas portuguesas, pois estes países apoiavam, aberta ou de forma ambivalente, a política colonial portuguesa. Internamente, os “capitães de Abril” tiveram de lidar e neutralizar o “movimento dos generais” conservadores favoráveis à continuação da guerra, a chamada “kaulzada”, devido à proeminência do general Kaúlza de Arriaga, um dos falcões do regime apeado no 25 de Abril.

Em África, Portugal, Rodésia e África do Sul encontravam-se isolados com os seus regimes ditatoriais minoritários brancos. Em uníssono, os países africanos uniam as suas vozes em apoio aos movimentos de libertação nacional, tarefa complexa em Angola devido à existência de três projectos nacionalistas que antagonizavam as suas posições. Para trás ficavam os esforços do Presidente do Senegal, Leopold Senghor. Os primeiros contactos entre o Senegal e Portugal datam de Julho de 1963 e visavam uma aproximação senegalesa à Frente para a Libertação e Independência da Guiné (FLING) através do seu chefe, Benjamim Pinto Bull, com o objectivo de “tentar fórmulas de entendimento que permitissem pôr termo à luta”. Senghor mostrava-se preocupado com as facilidades militares que Sekou Touré, Presidente da Guiné-Conacri, concedia aos soviéticos. Mas a ascensão do PAIGC deitou por terra as negociações.


O brigadeiro António Sebastião Ribeiro de Spínola é então nomeado comandante-chefe das forças armadas e governador geral da Guiné e desembarca em Bissau no dia 20 de Maio de 1968. Tem à sua espera uma situação crítica. Spínola lançou uma vasta operação de aliciamento dos efectivos do PAIGC, tentando inclusive a aproximação a Amílcar Cabral, pois a guerra na Guiné estava à beira do colapso, o que, passados 9 meses sobre o assassinato de Cabral em Conacri, leva à proclamação da Independência em Setembro de 1973 em Madina do Boé, que o 25 de Abril reconheceu.

A ruptura das negociações consumou-se em 1973, após o assassinato de Amílcar Cabral e a seguir à grande ofensiva militar do PAIGC, a guerra na Guiné iria atingir uma fase pura e dura, contrariando a posição de Spínola que regressa a Lisboa, em Agosto de 1973, não tendo conseguido uma solução política para a colónia portuguesa.

Em Janeiro de 1974, Spínola é nomeado vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e em Fevereiro publica o livro “Portugal e o Futuro” que abala os alicerces do regime colonial.

No Congo, um numeroso grupo de católicos cria a “Consciência Africana” e a 23 de Agosto de 1956, data iniciática do novo Congo, o grupo, fundado pelo Abade P. Joseph Malula, bispo auxiliar de Léopoldville, e estimulado por Joseph Iléo, que tinha colaborado na redacção do primeiro manifesto do grupo, proclama o fim da discriminação racial, e o reconhecimento da personalidade africana.

No ano de 1960, após os tumultos de 4 de Janeiro de 1959 em Léopoldville, que provocaram centenas de mortos na sequência da proibição pelos belgas de uma manifestação promovida pela associação ABAKO de Joseph Kasavubu, fundada por Edmond Landu, em 1950, com o nome da Associação dos Bakongo para a unificação, expansão e defesa da língua kikongo, Patrice Lumumba pontificava no Congo e, depois de um discurso firmemente anticolonial, reconheceu a União das Populações de Angola (UPA) como partido político angolano, concedeu-lhe bases de abastecimento e de treino militar, sendo a principal a de Thyseville, pequena cidade a sul de Léopoldville e perto da fronteira de Angola, autorizou a utilização da Emissora de Léopoldville para um espaço radiofónico denominado “Voz de Angola Livre” e permitiu a publicação do jornal da UPA, “A Voz da Nação Angolana”, que surgiu em Setembro de 1960. Posteriormente, o líder do Katanga, Moisés Tchombé, líder da Confederação das Associações do Catanga (CONAKAT), ganhou relevância contra Lumumba e tentou enfraquecer a FNLA, até ser definitivamente apeado. Em 1963, a tomada do Katanga por parte das forças das Nações Unidas obrigou Tchombé a exilar-se primeiro na Rodésia do Norte (actual Zâmbia), e depois na Espanha. Em 1964, regressou ao Congo para fazer parte de um novo governo de coligação como primeiro-ministro. Decidiu expulsar de Kinshasa os congoleses de Brazzaville.


Tal acto foi revogado um ano depois pelo Presidente Joseph Kasavubu. Em 1966, o novo Presidente golpista Joseph Mobutu, acusou Tchombé de traição, pelo que este teve de voltar a fugir para a Espanha. Em 1967, foi condenado à pena capital, à revelia. Em Junho, o avião em que viajava foi sequestrado e desviado para a Argélia, onde ficou preso no domicílio até à sua morte em 1969 com um ataque cardíaco.

Dois anos antes da Independência do Congo-Leopoldville (Kinshasa), o Presidente francês, culminando uma estratégia “fracturante”, viaja para o Congo-Brazzaville e no dia 24 de Agosto de 1958, faz um discurso propondo “a independência da África Francófona”, que teve um enorme impacto inclusive no vizinho Congo-Leopoldville. Lumumba, um dos líderes do Movimento Nacional Congolês (MNC) criado em 10 de Outubro de 1958, viaja para Accra no fim de 1958 para participar na Conferência Pan-Africana dos Povos Africanos, da qual regressa ao seu país como um “herói nacional”

Intermediários dificultam emissão de visto português.

#Diplomatas #Angola #Portugal #Vistos

Jornalista: César Esteves

O embaixador cessante de Portugal em Angola, Pedro Pessoa e Costa, afirmou, segunda-feira (21), em Luanda, que grande parte dos problemas ligados ao agendamento de vistos nada tem a ver com a forma como o Consulado disponibiliza as vagas, mas a utilização das mesmas por alguns intermediários, que limitam o acesso daqueles que, realmente, necessitam de obter os vistos.

O diplomata avançou a informação à imprensa, no final da audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, para a apresentação dos cumprimentos de despedida. Pedro Pessoa e Costa assegurou que todo aquele que fizer o pedido de visto, se-guindo a tramitação, não enfrentará qualquer motivo para grandes atrasos.

“Desde os últimos tempos e fruto do grande trabalho e esforço dos funcionários do Consulado, estes vistos têm sido emitidos, nomeadamente, aqueles que espelham bem a relação extraordinária entre Angola e Portugal, no caso os vistos de saúde, estudo e para visita de familiares residentes”, frisou.

Disse que deixa as relações bilaterais entre Angola e Portugal melhoradas. “Foram dois anos de actividades intensas, mesmo tendo em conta a pandemia”, salientou o diplomata, para quem a relação entre os dois Estados toca todas as áreas de cooperação. “Saio com a sensação de ter feito tudo o que devia ser feito para o reforço desta relação”, concluiu.  

Comemora Angola como um marco insurreccional contra o colonialismo.

#Angola #Portugal #Historia #InicioDeLaLuchaPorLaLiberación #AgostinhoNeto

Luanda, 4 de Fevereiro (Prensa Latina) Angola celebra hoje o dia do início da luta armada pela libertação nacional, com várias actividades provinciais e um evento central em Luanda Sul, no nordeste do país.

A cidade de Saurimo acolherá a cerimónia principal, que será dirigida pelo Ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente, Francisco Pereira, que também aí inaugurará instalações educacionais.

Segundo a historiografia, nas primeiras horas do dia 4 de Fevereiro de 1961, jovens patriotas atacaram a prisão e a casa prisional de São Paulo em Luanda, armados com paus, catanas e pedras, para libertar prisioneiros políticos ameaçados de morte.

Em resposta, o regime colonial português intensificou as represálias, incluindo assassinatos, tortura e detenções arbitrárias.

Estes acontecimentos alimentaram a insurreição popular até à proclamação da independência do país a 11 de Novembro de 1975, sob a liderança do então presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola, António Agostinho Neto.

Na véspera do 61º aniversário dos acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961, a Ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, instou as novas gerações a preservar as grandes conquistas deste povo: soberania, paz e unidade nacional.

O diálogo intergeracional, considerou ela, constitui um espaço privilegiado para o intercâmbio de conhecimentos entre os mais experientes e a juventude destes tempos.

acl/mjm

Manifestações antecedentes do 4 de Fevereiro foram determinantes – Historiadores.

#Angola #Historia

O historiador Honoré Mbunga lembrou, quinta-feira, que todos os processos anteriores ao 4 de Fevereiro de 1961, data instituída como de Início da Luta Armada e de Libertação Nacional, foram determinantes para a expulsão do colonialista português.

Licenciado em Ensino de História e das Civilizações Africanas, na Côte d’Ivoire, dissertou sobre “O Início da Luta Armada e de Libertação Nacional”, numa palestra promovida pelo Arquivo Nacional de Angola e disse que o despertar da consciência dos nacionalistas angolanos emergiu ainda na década de 1940, tendo se agudizado até 1960.

Disse que, com o fim da II Guerra Mundial que promoveu a descolonização de 27 países africanos, o descontentamento devido às más condições sociais em Angola, os impostos, recrutamentos contínuos para o trabalho forçado, injustiças, maus tratos, o racismo e o despojo fizeram os angolanos ganharem consciência da necessidade de se verem livres do jugo português.

Recordou, por isso, a bravura do Processo dos 50, da revolta de camponeses da Baixa de Cassanje, as insurreições de Luanda, as sublevações no Norte de Angola, que em células clandestinas se criavam estratégias para vencer o colonialismo.

O historiador Honoré Mbunga disse ser unânime entre os historiadores, a nível do mundo, que o regime fascista português promoveu o sofrimento nas suas colónias africanas, travou o crescimento, em todos os domínios, “e com isso houve uma degradação abrupta da situação social das populações, mas cresceu a consciência nacionalista e o surgimento das organizações políticas clandestinas que viriam mais tarde se impor ao regime colonial fascista”.

Já o antropólogo Pungula Fernando Manuel considerou 1961 o ano de Angola, devido aos três acontecimentos marcantes da Luta de Libertação, nomeadamente, a Revolta da Baixa de Cassanje, a 4 de Janeiro, o ataque à cadeia de São Paulo, em Luanda, a 4 de Fevereiro, e o primeiro ataque do braço armado da FNLA, UPA, no Norte de Angola, a 15 de Março.

Pungula Fernando Manuel é mestre em Ensino da História e coronel das FAA. Dissertou sobre “As consequências do Início da Luta Armada e de Libertação Nacional” e disse que houve efeitos negativos, tanto para os nacionalistas e o povo angolano, como para o governo fascista e povo português.

Portugueses elegem os representantes na Assembleia da República.

#Portugal #Elecciones #Angola

Os portugueses voltam hoje às urnas para eleger os representantes na Assembleia da República, na segunda jornada das legislativas, iniciadas, sábado (29), com a votação dos eleitores residentes no estrangeiro.

Mais de 10,8 milhões de eleitores são chamados a votar nestas legislativas, antecipadas, após o chumbo do Orçamento do Estado, para eleger 230 deputados à Assembleia da República.
Esta é a 16ª vez, desde 1976, que os portugueses votam para eleições parlamentares, em democracia.O Partido Socialista (PS), do Primeiro-Ministro em exercício, António Costa, e o PSD, liderado por Rui Rio, concorrem ao pleito como favoritos  para formar o Executivo.
De acordo com as autoridades eleitorais portuguesas, as urnas para a votação abrem às 8h00 locais e encerram as 19h00 (uma hora a menos do que em Angola).
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) garantiu que o voto nas legislativas, antecipadas de hoje, “é seguro” e defendeu que todos os eleitores “devem votar, independentemente de estarem em isolamento” devido à Covid-19.
“Apesar de estas eleições ainda se realizarem no contexto da pandemia de Covid-19, estão reunidas todas as condições para que o voto seja exercido em absoluta segurança”, afirmou, ontem, a substituta do presidente da Comissão Nacional de Eleições, Vera Penedo, sublinhando que “os locais de votação foram preparados de modo a não existirem condições favoráveis ao contágio”.
Numa conferência de imprensa, realizada no auditório Almeida Santos, na Assembleia da República, em Lisboa, destacou que “foram fornecidos aos membros de mesa e demais pessoas envolvidas no processo os equipamentos de protecção individual” e apelou aos cidadãos a respeitarem as recomendações das autoridades de Saúde, notando, ainda, que “estarão disponíveis máscaras para as pessoas que as solicitem” nas assembleias e secções de voto. “As votações antecipadas decorreram de forma tranquila. Sublinha-se, também, que a campanha eleitoral se desenrolou sem incidentes, tendo as candidaturas tido a oportunidade de apresentarem as propostas e programas num quadro de normalidade democrática”, referiu a dirigente da CNE, acompanhada pelo porta-voz do organismo, João Tiago Machado, e pelo secretário da comissão, João Almeida.

  Urnas em Angola abriram no sábado
Os cidadãos portugueses residentes em Angola começaram a votar na manhã de sábado (29), em vários pontos do país, para as eleições legislativas, cujo ponto alto acontece neste domingo (30). No Consulado geral, em Luanda, a movimentação de eleitores, no período da manhã, foi literalmente fraca.
No espaço de meia hora apenas cinco pessoas se dirigiram às urnas, no interior das instalações. Todo o esforço do Jornal de Angola fez, junto do Consulado, para apurar o número de eleitores registados em Angola, e outros pormenores ligados ao processo, foi em vão.
Muitos eleitores portugueses, espalhados pelo mundo, que  acompanham as diversas sondagens, que colocam o Partido Socialista (PS) como vencedor e o Partido Social Democrata (PSD) no lugar imediato, acabaram por ficar confusos quanto ao desfecho do pleito, depois de ouvirem, sábado (29) , Francisco Louçã, o fundador e antigo coordenador do Bloco de Esquerda (BE), a lançar um aviso, na SIC Notícias, de que “todas as sondagens podem estar erradas”,  alegadamente “por não reflectirem, ainda, a tomada de posição dos indecisos”.  Presidente faz apelo ao voto “em consciência e segurança”O Presidente da República de Portugal apelou, ontem, aos seus concidadãos que votem “em consciência e segurança” nas legislativas e digam o que pensam do futuro pós-pandemia de um país a precisar de “urgente reconstrução da economia”.
Numa declaração ao país de apelo ao voto, através da televisão e rádio, Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço da campanha eleitoral, avisando para as dificuldades em sair da crise causada pela pandemia, pedindo aos portugueses que vençam o cansaço e o conformismo e votem “sem temores, nem inibições”.
“Amanhã (hoje) eu lá estarei, como sempre, com o meu (voto), um em milhões, a dizer o que penso sobre os próximos anos para Portugal. Anos de saída de uma penosa pandemia, de urgente reconstrução da economia, da sociedade, do ambiente, da vida das pessoas, de difíceis desafios europeus, e de tensão mundial como já não existia há quase 20 anos”, afirmou.
Marcelo admitiu que “pandemia, cansaço, conformismo, e outras razões do foro íntimo, são, para muitos, argumentos para escolher não escolher”.
“Mas, nestas eleições tão diferentes, num tempo tão diferente e tão exigente, votar é também uma maneira de dizermos que estamos vivos e bem vivos, e que nada, nem ninguém, cala a nossa voz”, pediu, dando o exemplo da participação nas eleições autárquicas, em Setembro, e até nas presidenciais de há um ano, durante o qual se registavam “mais de 300 mortos por dia, mais de 800 em cuidados intensivos e mais de seis mil internados” e “sem vacinas”.Resta, então, “votar em consciência e em segurança” e “a pensar em Portugal”.Antes do apelo à participação dos portugueses na votação, fez uma análise à campanha destas “eleições diferentes”, durante a qual a sua agenda foi reduzida ao mínimo, e aos temas que a marcaram.

São eleições diferentes, porque nelas se confirma, sublinhou, que “o choque da pandemia tem sido tão abrupto e prolongado que recuperar economia e mitigar pobreza e desigualdades sem mudanças de fundo, corre o risco de ser como encharcar com milhões as areias de um deserto”.
E foi uma campanha em que, segundo apontou, se tornaram evidentes três temas – “a própria pandemia e a saúde, a urgente melhoria das condições de vida, a próxima fórmula governativa, por cada qual preconizada”.
Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou, ainda, outras diferenças, sugerindo uma reflexão sobre a revisão da “rígida” lei eleitoral, que exclui a votação fora dos domingos e dias feriados, e não permite horários flexíveis, sublinhando a importância do voto antecipado em mobilidade.
Destacou, igualmente, a forma como decorreu a campanha, com uma “audiência sem precedente nos numerosos e mobilizadores debates e entrevistas, em clássicos e novos meios digitais, a testemunhar o elevado empenhamento de partidos e seus dirigentes e o profissionalismo de jornalistas, e a aconselhar cuidado acrescido àqueles que pensam regressar, no futuro, a poucos e selectivos debates audiovisuais”.

Fonte: JA

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